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O que é Mediunidade? Entenda como funciona a
mediunidade
Pressentimentos
e sonhos "estranhos"
todo mundo tem. O que os especialistas
discutem é em que medida essas manifestações
podem ser chamadas de mediúnicas
Você chega a
um lugar desconhecido, conversa com pessoas
que nunca viu, mas tem a nítida sensação de
já ter vivido um tempo atrás essa mesmíssima
situação. Ou então, minutos antes de a
campainha tocar, sabe com certeza absoluta
que alguém não esperado chegará à sua porta.
Truques da mente ou mensagens do além?
Muita gente
acredita que a mediunidade é um fenômeno que
ocorre apenas com alguns poucos eleitos e que
o médium é sempre e exclusivamente quem
manifesta dons de certo modo espetaculares ou
assombrosos. Outros nem sequer admitem a
existência de coisas além daquelas que os
nossos sentidos e pensamento racional podem
perceber. Porém, céticos radicais à parte,
quase todos nós já passamos por experiências
que podem ser chamadas de mediúnicas.
Todo mundo tem a
capacidade de sintonizar freqüências não
captadas pelos cinco sentidos. Essas
freqüências são uma forma de eletricidade
sutil. Como nosso corpo é composto de 70% de
água, ótimo condutor de eletricidade, uma hora
ou outra entramos em contato com essas
energias e isso nada mais é que a mediunidade,
mesmo que em levíssima potência, diz Waldemar
Falcão, autor de
ENCONTROS COM MÉDIUNS NOTÁVEIS. Falcão,
que além de escritor é músico e astrólogo,
acha que em tese somos todos médiuns, de
maneira explícita ou latente, em maior ou
menor grau (este último caso mais sutil ele
chama de mediunidade "feijão-com-arroz",
categoria na qual se inclui).
A médium Maria
Sílvia Eustáquio entende que a possibilidade
de entrar em contato com outra dimensão da
realidade é inata ao ser humano, e nesse
sentido podemos dizer, sim, que somos todos
sensitivos. Mas, na prática, o termo é usado
para designar aquelas pessoas que têm uma
percepção muito mais acentuada. "A
proposta delas é realmente intermediar o
contato e a comunicação entre o nosso mundo
terreno e o espiritual. Para a maioria, a
função da mediunidade é facilitar o
crescimento e a busca do equilíbrio",
explica. Esse tipo de médium que se destaca
dos comuns dos mortais existe desde que o
mundo é mundo. São aqueles que entram em um
estado alterado de consciência, no qual se
comunicam com seres que morreram ou da
natureza. "Os xamãs
faziam isso, os sacerdotes da religião do
antigo Egito ou as pitonisas dos oráculos
gregos também", explica o psiquiatra
Frederico Camelo Leão, diretor clínico da Casa
André Luiz e membro do Núcleo de Estudos dos
Problemas Espirituais e Religiosos do
Instituto de Psiquiatria da USP.
Entre as
religiões mediúnicas mais conhecidas estão o
espiritismo, o
candomblé e a
umbanda. As mais
antigas são o hinduísmo e o taoísmo, segundo
Ronie Lima, autor de
MÉDIUNS DO ESPAÇO. Ele também considera
os milagres realizados por santos católicos ou
as premonições dos profetas do Antigo
Testamento como manifestações de mediunidade,
embora não sejam reconhecidas como tais pelo
judaísmo, cristianismo e islamismo. No
Ocidente, a não-aceitação religiosa dos
médiuns foi reforçada pelo meio cultural. O
iluminismo (movimento intelectual dos séculos
17 e 18, caracterizado pela hiper valorização
da razão) rejeitou todo tipo de fenômeno que
escapasse às explicações racionais. Nessa
época, as manifestações mediúnicas começaram a
ser tratadas como patologias psíquicas. Por
isso, até hoje muitas pessoas que têm o dom
acentuado e inato sofrem e sentem-se
extremamente confusas, achando que estão
ficando loucas. Outras simplesmente ignoram e
passam batido por experiências mais
espirituais.
Mas o
psiquiatra Frederico Leão acredita que a
situação atual é outra. Universidades como
Standford, Harvard e Duke, nos Estados
Unidos, ou a USP, no Brasil, estão
produzindo trabalhos científicos que apontam
para duas evidências:
a de que a mediunidade se destaca das
patologias e a de que pode ser usada
efetivamente para obter cura e alívio de
sofrimento,
conta o psiquiatra.
Os médicos têm
instrumentos para diagnosticar manifestações
psíquicas e diferenciá-las de outros eventos,
como a mediunidade. Mas, para nós, leigos, não
é tão fácil saber se coisas estranhas que
vivenciamos são manifestações do médium
latente em todos nós ou de desequilíbrio
mental. Em uma análise simplista, podemos
dizer que alguns fatores, como uma vida
desestruturada, sinalizam mais um problema
psíquico e menos uma eventual sensitividade -
afinal, os médiuns têm capacidade de organizar
o seu dia-a-dia, diferentemente de alguém que
está sofrendo alucinações. Mas nada é tão
simples assim. Hoje em dia, poucas pessoas têm
uma vida realmente estruturada e, como uma
sensibilidade maior em certa medida
desorganiza o cotidiano, fica mais complicado
diferenciar quais são os limites da
psiquiatria e da espiritualidade, diz
Frederico Leão. A isso soma-se a dificuldade
para lidar com o preconceito, ainda comum, e
com os obstáculos internos. "Ninguém
gosta de passar por experiências sobre as
quais não tem controle, e a maioria teme o
novo, o desconhecido. Por isso, a tendência é
negar o que está acontecendo", explica
o psiquiatra.
A publicitária
Carolina Fernandes, por exemplo, está
aprendendo a lidar com suas premonições, mas,
quando sente que algo vai acontecer, sua
primeira reação é não acreditar na sua
intuição. "Fico achando
que é invenção da minha cabeça", conta.
Às vezes não dá para negar a experiência. "Uma
vez, sonhei com uma colega grávida. Ela
chegava ao escritório, distribuía bombons para
todos e contava que o bebê era uma menina. No
dia seguinte, cheguei ao trabalho e aconteceu
exatamente como no meu sonho, as mesmas
situações, as mesmas palavras", lembra
Carolina. Há alguns anos, ela começou a
freqüentar um centro espírita para estudar e
entender os fenômenos que vivenciava e saber
lidar melhor com eles. Carolina não se
considera uma médium e, hoje, está convencida
de que suas premonições e sonhos são
manifestações naturais, que podem ocorrer com
qualquer um. "Já sei
levar isso numa boa e comento naturalmente com
as pessoas. Claro que não vou falando para
todo mundo, com gente que não acredita nem
vale a pena conversar. Mas também, se eu falar
e a pessoa achar que eu sou louca, não estou
nem aí, não me incomoda", afirma. Sábia
decisão. Afinal, se podemos ser todos médiuns
light, nada melhor do que aproveitar mais essa
possibilidade de nossas vidas com leveza.
Muito além da
realidade
A mediunidade
pode se manifestar sob diferentes formas.
Estas são as mais comuns:
VIDÊNCIA:
A pessoa
vê coisas que não podem ser percebidas pelo
sentido natural da visão no ambiente em que
está, no espaço (em um lugar onde ela não
está fisicamente) ou no tempo (coisas que
aconteceram ou vão acontecer). Pode ser
chamada de clarividência, especialmente
quando as imagens são muito nítidas.
AUDIÇÃO:
A pessoa ouve vozes que não vêm do exterior
ou que os outros não conseguem ouvir.
PSICOGRAFIA:
O médium escreve textos ditados por
espíritos. Pode se manifestar como escrita
mecânica (escrita automática), semi mecânica
(o pensamento acompanha a escrita) ou
intuitiva (o pensamento vem antes do ato de
escrever).
PSICOPICTOGRAFIA:
É a execução de quadros, que ocorre de forma
similar à psicografia.
PSICOFONIA
OU
INCORPORAÇÃO:
O espírito se comunica por intermédio de
quem o recebe. Na maioria das vezes, o
médium está consciente e transmite o
pensamento que recebeu com as próprias
palavras, mas ocorre também de adquirir a
voz e os gestos do espírito.
Fortes Indícios -
Sinais
precursores de experiências mediúnicas
Ter visões e
sonhos cada vez mais perfeitos e claros
Ouvir vozes, internas ou externas
Sentir inchar os pés e as mãos
Perceber ruídos que não são audíveis para os
outros
Sensações de torpor ou vertigem sem causa
aparente
Rigidez muscular
Frio e arrepios repentinos
Falta de ar
Sonhos, intuição,
inspiração -
Até que ponto
esses eventos são de outra dimensão
SONHAR
é uma forma básica de contato com outras
dimensões da realidade - ou seja, de
mediunidade -, segundo alguns estudiosos,
como o escritor Waldemar Falcão. Mas a
questão não é consenso entre os
especialistas. Para o psiquiatra Frederico
Leão, muitos fatores interferem no conteúdo
dos sonhos: vivências físicas (sentir uma
dor muscular ou ouvir um barulho, por
exemplo), problemas do cotidiano mal
elaborados, desejos não realizados. "Há
também alguns sonhos claramente
premonitórios, mas o terreno é muito
movediço para se confiar neles logo de cara",
diz Frederico.
A INTUIÇÃO
é uma percepção da realidade que não passa
pelos processos racionais, como bem formulou
o cientista Albert Einstein: "Penso
99 vezes e não chego a nada. Paro de pensar
e me ocorre uma coisa nova. A isso chamo de
intuição". Do ponto de vista
espiritual, é uma percepção da verdade
universal acessada, vez ou outra, por todo
mundo. De acordo com o espiritismo, é uma
forma mediúnica que podemos utilizar em
qualquer circunstância. "Todos
nós somos capazes de desenvolvê-la, em
alguma medida, e uma maneira de fazer isso é
cultivar o autoconhecimento", diz a
médium Maria Sílvia Eustáquio.
A INSPIRAÇÃO,
conforme os especialistas, é um dom muito
próximo da vivência mediúnica. Quando os
poetas gregos invocavam as musas, estavam
pedindo ajuda aos espíritos da poesia,
música etc. para comunicar, neste mundo,
verdades transcendentais. E o médium é
justamente esse canal de comunicação entre
diferentes planos da realidade.
Fonte:
Revista Cláudia,
por Iara Biderman
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, 5 abril de 2010 (12.155)
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