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1. O que você gostaria de esquecer?
Na verdade não gostaria de esquecer nada na
minha vida. Nem as coisas boas nem as coisas
ruins, porque acho que memória é sabedoria.
Através da minha memória consigo me livrar das
próximas armadilhas. Aceito meus acertos e meus
erros com naturalidade. O fato de errar
significa que sou normal, que não sei de tudo, e
que ainda tenho o que aprender. No dia que eu
souber tudo de tudo minha vida vai ser uma
merda!
2. O que gostaria de tivesse acontecido
na sua vida que não aconteceu?
Eu cultivei por anos o sonho de ser advogada,
queria muito mesmo, mas eu não fui. Não pude
cursar faculdade. Eu precisava trabalhar para
criar minhas filhas. Hoje não quero mais ser
advogada, mesmo porque eu não queria ser
advogada, eu queria ser delegada, juíza, ou
promotora, e hoje não tenho mais tempo para
isso. Porém não vejo isso como um trauma, ou
revolta, ou até mesmo motivo de tristeza, vejo
como uma coisa que não era pra ter acontecido.
3. Todo mundo diz que os filhos crescem
rápido, você casou nova, mesmo assim sentiu seus
filhos crescerem?
Quem trabalha muito não tem o privilégio de ver
seus filhos crescerem, infelizmente, esse foi o
meu caso. Eu não recordo de minhas filhas
durante o dia, quando eu paro e tento lembrar
delas pequeninas, sempre vejo-as me esperando
chegar do trabalho (à noite), ou lembro delas
dormindo (de manhã – antes de ir trabalhar). Na
verdade quando relaxei financeiramente, e pude
olhar para minhas filhas, notei que elas já eram
mulheres, e graças a Deus com motivos de muito
orgulho para mim.
4. Você deixa bem claro que vive para o
trabalho, e ao mesmo tempo diz que vive
intensamente, não é contraditório? Com uma vida
assim como pensa no amor?
Quem te disse que penso no amor? Tá doido? Eu
não penso no amor, eu sinto o amor, eu faço
amor, e vivo o amor. E depois eu não vivo para o
trabalho, eu me divirto para caramba, eu saio,
eu tenho meus amigos, eu bebo, eu fumo, eu
danço, eu dou muita risada e faço os outros riem
também. Eu sou uma mulher que trabalho como
homem, e que quando estou trabalhando estou
trabalhando. Independente disso estou sempre
envolvida em projetos loucos que eu mesma
invento, e depois fico me virando em duas, em
três, em quatro, rsrsrs. Eu sou uma pessoa que
não perco oportunidades, que projeto e executo
meus projetos, mas que acima de qualquer coisa
faço tudo com amor. E esse é meu truque: o amor.
5. Você diz que é exigente para
selecionar amigos, existe segredo para se
relacionar com você?
Já escrevi sobre isso, não lembro onde, mais é
mais ou menos isso: o requisito indispensável
para ser meu amigo (a) é ter viva própria.
Porque eu tenho vida própria, e não quero que
ninguém deixe de viver por minha causa. Não
consigo me imaginar sendo causadora de anulação
pessoal de alguém. Nem tão pouco me sinto
atraída por alguém que desiste dos seus
objetivos por alguém, nem que esse alguém seja
eu. Eu já ouvi de um namorado que eu era maluca
e que namorar comigo era furada, ele chegou ao
ponto de me pedir para trabalhar menos.
6. O que te levou a fazer tanta
tatuagem?
Meu Deus! Eu não tenho tanta tatuagem! Eu tenho
duas tatuagens. E a história é a seguinte:
sempre fui uma pessoa contra tatuagem. Tinha
pavor, preconceito, pra você ter idéia quando
minha filha fez a primeira tatuagem dela, ela
estava em Salvador, e eu chorei aqui em Angra só
em saber. Quando eu tive a primeira síndrome de
pânico, após meu tratamento decidi fazer uma
homenagem as pessoas que amava. Então projetei
minha tatuagem, fui para o tatuador falei minha
idéia pra ele, ele fez o desenho e fiz a
tatuagem. O mais importante é que ela tem um
significado na minha vida, são as 8 estrelas que
giram em torno da minha vida, cada estrela tem a
inicial do nome da pessoa, e como elas giram em
torno da minha vida elas estão em formato de
aspiral. Agora tenho que colocar mais duas
estrelas, porque minha vida é assim... estou em
órbita. E a segunda tatuagem é uma frase que
tive vontade de gritar diariamente, numa fase da
minha vida, e como não podia gritar, eu tatuei
no meu corpo a frase: “Só Deus pode julgar...”
então, como vê minhas tatuagens têm uma história
especifica na minha vida, entende? Não foi pra
enfeitar nada, eu me enfeito com brinco,
pulseira, batom, rímel, etc...
7. Qual a maior besteira que você fez na
vida?
Eu faço várias besteiras até hoje. Se eu tiver
que enumerar uma besteira é pouco, são muitas,
várias, são tantas que daria um livro. Kkk
8. Tenho uma amiga que te conhece,
freqüenta sua casa, e ela me disse que você fala
muito palavrão, que você é boca suja, é verdade?
Se sua amiga freqüenta minha casa é porque ela é
minha amiga mesmo, porque na minha casa não
entra qualquer um. E se ela disse que eu sou
boca suja é porque claro que é verdade. Kkk Não
acho imoral falar palavrão, imoral pra mim é ser
egoísta, ser traidor, ser ingrato, humilhar as
pessoas, falar mau dos outros, fazer fofoca da
vida dos outros, deixar de ajudar um ser humano,
abandonar um filho, isso para mim é imoral.
Palavrão para mim é um estado. Tem que ter a
hora, o lugar e o momento. É claro que não vou
falar palavrão no trabalho, nem em casa que
nunca fui, nem na frente de quem eu não conheço,
nem em ambiente que tenha gente idosa ou
evangélica. Acho que tudo é uma questão de
senso.
9. Você acha que o site deu certo? Ganha
dinheiro com ele?
Eu sinceramente vejo o site como a realização de
um sonho, e não como um sonho de consumo. Acho
que dinheiro é bom, eu gosto, e eu preciso;
inclusive porque tenho muitas responsabilidades.
Mas não é fundamental. Quando me propus a
desenvolver esse site, foi no intuito de me
sentir útil, uma forma de terapia ocupacional,
visto que iria passar por um procedimento
cirúrgico que me deixaria de cama por
aproximadamente um mês. Por outro lado a grande
vantagem de ter um site é que o custo é
praticamente zero, eu trabalho com minha cabeça,
minhas idéias, meus conhecimentos, e meus
verdadeiros sentimentos, mais nada. O que pago
de domínio e hospedagem é conseqüência, e bem
menos do que muita gente gasta de cigarro e
cerveja. Rsrsrs. Quanto a olhar o site como
fonte de renda, fica complicado. Porque
infelizmente as propostas que recebo são
imorais. A maioria das pessoas que me procura
são pessoas que eu não acredito. E eu tenho um
compromisso com a minha verdade, com o leitor
como você, que me manda e-mail com perguntas. E
por esse motivo eu não ganho dinheiro com meu
site, mas em compensação eu não tenho rabo preso
com ninguém, e a partir do momento que eu fizer
conchavos serei obrigada a fingir que não vi, e
o pior me comportar como se não estivesse doendo
em mim. Um dia eu ouvi que tudo que era feito
com prazer não tinha como dar errado. Acredito
muito nisso.
10. Você não é vista em salão de beleza,
mais esta sempre de cabelo arrumado, você mesmo
cuida de seu cabelo?
Eu tenho um problema sério em freqüentar salão
de beleza. Chego a passar mal, não gosto mesmo.
Tive épocas de ir ao salão duas vezes por
semana, vivia de escova, por conta da profissão,
hoje optei por um corte natural, algo bem
prático. Tem uma pessoa que cuida do meu cabelo,
mas ela cuida em casa, e sempre eu estou bem
relaxada. E fez meu novo corte, e hoje se limita
a apenas tirar as pontas, hidratar, e me
orientar com produtos que devo usar; o resto é
comigo mesmo, eu aprendi a conviver com meu
cabelo. Uso hidratante, filtro solar, quando
ando de moto sempre coloco uma faixa para
proteger do excesso de vento e poeira, deixando
para soltar o cabelo só quando eu desço da moto
(dicas que minha cabeleireira me passou e eu
procuro seguir ao pé da letra). Cuidados
simples, baratos e que tiveram resultados
espantosos.
11. Ninguém te vê na praia. Mora no
litoral e não gosta de praia?
Realmente não sou uma pessoa de ir à praia, acho
as praias de Angra muito desconfortáveis. Lá em
Salvador toda praia tem chuveiro, tem quiosque
com banheiro descente, tem porções gostosas e
com preço accessível, cadeira de praia para
alugar, o que faz com que eu vá com freqüência a
praia lá. Aqui é um desconforto, as coisas são
caras, e na maioria das vezes com uma aparência
feia. Quando a praia tem água limpa geralmente
não tem nem quiosque nem chuveiro, então eu
prefiro ficar em casa mesmo. Você pode esta
pensando que sou fresca, mas eu juro que não
sou. Mas ter que ir fazer compras um dia antes
para ir pra praia é coisa de maluco, comprar
gelo, arrumar isopô, arrumar lanche para
criança, ter que pensar em todos os detalhes,
isso não é pra Bebel não. Cresci sabendo que
praia era sinônimo de laser, agente leva apenas
protetor solar, bronzeador, protetor labial,
dinheiro (se tiver) e canga ou toalha pra se
enxugar. Quando vim morar em angra descobri que
ir para praia era fazer uma pequena viagem, kkkk,
pelo amor de Deus, eu não agüento! Mas acho
legal ver a disposição das pessoas, acho massa,
acho até engraçado. Mas eu não tenho paciência.
Isso sem falar em estacionamento, porque se for
de carro tem que sair cedo para arrumar
estacionamento e se for de moto ainda tem que se
preocupar com roubo. Então, deixe-me em casa
mesmo. Mas quando recebo visita eu vou, é claro,
não sou tão anti-praia assim.
12. Você tem uma rotina de escritora?
Escreve todos os dias?
Poxa gente, eu não me considero uma escritora!
Eu comecei a escrever por forças das
circunstâncias. Como eu não podia falar tudo que
eu pensava e sentia descobri a escrita. Sou
apenas uma pessoa que escrevo textos com opinião
própria. Reconheço que tenho uma forma legal de
escrever e isso encanta as pessoas.
Agora
vamos a sua resposta: como eu faço isso por
prazer e por inspiração mesmo, eu não tenho
rotina nenhuma, tem dias que eu escrevo muito e
por outro lado fico semanas sem escrever, e
retribuo isso ao meu estado de espírito mesmo, e
principalmente ao amor. Quando estou apaixonada
eu vejo poesia em tudo.
13. Também sou baiano e guardo muitas
lembranças da nossa terra. Quais as lembranças
que você tem da Bahia?
Meu amor por Salvador é imortal. Salvador é a
menina dos meus olhos. A Bahia é meu primeiro
amor, e não se esquece um primeiro amor! Agora
eu me amarro mesmo na ingenuidade do baiano,
fico contagiada como nós somos braços e coração
aberto. O melhor de estar na Bahia é ter a
sensação de que estamos sempre desarmados. A
arma do baiano é a intuição.
14. O que faz com que você não saia de
casa de jeito nenhum?
A doença. Fora isso nada. Eu sempre estou
disposta e pronta pra sair de casa, e até mesmo
para viajar, seja para o Rio, ou até mesmo para
Salvador. Não faço corpo mole pra nada, posso
estar cansada, posso ter tirado o dia pra ficar
quietinha, mas se for preciso, fazer o que? |