Independência na relação a dois
Alô, onde você está? Que horas
volta? Aonde vai?
São assuntos tabus nas relações afetivas dos dias de hoje, no
mundo moderno as mulheres trabalham, os homens também, cada um possui uma vida
separada do outro, com colegas de trabalho próximos, viagens ao exterior para
conferências, hora extras e muito esforço para atingir o sucesso da vida
profissional.
Ai vem no fim do dia o ciumento do namorado ligar reticente e carinhoso “- Oi
amor, tudo legal? Aonde você está? E que horas volta hoje? Está com quem
mesmo?”, eu lembro daquele que era argentino e tinha uma mulher que sempre
estava viajando ou fazendo algum tipo de aula comprometedora, e o ciumento
falava “ um momento mio amor jo ácer una cosa”, a”, e ai quebrava os móveis,
arrancava o cabelo e depois voltava ao telefone aliviado dizendo - “si amor que
bom que estais acendo aula de massagem tântrica com o professor tântrico,...”,
quem sofre Ricardomes é fogo.
Realmente houve uma inversão de valores dentro de um laço de matrimônio, isto
segundo a ética judaico cristã, onde o casal deveria viver procurando maior
complementariedade, o homem com suas funções de manutenção, prover dinheiro e
segurança, e a mulher em casa, prepara a comida, lava roupas e o próprio lar,
além de educar os filhos.
Coisas que antes eram tabu, hoje são corriqueiras, por exemplo mulher que
trabalha fora e chega em casa tarde, ou homem que lava passa e cozinha, com
prazer, pra toda a família, e inverso idem, ou seja coisas que antes eram
corriqueiras e hoje são tabu, como por exemplo perguntar onde estava, com quem
irá sair, ou outro tipo de pergunta inquérito, pois passa a ser um sinal de
insegurança de quem pergunta.
Está démodé também solicitar ou dar explicações detalhadas ao marido ou a
mulher, se ele chegar e falar que vai com o pessoal do trabalho jogar futebol,
ela tem de entender, em nome da confiança do casal, e se ela workaholic diz que
vai viajar a trabalho para o exterior por uma semana, junto com os diretores,
ele também tem de entender em nome, da admiração e respeito à individualidade.
Para que se possa viver um laço moderno o sujeito deve ter muita autoestima para
não se sentir amedrontado com as relações que o outro tem com os amigos, colegas
e participantes de sua vida pessoal; Além de ter as próprias relações
individuais bem estabelecidas em um universo de trabalho, cotidiano bem
consolidado, com amizades significativas que preencham qualquer insegurança com
convívio enriquecedor suprimindo estas briguinhas de casal, hoje parte do
passado.
Que nada! Continuamos humanos, seres contraditórios que amam e odeiam, com
ciúmes, possessividade, interesses, e não devemos nos envergonhar disso, acho
muito raro que alguém tenha este equilíbrio, esta maturidade para viver um
relacionamento assim tão independente de um parceiro na relação a dois.
Porém, devemos tentar esta lucidez, esta maturidade mesmo que aos trancos e
barrancos; Esta é a melhor forma de qualquer ciumento conviver a dois num laço
duradouro e estável, qualquer dificuldade procure um psicólogo, converse em
sigilo e não vá se dar ao ridículo, ao pastelão de contar aos amigos suas
paranoias, ou atuar cenas de ciúmes, menos ainda desgastar a relação com este
tipo de insegurança, caso realmente não exista mais confiança, ao invés de
tentar controlar o outro separe-se, ou tente controlar a si mesmo.
Wilson Montiel é especialista em
Psicoterapia Psicodinâmica, psicólogo e psicoterapeuta de adolescentes,
adultos e casais. Atende em psicoterapia breve de abordagem psicodinâmica,
cognitiva de base psicanalítica.
Fonte: Provedor
BOL, por Wilson Montiel
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, dia 12 de abril de
2010 (12.324)