Os
filhos dele
Convenhamos: não é fácil conviver com os filhos do homem
amado. Em princípio, eles nos odeiam, porque acham, sempre, que estamos tomando
- usurpando, melhor dizendo - o lugar da mãe. Quando são muito pequenos e ainda
não aprenderam as mais elementares regras de educação, isto é, a mentir
despudoradamente, se você chegar perto e disser, segurando a bochecha, "que
coisa mais linda", eles podem cair no choro, seguido talvez de gritos
alucinantes. Quando são um pouco mais velhos, 7, 8 anos, te ignoram, e nem pense
em comprá-los com presentes: será dinheiro jogado fora. A partir dessa idade,
você vai ter que lidar com um elemento bem pior, que é a provocação (para não
dizer sacanagem). Como todas estamos cansadas de saber, crianças estão longe de
ser anjos, como se pensava no século retrasado. Elas são ciumentas, invejosas,
interesseiras e malvadas, e é preciso ter a cabeça muito no lugar para não cair
do tapete que elas vão puxar o tempo todo. Supondo que no apartamento do seu
namorado haja um quarto só para os filhos dele, a primeira providência que vão
tomar é botar um porta-retrato com a foto da mãe. Como agir? Perguntando, com o
ar mais inocente deste mundo: "Essa não é aquela atriz.......?" Invente um nome
bem esquisito e eles vão achar bem legal você pensar que a mãe deles é uma
artista - ponto pra você. É claro que vão falar da mãe tantas vezes quanto
conseguirem - e sempre de maneira a fazer você bem invejosa. O carro novo da
mamãe, a viagem que fizeram a Nova York com a mamãe e o papai, o namorado novo
da mamãe; é como se na cabeça dessas crianças não existisse nada nem ninguém a
não ser a querida mamãe - o que a gente sabe que não é verdade. A única
determinação que existe para esses anjinhos é atrapalhar o namoro do pai deles,
por ciúme e possessividade. Qual o filho que não quer o pai e a mãe só para si?
Mas cuidado: se eles não são flor que se cheire, a gente também não é. Só que,
por conhecermos um pouquinho mais a vida, temos a obrigação de nos comportar um
pouquinho melhor. Resista a se enroscar no pai deles quando estiverem presentes,
a dar beijinhos e dizer meu amor o tempo todo. Evite também se referir à noite
anterior, a como vocês se divertiram e também a falar sobre qualquer plano para
o futuro. Nunca mude os móveis da casa dele de lugar e, se tiver sede, peça um
copo de água; abrir a geladeira, nem pensar. Comporte-se como uma visita de
cerimônia para não acirrar os ânimos. Agindo dessa maneira, você vai se mostrar
generosa e madura, o que vai contar muitos pontos a seu favor. Mas, quando não
estiver suportando a pressão e tiver vontade de fazer uma maldade bem grande,
daquelas que só uma mulher é capaz, pense que, no fundo, você só tem raiva dos
filhos dele por uma razão: porque eles são filhos da outra.
Fonte: Revista
NOVA, por Danuza Leão
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, dia 8 de abril de
2010 (12.246)