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Respondendo a Perguntas

Parte 3 - Perguntas e Respostas

1. O que você gostaria de esquecer?

Na verdade não gostaria de esquecer nada na minha vida. Nem as coisas boas nem as coisas ruins, porque acho que memória é sabedoria. Através da minha memória consigo me livrar das próximas armadilhas. Aceito meus acertos e meus erros com naturalidade. O fato de errar significa que sou normal, que não sei de tudo, e que ainda tenho o que aprender. No dia que eu souber tudo de tudo minha vida vai ser uma merda!

 

2. O que gostaria de tivesse acontecido na sua vida que não aconteceu?

Eu cultivei por anos o sonho de ser advogada, queria muito mesmo, mas eu não fui. Não pude cursar faculdade. Eu precisava trabalhar para criar minhas filhas. Hoje não quero mais ser advogada, mesmo porque eu não queria ser advogada, eu queria ser delegada, juíza, ou promotora, e hoje não tenho mais tempo para isso. Porém não vejo isso como um trauma, ou revolta, ou até mesmo motivo de tristeza, vejo como uma coisa que não era pra ter acontecido.

 

3. Todo mundo diz que os filhos crescem rápido, você casou nova, mesmo assim sentiu seus filhos crescerem?

Quem trabalha muito não tem o privilégio de ver seus filhos crescerem, infelizmente, esse foi o meu caso. Eu não recordo de minhas filhas durante o dia, quando eu paro e tento lembrar delas pequeninas, sempre vejo-as me esperando chegar do trabalho (à noite), ou lembro delas dormindo (de manhã – antes de ir trabalhar). Na verdade quando relaxei financeiramente, e pude olhar para minhas filhas, notei que elas já eram mulheres, e graças a Deus com motivos de muito orgulho para mim. 

 

4. Você deixa bem claro que vive para o trabalho, e ao mesmo tempo diz que vive intensamente, não é contraditório? Com uma vida assim como pensa no amor?

Quem te disse que penso no amor? Tá doido? Eu não penso no amor, eu sinto o amor, eu faço amor, e vivo o amor. E depois eu não vivo para o trabalho, eu me divirto para caramba, eu saio, eu tenho meus amigos, eu bebo, eu fumo, eu danço, eu dou muita risada e faço os outros riem também. Eu sou uma mulher que trabalho como homem, e que quando estou trabalhando estou trabalhando. Independente disso estou sempre envolvida em projetos loucos que eu mesma invento, e depois fico me virando em duas, em três, em quatro, rsrsrs. Eu sou uma pessoa que não perco oportunidades, que projeto e executo meus projetos, mas que acima de qualquer coisa faço tudo com amor. E esse é meu truque: o amor.

 

5. Você diz que é exigente para selecionar amigos, existe segredo para se relacionar com você?

Já escrevi sobre isso, não lembro onde, mais é mais ou menos isso: o requisito indispensável para ser meu amigo (a) é ter viva própria. Porque eu tenho vida própria, e não quero que ninguém deixe de viver por minha causa. Não consigo me imaginar sendo causadora de anulação pessoal de alguém. Nem tão pouco me sinto atraída por alguém que desiste dos seus objetivos por alguém, nem que esse alguém seja eu. Eu já ouvi de um namorado que eu era maluca e que namorar comigo era furada, ele chegou ao ponto de me pedir para trabalhar menos.

 

6. O que te levou a fazer tanta tatuagem?

Meu Deus! Eu não tenho tanta tatuagem! Eu tenho duas tatuagens. E a história é a seguinte: sempre fui uma pessoa contra tatuagem. Tinha pavor, preconceito, pra você ter idéia quando minha filha fez a primeira tatuagem dela, ela estava em Salvador, e eu chorei aqui em Angra só em saber. Quando eu tive a primeira síndrome de pânico, após meu tratamento decidi fazer uma homenagem as pessoas que amava. Então projetei minha tatuagem, fui para o tatuador falei minha idéia pra ele, ele fez o desenho e fiz a tatuagem. O mais importante é que ela tem um significado na minha vida, são as 8 estrelas que giram em torno da minha vida, cada estrela tem a inicial do nome da pessoa, e como elas giram em torno da minha vida elas estão em formato de aspiral. Agora tenho que colocar mais duas estrelas, porque minha vida é assim... estou em órbita. E a segunda tatuagem é uma frase que tive vontade de gritar diariamente, numa fase da minha vida, e como não podia gritar, eu tatuei no meu corpo a frase: “Só Deus pode julgar...” então, como vê minhas tatuagens têm uma história especifica na minha vida, entende? Não foi pra enfeitar nada, eu me enfeito com brinco, pulseira, batom, rímel, etc...

 

7. Qual a maior besteira que você fez na vida?

Eu faço várias besteiras até hoje. Se eu tiver que enumerar uma besteira é pouco, são muitas, várias, são tantas que daria um livro. Kkk

 

8. Tenho uma amiga que te conhece, freqüenta sua casa, e ela me disse que você fala muito palavrão, que você é boca suja, é verdade?

Se sua amiga freqüenta minha casa é porque ela é minha amiga mesmo, porque na minha casa não entra qualquer um. E se ela disse que eu sou boca suja é porque claro que é verdade. Kkk Não acho imoral falar palavrão, imoral pra mim é ser egoísta, ser traidor, ser ingrato, humilhar as pessoas, falar mau dos outros, fazer fofoca da vida dos outros, deixar de ajudar um ser humano, abandonar um filho, isso para mim é imoral. Palavrão para mim é um estado. Tem que ter a hora, o lugar e o momento. É claro que não vou falar palavrão no trabalho, nem em casa que nunca fui, nem na frente de quem eu não conheço, nem em ambiente que tenha gente idosa ou evangélica. Acho que tudo é uma questão de senso.

 

9. Você acha que o site deu certo? Ganha dinheiro com ele?

Eu sinceramente vejo o site como a realização de um sonho, e não como um sonho de consumo. Acho que dinheiro é bom, eu gosto, e eu preciso; inclusive porque tenho muitas responsabilidades. Mas não é fundamental. Quando me propus a desenvolver esse site, foi no intuito de me sentir útil, uma forma de terapia ocupacional, visto que iria passar por um procedimento cirúrgico que me deixaria de cama por aproximadamente um mês. Por outro lado a grande vantagem de ter um site é que o custo é praticamente zero, eu trabalho com minha cabeça, minhas idéias, meus conhecimentos, e meus verdadeiros sentimentos, mais nada. O que pago de domínio e hospedagem é conseqüência, e bem menos do que muita gente gasta de cigarro e cerveja. Rsrsrs. Quanto a olhar o site como fonte de renda, fica complicado. Porque infelizmente as propostas que recebo são imorais. A maioria das pessoas que me procura são pessoas que eu não acredito. E eu tenho um compromisso com a minha verdade, com o leitor como você, que me manda e-mail com perguntas. E por esse motivo eu não ganho dinheiro com meu site, mas em compensação eu não tenho rabo preso com ninguém, e a partir do momento que eu fizer conchavos serei obrigada a fingir que não vi, e o pior me comportar como se não estivesse doendo em mim. Um dia eu ouvi que tudo que era feito com prazer não tinha como dar errado. Acredito muito nisso.

 

10. Você não é vista em salão de beleza, mais esta sempre de cabelo arrumado, você mesmo cuida de seu cabelo?

Eu tenho um problema sério em freqüentar salão de beleza. Chego a passar mal, não gosto mesmo. Tive épocas de ir ao salão duas vezes por semana, vivia de escova, por conta da profissão, hoje optei por um corte natural, algo bem prático. Tem uma pessoa que cuida do meu cabelo, mas ela cuida em casa, e sempre eu estou bem relaxada. E fez meu novo corte, e hoje se limita a apenas tirar as pontas, hidratar, e me orientar com produtos que devo usar; o resto é comigo mesmo, eu aprendi a conviver com meu cabelo. Uso hidratante, filtro solar, quando ando de moto sempre coloco uma faixa para proteger do excesso de vento e poeira, deixando para soltar o cabelo só quando eu desço da moto (dicas que minha cabeleireira me passou e eu procuro seguir ao pé da letra). Cuidados simples, baratos e que tiveram resultados espantosos.

 

11. Ninguém te vê na praia. Mora no litoral e não gosta de praia?

Realmente não sou uma pessoa de ir à praia, acho as praias de Angra muito desconfortáveis. Lá em Salvador toda praia tem chuveiro, tem quiosque com banheiro descente, tem porções gostosas e com preço accessível, cadeira de praia para alugar, o que faz com que eu vá com freqüência a praia lá. Aqui é um desconforto, as coisas são caras, e na maioria das vezes com uma aparência feia. Quando a praia tem água limpa geralmente não tem nem quiosque nem chuveiro, então eu prefiro ficar em casa mesmo. Você pode esta pensando que sou fresca, mas eu juro que não sou. Mas ter que ir fazer compras um dia antes para ir pra praia é coisa de maluco, comprar gelo, arrumar isopô, arrumar lanche para criança, ter que pensar em todos os detalhes, isso não é pra Bebel não. Cresci sabendo que praia era sinônimo de laser, agente leva apenas protetor solar, bronzeador, protetor labial, dinheiro (se tiver) e canga ou toalha pra se enxugar. Quando vim morar em angra descobri que ir para praia era fazer uma pequena viagem, kkkk, pelo amor de Deus, eu não agüento! Mas acho legal ver a disposição das pessoas, acho massa, acho até engraçado. Mas eu não tenho paciência. Isso sem falar em estacionamento, porque se for de carro tem que sair cedo para arrumar estacionamento e se for de moto ainda tem que se preocupar com roubo. Então, deixe-me em casa mesmo. Mas quando recebo visita eu vou, é claro, não sou tão anti-praia assim.

 

12. Você tem uma rotina de escritora? Escreve todos os dias?

Poxa gente, eu não me considero uma escritora! Eu comecei a escrever por forças das circunstâncias. Como eu não podia falar tudo que eu pensava e sentia descobri a escrita. Sou apenas uma pessoa que escrevo textos com opinião própria. Reconheço que tenho uma forma legal de escrever e isso encanta as pessoas.  Agora vamos a sua resposta: como eu faço isso por prazer e por inspiração mesmo, eu não tenho rotina nenhuma, tem dias que eu escrevo muito e por outro lado fico semanas sem escrever, e retribuo isso ao meu estado de espírito mesmo, e principalmente ao amor. Quando estou apaixonada eu vejo poesia em tudo.

 

13. Também sou baiano e guardo muitas lembranças da nossa terra. Quais as lembranças que você tem da Bahia?

Meu amor por Salvador é imortal. Salvador é a menina dos meus olhos. A Bahia é meu primeiro amor, e não se esquece um primeiro amor! Agora eu me amarro mesmo na ingenuidade do baiano, fico contagiada como nós somos braços e coração aberto. O melhor de estar na Bahia é ter a sensação de que estamos sempre desarmados. A arma do baiano é a intuição.

 

14. O que faz com que você não saia de casa de jeito nenhum?

A doença. Fora isso nada. Eu sempre estou disposta e pronta pra sair de casa, e até mesmo para viajar, seja para o Rio, ou até mesmo para Salvador. Não faço corpo mole pra nada, posso estar cansada, posso ter tirado o dia pra ficar quietinha, mas se for preciso, fazer o que?

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