Ânimo para iniciar
relacionamentos
No nosso país, existe uma
percentagem crescente de pessoas que estão vivendo sozinhas. Muitos destes
solitários poderiam ser parceiros mútuos. No entanto, estes solitários não
agem de forma eficaz para sair de seus isolamentos e ficam sofrendo cada um no
seu canto. Agir implica em exposição, o que, segundo eles, poderia gerar mais
sofrimentos: a humilhação de admitir a própria carência e o risco de ser
rejeitado por não ter atrativos suficientes ou por ser inábil para conquistar
e manter o parceiro.
Aqueles que não têm tanto medo de
agir têm muito mais chance de se envolverem em relacionamentos amorosos. Basta
tentar aqui e ali que logo desentocam um bom parceiro amoroso, mesmo que seja
alguém que estava escondidinho atrás dos seus medos.
Determinantes do sucesso para iniciar namoros
Estes são os quatros principais determinantes do sucesso de qualquer
empreendimento, inclusive do sucesso para iniciar e desenvolver relacionamentos
amorosos. Vamos examiná-los agora.
Ânimo para agir
O
ânimo para agir e o otimismo sobre as chances de desenvolver este tipo de
relacionamento talvez sejam os fatores que mais contribuem para o sucesso em
iniciar relacionamentos amorosos. As pessoas que têm animo para cuidar da
aparência, para freqüentar locais onde existem mais oportunidades de encontrar
possíveis parceiros, para paquerar e para atrair possíveis parceiros levam uma
grande vantagem até mesmo sobre aquelas pessoas que possuem atributos pessoais
mais valorizados, mas que dispõem de menos ânimo para estas atividades.
Uma companheira freqüente do desânimo é o fatalismo, que é expresso por frases
do tipo “O que tiver que ser será”, “Se
tiver que encontrar um amor ele aparecerá na minha frente. Não adianta fazer
nada”, “Conheço uma pessoa que lutou e não
conseguiu nada e outra que não faz nada e conseguiu tudo”. Este tipo de
crença é a base teórica que dá sustentação à inércia.
O sofrimento é mais motivador do que a
resignação.
Aqueles que, após um certo tempo sem relacionamento amoroso,
apresentam uma dose moderada de sofrimento, de carência e de sentimentos de
solidão têm mais motivação para agir e resolver este problema do que aqueles que
estão desanimados, descrentes e conformados. O sofrimento neste caso, embora
incômodo, ajuda a motivar a pessoa a sair da situação que se encontra. O
prognóstico é pior para aqueles que já se conformaram com a solidão e aprenderam
a conviver com ela. Por outro lado, o sofrimento muito intenso pode ser
imobilizante: ele toma a pessoa, a intoxica, a imobiliza e, por isso, a impede
de agir de forma eficaz.
Possíveis causas do desânimo
O desânimo geralmente é provocado por um, ou mais que um, dos
cinco seguintes motivos:
(1) Quem tomou conta da criança tinha um estilo de apego evitativo. Vários
estudos mostraram que aquelas crianças que foram cuidadas por pessoas que não
eram protetoras e afetivas tiveram dificuldades posteriores para se envolver em
amizades e, quando adultas, para se envolver em relacionamentos românticos. As
pessoas que foram tratadas assim na infância tinham medo de se entregar ao amor
e se sentiam incomodadas quando os outros tentavam se entregar a elas.
(2) Carência de experiências amorosas bem-sucedidas durante a vida. Algumas
pessoas tiveram poucas experiências amorosas bem-sucedidas durante suas vidas.
Por este motivo, não sentem muita falta deste tipo de relacionamento. Geralmente
precisamos experimentar e gostar de algo para que passemos a sentir a sua falta.
(3) Experiências amorosas malsucedidas no passado. Existem dois tipos de
insucessos amorosos:
* relacionamentos amorosos traumáticos (aqueles que produziram sofrimentos
intensos provocados, por exemplo, por traições e agressões). Pessoas que foram
seriamente feridas em relacionamentos anteriores temem se entregar novamente
porque temem ser feridas mais uma vez.
* Experiências repetidas com relacionamentos amorosos que nunca progrediram
satisfatoriamente. Este tipo de experiência produz aquela sensação de que não
vale a pena tentar porque não vai dar certo mesmo.
(4) Não saber que medidas tomar para aumentar as chances de iniciar
relacionamentos amorosos. Algumas pessoas são desmotivadas simplesmente porque
não conseguem imaginar o que poderiam fazer para aumentar suas chances de
iniciar relacionamentos amorosos.
(5) Ter inibições descabidas para tomar medidas eficazes para iniciar e
desenvolver relacionamentos amorosos. Estas inibições podem ser provocadas por
certas características de personalidade (timidez excessiva, por exemplo) ou pela
incorporação de normas restritivas (por exemplo, pela adoção de normas morais ou
religiosas que censuram vários tipos de ações eficazes para iniciar
relacionamentos amorosos).
Decisão para agir
Quem está decidido a agir geralmente possui um conjunto de condições
psicológicas que favorecem o sucesso do seu empreendimento. Por exemplo, quem
está decidido geralmente crê que é possível atingir os seus objetivos, tem
disposição para agir e tem disposição para começar rapidamente.
Quando uma pessoa procura o meu consultório e mostra ânimo e decisão para agir,
fico muito otimista quanto as suas chances de sucesso. Esta pessoa já está
pronta para definir o que deverá fazer e combinar um cronograma para implementar
estas ações. Daí para frente, em cada sessão de terapia, são examinados os
acontecimentos na área amorosa que ocorreram na semana anterior; e como ela se
sentiu e se portou em cada uma destas ocasiões. É então realizado um trabalho
para reforçar aquilo que ela já está fazendo da forma certa e para corrigir as
suas concepções e ações que estão causando problemas. Depois são examinadas as
situações com as quais ela poderá se deparar na semana seguinte e trabalhados os
seus recursos cognitivos, emocionais e comportamentais para aumentar a eficácia
de suas ações nestas ocasiões.
Definição das ações
Quando uma pessoa consegue ver claramente o que deve fazer para resolver seu
problema, já é meio caminho andado para a sua solução. Aquilo que ela pretende
fazer geralmente pode ser dividido em pequenas partes, que poderão ser
enfrentadas uma a uma com relativa facilidade.
Cronograma de ações
“Nada é impossível. Aquilo que é difícil pode
ser quebrado em pequenas partes mais fáceis de serem realizadas.”
Uma grande modificação na nossa vida, que só pode ser obtida a médio prazo, pode
ser alcançada por meio de pequenas medidas no dia-a-dia. Por isso é importante
ter objetivos a curto, a médio e a longo prazo. É importante saber quais medidas
concretas deverão ser tomadas a cada dia ou, pelo menos, semanalmente. É
importante se comprometer com alguém a respeito da realização destas tarefas.
Por outro lado, não é bom se comprometer com a realização de muitas tarefas ou
com tarefas muito difíceis de serem realizadas. Como diz um ditado popular: “Devagar
se vai ao longe”. Cumprida a obrigação especificada, o restante do dia
estará livre. O que vier a mais é lucro.
•
Falar com pelo menos duas pessoas que estiverem online e que poderiam ser suas
parceiras amorosas.
• Mandar mensagem para pelo menos três outras pessoas da lista de “Minhas
Metades”.
• Produzir novas fotos, com mais qualidade do que as anteriores, e colocá-las no
seu perfil.
• No seu local de trabalho ou de estudo, cumprimentar mais calorosamente pessoas
que poderiam ser seus parceiros amorosos.
• Telefonar ou mandar e-mails para três conhecidos que você não vê há algum
tempo. A finalidade desta medida é investir na ampliação do seu círculo de
amizades. Isto é importante, porque as amizades são imprescindíveis para o
equilíbrio psicológico e também é uma das fontes mais importantes de
oportunidades para conhecer possíveis parceiros.
Reveja as suas crenças pessimistas. As coisas
podem ser mais fáceis do que você imagina.
Ailton Amélio da Silva é doutor em
Psicologia, psicólogo, psicoterapeuta e
professor da USP, em São Paulo (SP). É
autor de vários estudos científicos sobre
relacionamentos amorosos e dos livros "O
Mapa do Amor", "Para Viver um Grande Amor"
e o mais recente "Relacionamento Amoroso:
Como Encontrar Sua Metade Ideal e Cuidar
Dela".
Fonte: Provedor
UOL, por Ailton Amélio da Silva
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, dia 19 de maio de
2010 (12.876)