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Ciúme, armadilha do amor dependente, Por
Fernanda
Dannemann
O ciúme é o
medo da perda, mas perda de que?
Em primeiro lugar, da perda da
autoconfiança, pois ao escolher alguém que
você supõe irá traí-lo(a), isso significa
que você não pode confiar na sua capacidade
de escolha.
Mas há também o medo de perder o controle
sobre o parceiro e sobre a própria relação,
o que acontece com freqüência quando um
significa todo o suporte ou o sentido da
vida do outro. “Este tipo de ciúme gera
medo, insegurança e ansiedade.
É muito
perigoso colocar o(a) parceiro(a) como o ar
que se respira, porque se
ele(a) se afastar, aquele que é deixado
sente-se vazio e perdido”, diz Aparecida
Nogueira, psicóloga especializada em terapia
de casal.
Uma das grandes causas de desrespeito, mágoa
e separação de casais, o ciúme é um
sentimento corrosivo que pode crescer a
ponto de sufocar a saúde mental e física dos
parceiros. Pode chegar ao ponto de provocar
danos de morte. “No ciúme existe o
desconforto de uma experiência real ou
imaginária de medo”, diz a psicóloga Mônica
Levi.
“Medo
principalmente de perder o parceiro para
outra pessoa”, completa.
Muitas vezes, a raiz do ciúme se encontra na
infância, em relacionamentos complicados com
a figura da mãe ou do pai, ou da pessoa que
exercia esse papel na vida da pessoa.
Quem
ama cuida, mas não demais!
“Muita gente justifica seu ciúme como
uma postura de cuidado, e não de cerceamento
à liberdade do outro”, diz o psicólogo
Eduardo Ferreira Santos, autor do livro
“Ciúme: o lado amargo do amor”, explicando
que zelar por alguém, significa cuidar.
“Mas
o ciumento não trata o outro bem já que
desconfia dele”, diz.
O ciumento fala do outro com raiva, e à
medida que o ciúme aumenta, o maltrato
também evolui, podendo chegar à violência e
até à morte. O primeiro passo para que o
zelo se transforme em ciúme, segundo
Eduardo, é a relação simbiótica,
caracterizada pela necessidade de ter o
outro. A simbiose é a idéia de que no casal
não existem duas individualidades distintas,
mas um único ser.
Esse
sentimento é baseado na dependência e não no
desejo de compartilhar com o outro.
“A
dependência é doentia e torna as pessoas
infelizes. Mesmo assim é muito
comum e acontece quando um dos parceiros não
se sente capaz de viver por si próprio e de
enfrentar o mundo. Essa sensação de não ser
completo(a) cria a ilusão de uma absoluta
necessidade da outra pessoa. Como
conseqüência, surge o pânico de ser perder o
controle e ser abandonado(a). O ciúme surge
como um mecanismo inconsciente que busca
controlar e reter o outro só para si. Tudo o
que não se encontra dentro da relação
simbiótica passa a representar uma ameaça ao
parceiro que não suporta a idéia de ser
abandonado(a).
Não se trata de não sentir ciúme nunca, já
que este é uma expressão de uma emoção. A
questão é não se deixar dominar por ele e,
ao contrário, dominar a sua expressão a fim
de que não cause danos nem à pessoa nem ao
relacionamento.
O
ciúme é péssimo tanto para quem sente como
para quem se torna sua vítima. É um
sentimento que desgasta muita energia
psicológica, que faz com que o indivíduo
deixe de saber quem ele é.
Enquanto uma pessoa vigia outra, não está
olhando para si própria num mecanismo de
defesa que a impede de perceber quais são os
seus cinqüenta por cento na relação.
O ciúme é algo cruel quando exagerado,
quando fora de controle, pois a pessoa fica
sem Ter contato com as suas verdadeiras
emoções e não percebe o medo que se encontra
dentro de si e suga as suas energias
provocando devastações internas e destruindo
relacionamentos.
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, dia 12 de julho de
2009 (8322) 
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