Quando os objetivos
são diferentes
Os homens não querem nada sério. Namoro ou
amizade?
A seguinte história mostra um caso de decepção, logo
no início do relacionamento, devido a diferenças de objetivos entre os
pretendentes:
Recentemente notei que Regina, uma
conhecida, estava muito zangada. Quando mencionei isto, ela logo se pôs a
contar a razão do seu aborrecimento. Ela estava se apaixonando por um colega
de trabalho. Ele passou um bom tempo dando sinais que estava interessado por
ela. Tanta persistência por parte dele acabou despertando o interesse dela.
Começaram então a almoçar juntos nos dias de trabalho. No último destes
almoços, ele confidenciou para ela que tinha várias “amigas”, com as quais
tinha uma espécie de relacionamento amoroso no qual cada um deles tinha plena
liberdade para desenvolver relacionamentos amorosos com outras pessoas. Era
uma espécie de “amizade colorida”. Ele insinuou que tinha um lugar para ela
neste grupo. Ela ficou muito zangada e sentiu-se enganada porque, a esta
altura, já estava bastante envolvida emocionalmente com ele e nunca havia lhe
passado pela cabeça que era isto o que ele queria com ela.
“Objetivo do relacionamento”
é um assunto obrigatório para aqueles cujos relacionamentos estão sendo
iniciados. Por exemplo, você pode estar querendo apenas “ficar”
ou uma noitada de sexo casual, enquanto o seu parceiro pode estar querendo um
relacionamento mais compromissado: namorar, morar junto e casar. Este tipo de
desencontro também pode acontecer quando um relacionamento já em andamento está
maduro para progredir para um grau maior de compromisso como, por exemplo,
quando um dos membros de um casal que está namorando há um bom tempo está
querendo morar junto ou ficar noivo, enquanto o outro está hesitando bastante em
dar este passo. Caso esta incompatibilidade seja constatada quando o
relacionamento já está em andamento, isto dará margem a grandes decepções,
raivas e sofrimentos. Para saber se você já teve um desencontro de objetivos nos
seus relacionamentos amorosos, responda as seguintes perguntas:
1- Você costuma perder muito tempo com parceiros que
não querem nada sério?
2- Você já “ficou” com alguém que depois não
pediu o seu telefone e a deixou frustrada com isso?
3- Você já transou com alguém no primeiro encontro e no dia seguinte a pessoa
sumiu?
4- Você já teve um relacionamento amoroso com alguém que se recusava a assumir
um grau maior de compromisso?
5- Você já foi acusado de confundir sinais de amizade e gentileza com sinais
de interesse amoroso?
6- Algum dos seus parceiros amorosos responderia “Sim”
a uma ou mais das perguntas anteriores em relação a você (você é que fez o
papel daquele que “fugia” do compromisso)?
Algum dos seus parceiros amorosos responderia “Sim”
a uma ou mais das perguntas anteriores em relação a você (você é que fez o papel
daquele que “fugia” do compromisso)?
Caso tenha respondido “Sim”
a uma ou mais destas questões, você já passou pela experiência de ter um
objetivo diferente do de seu pretendente amoroso. Vamos tentar entender melhor
este assunto.
Creio que os casos mais freqüentes de desencontros de
objetivos acontecem nas “ficadas” e no sexo casual.
Nestes dois tipos de relacionamento, um dos parceiros, tanto o homem quanto a
mulher, mesmo quando tem o mesmo objetivo inicial que o outro, pode se envolver
afetivamente além do que seria esperado para o caso e passar a desejar uma
progressão para um maior grau de compromisso, sem ser correspondido pelo outro
parceiro. O sexo casual, principalmente, é uma fonte freqüente de discórdia.
Geralmente são os homens que querem este tipo de relacionamento. As mulheres
freqüentemente se deparam com “caçadores”
disfarçados, que só querem sexo. Os homens raramente reclamam quando são elas
que assumem este papel. Um dos motivos pelos quais eles não explicitam este
objetivo logo no início do relacionamento é porque prevêem que raramente elas o
aceitariam. Por isso eles passam a dissimular seus objetivos. As mulheres também
raramente declaram logo no início do relacionamento que não querem isso. Elas
deixam de fazer esta declaração por vários motivos, tais como pelo temor de
quebrar o clima positivo que já foi criado e porque estão com esperança de que o
relacionamento possa progredir.
Dois dos principais motivos das diferenças de
objetivos são os seguintes:
1. um dos parceiros só preenche os requisitos
mínimos do outro para um tipo de relacionamento e este objetivo está aquém do
tipo de compromisso pretendido pelo outro. Por exemplo, uma pessoa só vê em um
pretendente qualidades suficientes para “ficar”,
mas não para namorar. No entanto, o objetivo deste pretendente é namorar e
ficaria muito frustrado com menos do que isso.
2. um dos parceiros só está disponível para um nível de compromisso que está
aquém daquele pretendido pelo outro. Por exemplo, um parceiro acabou de sair
de um longo relacionamento e não quer começar a namorar imediatamente. Topa
apenas sexo sem compromisso. O objetivo do outro parceiro é namorar.
O primeiro destes motivos, graus de exigências para
cada nível de compromisso, foi pesquisado por um cientista americano da
Universidade Estadual do Arizona, Douglas Kenrick e seus associados. Estes
pesquisadores verificaram que quanto maior o nível de compromisso envolvido em
um tipo de relacionamento, maiores são as exigências sobre as qualificações
que um pretendente deve atender para ser aceito como parceiro. Para realizar
esta pesquisa, estes autores forneceram para os participantes uma lista com
vinte e três qualidades indicadas por estudos anteriores como importantes em
um parceiro amoroso (inteligência, nível educacional, nível econômico, boa
aparência etc.) e pediram para que eles avaliassem o grau de qualificação
mínima, em cada uma destas vinte e três qualidades, que exigiriam dos
pretendentes para cada um dos seguintes tipos de relacionamentos: um encontro
(“date”), uma noite de sexo, namorar e casar. Os resultados deste estudo
indicaram que os homens são muito menos exigentes do que as mulheres para se
envolverem em relacionamentos com baixos graus de compromisso. No entanto, os
seus graus de exigência vão ficando cada vez mais parecidos com os delas à
medida que estes graus de compromisso vão aumentando. Por exemplo, os homens
são muito menos exigentes do que as mulheres para aceitarem um encontro ou
sexo casual e são praticamente iguais a elas quando estão escolhendo um
parceiro para fins de casamento.
Alguns sinais que indicam os graus de
compromisso que o parceiro está propenso a aceitar
Como muitas vezes não dá para perguntar diretamente ao
pretendente quais são as suas intenções (isto pode soar como ansiedade e
insegurança ou funcionar como pressão sobre ele) e, mesmo quando isto é
possível, não dá para confiar plenamente no que ele diz, alguns autores
realizaram uma pesquisa para tentar identificar quais são os principais sinais
que diferenciam um homem que só quer sexo daquele que está aberto para um
relacionamento mais amplo. Os principais destes sinais são os seguintes:
O homem que só quer sexo:
Tenta transar o mais rapidamente possível. Quer obter
sexo o mais rapidamente possível e não quer perder muito tempo com os desvios
desta meta. Vai logo tentando colocar as mãos no corpo da parceira, tenta
discutir assuntos sexuais, tenta marcar o encontro em um local onde o sexo
poderia rolar, tenta fazer a parceira ingerir bebidas alcoólicas, convida para
ver um vídeo pornô.
Não fazer planos. Evita
os planos de todos os tamanhos, desde um convite para passar o próximo feriado
até quantos filhos quer ter.
Não é romântico. Ele não
traz flores, não fica tempo olhando nos olhos (olha mais para o corpo da
parceira), evita declarações de amor.
Evita conversar sobre temas
pessoais. Evita falar de vários setores da vida e não incentiva a
parceira para abordar estes temas. Evitar falar de si e não se interessa pela
vida familiar e profissional dela.
Não apresenta a parceira para
aqueles que fazem parte do seu círculo mais íntimo de relações. Não a
apresenta para os amigos e parentes e evita conhecer as pessoas próximas da
parceira.
Perde o interesse depois do
sexo. Transa com a parceira e, logo em seguida se levanta da cama (nada
de conversa e carinhos) e logo quer ir embora. Não telefona nos dias seguintes.
Logo ele tenta se mostrar como
um revolucionário dos costumes amorosos. Ele logo se revela um defensor
radical do amor livre, do sexo saudável e se posiciona radicalmente contra as
instituições e os rituais que administram os compromissos amorosos (“O
que altera assinar um papel?”, “Sou contra
cerimônias”).
Preste bastante atenção para
verificar se os objetivos de seus pretendentes são os mesmos que os seus.
Procure confirmar também, durante as conversas, se realmente eles estão
motivados para o tipo de relacionamento que se propuseram. Isto não significa
que cada parceiro deve estar absolutamente seguro dos seus objetivos logo no
início do relacionamento - os objetivos podem evoluir. Existe, no entanto, um
grande risco de decepção quando, desde o início, ele é declaradamente
diferente do seu. O risco de decepção é ainda muito maior quando uma das
partes já tem um compromisso sério com outra pessoa e a parte descompromissada
está livre e quer um compromisso sério.
Ailton Amélio da Silva é doutor em
Psicologia, psicólogo, psicoterapeuta e
professor da USP, em São Paulo (SP). É
autor de vários estudos científicos sobre
relacionamentos amorosos e dos livros "O
Mapa do Amor", "Para Viver um Grande Amor"
e o mais recente "Relacionamento Amoroso:
Como Encontrar Sua Metade Ideal e Cuidar
Dela".
Fonte: Provedor
UOL, por Ailton Amélio da Silva
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, dia 25 de maio de
2010 (12.986)