Ciência e
arte da sedução
O que fazer para conquistar uma pessoa? Em que condições
acontece o apaixonamento? Estas são perguntas formuladas desde os primórdios da
humanidade. Embora ainda não possuamos respostas completamente satisfatórias
para elas, várias pesquisas e teorias científicas ajudam a respondê-las
parcialmente. A parte que ainda não sabemos responder cientificamente é o espaço
ocupado pela arte da conquista.
Embora não exista uma fórmula mágica, uma simpatia, um
procedimento, uma poção, um feromônio que seja eficaz para conquistar todo
mundo, as seguintes condições aumentam as chances de que o apaixonamento ocorra:
(1) similaridade e complementaridade entre os parceiros em
vários atributos importantes;
(2) os parceiros atendem aos princípios gerais que regem os
apaixonamentos e
(3) os parceiros atendem às condições particulares que são
eficientes para provocar o apaixonamento do outro. Vamos examinar agora estas
três condições.
Similaridade e
complementaridade entre os parceiros
A similaridade e, em menor grau, a complementaridade entre os
parceiros em qualidades que são importantes para ambos é um requisito essencial
para a conquista. Quando os parceiros são muito diferentes e não complementares
é praticamente impossível adotar um procedimento de conquista que supere este
abismo. Por exemplo, não existe fórmula eficaz que possa ser usada por uma
pessoa analfabeta, idosa, paupérrima e mal-educada para conquistar outra
universitária, jovem, rica e bem-educada.
Princípios gerais que regem os
apaixonamentos
A teoria do apaixonamento mais aceita por aqueles que estudam
o fenômeno do apaixonamento é a de Stendhal. Esta teoria afirma que são
necessárias três condições para que ocorra o apaixonamento: admiração, esperança
e uma certa dose de insegurança.
Admiração
A admiração por uma pessoa pode ser provocada tanto pelas suas qualidades gerais
(inteligência, cultura, princípios morais etc.) como pelas suas qualidades
diretamente relevantes para o apaixonamento (beleza, comportamentos típicos de
cada gênero etc.). Geralmente as pessoas que estão tentando conquistar procuram
uma forma sutil e socialmente aceita de exibir estes dois tipos de qualidades
para seus objetos de conquista. Por exemplo, contam casos nos quais seus
atributos admiráveis ficam sutilmente evidenciados, cuidam da beleza física e da
produção (principalmente as mulheres) e exibem recursos econômicos, como pagar
jantares em restaurantes da moda, desfilar em carros caríssimos (principalmente
os homens).
Outra teoria que também afirma que a admiração é necessária
para o apaixonamento é a Teoria da Expansão do Eu. Segundo esta teoria, as
qualidades que admiramos em uma outra pessoa são aquelas que gostaríamos de ter.
Esta teoria afirma também que a associação amorosa com uma pessoa que possua
tais qualidades seria uma forma de nos apropriarmos delas e, desta forma,
expandirmos o nosso eu.
Uma pesquisa
encontrou resultados que confirmam esta teoria: casais que participaram de
atividades desafiadoras de seus limites psicológicos (expansoras do eu)
relataram um maior fortalecimento de suas ligações afetivas do que casais que
participaram de atividades agradáveis, mas não desafiadoras. (Pense nisso quando
estiver escolhendo um programa para fazer com alguém que você deseja
conquistar).
Esperança
Existem dois tipos de esperança. A primeira é que tenhamos
qualidades suficientes para estar à altura da pessoa que queremos conquistar.
Quem não atende a este requisito incorre naquele ditado popular que afirma que o
parceiro “é muita areia para o seu caminhãozinho”.
Atendido este primeiro requisito, ainda é necessário que haja um segundo tipo de
esperança: a reciprocidade do interesse amoroso. Este tipo de esperança é
alimentado por aqueles sinais que são apresentados principalmente através da
paquera verbal e não-verbal (“derreter-se na presença do
outro”, “ficar rodeando a outra pessoa”,
apresentar a “dança do acasalamento” – caras, bocas, posturas, vozes etc.).
Insegurança
Segundo Stendhal, a insegurança é o catalisador do amor: uma
certa dose de insegurança contribuiria para o nascimento deste sentimento.
Quando algo é importante para nós, mas não estamos seguros da sua posse,
tendemos a valorizá-lo mais e mantê-lo por mais tempo na nossa consciência (“Não
consigo parar
de pensar
nela.”) do que quando há segurança desta posse. A
insegurança também faz com que comemoremos mais intensamente cada sinal de que
estamos conquistando tal pessoa. Coerente com este princípio, uma técnica de
conquista popular aconselha o “tratamento quente-frio”
para conquistar alguém. Segundo esta técnica, é bom alternar as horas de “dar
bola” com as horas de mostrar indiferença com a
finalidade de não gerar segurança excessiva no parceiro. Este princípio também é
aplicado por aquelas pessoas que ficam “subindo pelas
paredes” após ter saído com alguém interessante, porque não querem tomar
a iniciativa de telefonar para não parecerem interessadas demais.
Condições particulares que provocam
o apaixonamento
Existem três
fatores que influenciam em graus diversos a conquista de diferentes pessoas:
(1) a sedução romântica e sexual;
(2) o cativar através da cumplicidade, compreensão, aceitação e afetividade;
(3) as vantagens e desvantagens em se associar com um determinado parceiro.
Embora todos
sejamos sensíveis a estes três fatores, os seus pesos relativos podem variar
bastante entre as pessoas. Algumas são conquistadas, principalmente, através do
fascínio, beleza, olhares, magia (são as românticas). Outras, pela via da
amizade, cumplicidade e entrosamento (são as afetivas e que desenvolvem o amor
companheiro) e outras, ainda, pelo cálculo das vantagens e desvantagens de se
associar amorosamente com um determinado parceiro (são as que possuem um amor
pragmático).
Seja a conquista
arte ou ciência, a sua prática é um dos momentos mais deliciosos de um
relacionamento amoroso. Vale a pena praticá-la.
Ailton Amélio da Silva é doutor em
Psicologia, psicólogo, psicoterapeuta e professor da USP, em São Paulo (SP). É
autor de vários estudos científicos sobre relacionamentos amorosos e dos
livros "O Mapa do Amor", "Para Viver um Grande Amor" e o mais recente
"Relacionamento Amoroso: Como Encontrar Sua Metade Ideal e Cuidar Dela".
Fonte: Provedor
BOL, por Dr. Ailton Amélio da Silva
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, dia 14 de abril de
2010 (12.370)