Espírita

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Aula 8  -  Finalidade das Encarnações

 

Perispírito

 

Há nos homens três constituintes fundamentais a serem considerados: o corpo ou ser material, semelhante ao dos animais; a alma ou ser imaterial (Espírito encarnado) e o Perispírito, laço que une a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito (LE, perg.93).

A uma pergunta de Kardec, os Espíritos respondem: “O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiserem”.

 

“Perispírito, envoltório fluídico, semimaterial, que serve de elo de ligação entre alma e o corpo, é o intermediário de todas as sensações que o Espírito recebe e pelo qual transmite sua vontade ao exterior e atua sobre os órgãos do corpo”(LM, item 54). A alma nunca fica desligada do seu perispírito, mesmo após sua desencarnação. “Qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, cuja  natureza se eteriza à medida  que ele se depura e se eleva na hierarquia espiritual. De sorte que a idéia de forma é inseparável da de Espírito e não se concebe uma sem a outra. O perispírito faz do homem, portanto, parte integrante do Espírito, como o corpo o faz do homem” (LM, item 55).

 

O corpo físico é uma exteriorização aproximada do corpo espiritual, já que ele deve compatibilizar-se e subordinar-se aos imperativos da hereditariedade e da matéria grosseira.

A “morte” é a destruição do corpo físico, o invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva, porém, o perispírito, embora etéreo e invisível ao homem no seu estado de encarnado.

 

 Origem e Natureza do Perispírito

 

“De onde tira o Espírito o seu envoltório semimaterial?-Do fluido universal de cada globlo. É por isso que ele não é o mesmo em todos mundos; passando de um mundo para outro , o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa”(LE, perg 94). O Espírito utiliza-o de acordo com, suas necessidades evolutivas, com o fim de formar seu corpo de manifestação e de atuação sobre a matéria.

Quanto à sua natureza é composto por uma matéria mais ou menos sutil, intangível, em virtude do seu estado fluídico; sua condensação será maior ou menor segundo a natureza peculiar a cada mundo, e segundo o grau do Espírito.

Um Espírito chamado a viver em determinado meio, dele extrai seu perispírito. Conforme seja esse Espírito mais ou menos evoluído, seu perispírito se formará respectivamente das partes mais puras ou mais grosseiras do fluido do próprio mundo no qual se encarna. Daí resultam  três considerações importantes:

- A constituição íntima do períspírito não é idêntica em todos os Espíritos;

- O perispírito modifica-se a medida que o Espírito progride no Transcorrer de suas encarnações;

- Os Espíritos superiores, encarnando-se em missão em um mundo inferior à sua condição, têm naturalmente um perispírito menos grosseiro que os demais.

 

Propriedades do Perispírito

Quanto à Forma

Expansibilidade e Flexibilidade

Pela sua natureza fluídica, semimaterial, o perispírito possui estas características, pois ele não se encontra preso ao corpo como se estivesse em uma caixa. Submete-se à vontade do Espírito, e é assim que ele se apresenta em sonhos ou no estado de vigília, podendo inclusive tornar-se visível e até mesmo palpável. Por ser de extrema plasticidade, irradia-se para o exterior e forma em torno do corpo material uma atmosfera, que o pensamento e a força de vontade podem dilatar ou contrair.

 

Assimilação

O perispírito tem a propriedade de assimilar os fluidos do ambiente. Se as emanações fluídicas são de boa natureza, o corpo recebe impressões: se são más, a impressão é penosa.

Quanto à Densidade

Nos Espíritos mais evoluídos, sua natureza é menos densa, enquanto que nos Espíritos mais inferiores o perispírito é mais grosseiro.

 

Penetrabilidade

É a faculdade que o Espírito tem, através do perispírito, de entrar em qualquer ambiente. O mundo material não lhe apresenta obstáculos de qualquer espécie.

 

Funções

 

Modelo Organizador Biológico

O perispírito é o molde ou arcabouço do corpo físico, através do qual o Espírito, enquanto agente modelador, irá comandar fluidicamente as células que se condensam no corpo carnal. Para ser mais exato, é preciso dizer que é o próprio Espírito que modela o organismo à medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades; numa palavra, talha-o de acordo com a sua inteligência ( A Gênese, cap XI,item 11).

 

Adaptação às Circunstâncias Ambientais

Sendo intermediário entre o Espírito e o corpo físico, o perispírito permite ao Espírito o acesso, a adaptação às circunstâncias ambientais, recebendo sensações do Espírito, e ao mesmo tempo transmitindo sua vontade sobre os órgãos do corpo físico. Efetivamente, é o perispírito que torna o Espírito sensível ao mundo natural, agindo e reagindo ao ambiente. Ao mesmo tempo, tudo o que o Espírito percebe e vivencia, o perispírito registra em si mesmo, como um arquivo que mantém todas as vivências do passado.

 

Registro das Vivências

Tudo o que o Espírito percebe e vivência no ambiente natural, o perispírito registra em si mesmo, como uma memória orgânica que guarda toda atividade reflexa e automática Portanto, sob o aspecto biológico, o perispírito é o arquivo das alterações físicas; sob  o aspecto moral, ele é apenas a exteriorização dos pensamentos do Espírito, revelando assim seu grau de evolução espiritual.

 

Causas Anteriores das Aflições

E passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os discípulos lhe perguntaram:  -Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? (João 9:1-2).

Deduz-se pela pergunta dos apóstolos, que eles admitiam existir uma causa anterior para aquele homem na vida presente e outras em vidas pregressas.

Face à Justiça Divina, a tese de  que o Espírito somente encarna uma vez enfrenta dificuldades intransponíveis para explicar anomalias, quais sejam a perda de entes queridos, a desencarnação precoce de chefes de família, reveses da fortuna, flagelos naturais, enfermidades incuráveis, doenças de nascença, idiotia, deformações físicas e outras modalidades de sofrimento inclusive de ordem moral, frustrando todas as medidas preventivas quer pela prudência, quer pela precaução.

Não são poucos os que clamam aos céus ao verem criaturas de má índole prósperas, favorecidas em todos os sentidos, convivendo lado a lado com os que vivem retamente perante Deus, açoitados por dores e padecimentos de todos os matizes. À luz da teoria da reencarnação, porém, tudo será facilmente explicado; e com lógica,pois “a cada um será dado segundo suas obras”(Tiago 2:4-18 e 2:24-26; I Pedro 1-17; Apocalipse 20:12-13). Não existindo efeitos sem causa, e não se encontrando explicações para as aflições na vida atual, é lógico que se deve remontar às vidas passadas, onde elas tiveram as suas raízes Essa conclusão está conforme a justiça de Deus.

A desencarnação de crianças em tenra idade muitas vezes após longo sofrimento, suscita questionamentos tais como o de não ter tido tempo de fazer mal nenhum. Nesse caso, o que teriam feito essas almas para serem acometidas de tantos males? Embora seja verdade, porém é preciso ponderar que se não fizeram o mal, tampouco fizeram o bem; e sabe-se lá o que fizeram em vidas passadas.

As provas e expiações são decisivas para a elevação dos Espíritos e além de guardar íntima relação com condutas em vidas passadas,levam-nos a compulsoriamente se reencontrarem a si próprios. Aos sofrimentos por causas anteriores, juntam-se, muito frequentemente, os que são conseqüências das faltas atuais, de modo que tanto as faltas cometidas em vidas pretéritas, como  as que são praticadas na vida presente, sempre requerem reajustes, pois estão de conformidade com a sentença evangélica: “Quem com a espada fere, com a espada será ferido”  ( Mt 26:52), equivalente à Lei de Ação e Reação. Assim, o homem que foi perverso e desumano em vidas passadas, poderá vir a ser tratado com dureza e desumanidade na vida presente; o que foi avarento e perdulário e que fez mau uso da fortuna, poderá renascer em condições de sofrer a falta do necessário;se foi um filho  rebelde e ingrato, poderá vira a sofrer idêntico tratamento por parte de seus filhos; se foi um criminoso obstinado, poderá enfrentar duras conseqüências na vida presente.

Assim se explicam, pela pluralidade das existências e pela destinação da Terra como mundo expiatório, as anomalias que apresenta, a repartição da felicidade e da infelicidade entre os bons e os maus neste mundo (ESE-Cap.V, item 7).

Aqui, deve-se esclarecer que nem sempre o mal é reajustado ou parcialmente resgatado numa só vida Algumas vezes o processo de resgate se verifica de duas ou mais existências.

A pluralidade das existências elucida uma questão que tem levantado muitas indagações: por que uns são felizes e outros infelizes? Neste particular também é conveniente fazer evidenciar que, os que hoje são infelizes, estão num processo de reajustamento de faltas passadas, e, muitos daqueles que hoje desfrutam de felicidade e de prosperidade momentâneas, continuarão com suas dívidas, vindo a pagá-las numa vida subseqüente; o importante é conhecer que a Justiça Divina nunca falha.

Espíritos recalcitrantes e rebeldes perdem o direito ao livre-arbítrio de escolherem as tribulações por que devam passar; porém, os Espíritos que se mostram aptos a caminhar no roteiro do bem e estando arrependidos das faltas cometidas, podem escolher o gênero de provas que os levem ao triunfo do regate bem sucedido.

Seria ilógico acreditar que todo sofrimento tem por origem uma falta. Em numerosos casos, trata-se de provas escolhidas pelo Espírito, com o fito de acelerar o seu ciclo evolutivo e poder atingir mais rapidamente a perfeição Desta maneira, chega-se à seguinte assertiva: a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é expiação. De qualquer maneira, tanto a prova como a expiação são fatores que indicam uma inferioridade relativa, pois o Espírito que tenha atingido a perfeição jamais precisa ser provado.

Deste modo, deve-se considerar que as provas e expiações sofridas pelos Espíritos são decisivos para a sua elevação e guardam íntima relação com os que eles fizeram em vidas passadas e o que devem fazer para melhor se reencontrarem a si próprios.

 

Perguntas

 

1. Como definir perispírito?

2. Qual a origem e as propriedades do perispírito?

3. Qual a relação que existe entre o perispírito e as causas das nossas aflições?

4. “Quem com a espada fere, com a espada será ferido”. Interprete.

5. As nossas expiações podem ser amenizadas

 

 

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postado por Izabel Cristina da Fonseca, 22 julho de 2009

Retirado do Site:  Grupo Espírita Cristão de Conceição de Jacareí

 

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