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“O
Credo do Povo Cigano”
Os ciganos não possuem
pajés ou curandeiros, ou ainda um feiticeiro
em particular, pois cada cigano e cigana tem
seus talentos para a magia, possui dons
místicos, sendo portanto um feiticeiro em si
mesmo. Todo povo cigano se considera portador
de virtudes doadas por Deus como patrimônio de
berço, cabendo à cada um desenvolver e
aprimorar seus dons divinos da melhor e mais
adequada maneira.
Existem autores que
citam que cada grupo cigano tem seu feiticeiro
particular denominado kakú, porém isso pode
variar de clã para clã, para alguns essa
palavra significa apenas tio.
O ciganos não são
politeístas. Adoram e veneram um só Deus, mas
tais como vários povos viveram e vivem em
estreito contato com a natureza, vêem as
naturais manifestações desta como divindades.
Assimilam dos astros do céu, abençoam e pedem
bençãos à chuva, as águas dos rios,
cachoeiras, às árvores das matas, respeitando
os trovões, a força devastadora dos raios e o
fogo, que aquece, protege e purifica. Admiram
os pássaros, as flores, os animais, toda a
forma de vida que brota da natureza, pois
entendem que todas são maneiras de Deus se
revelar aos homens, sendo tratados portanto
com carinho e respeito. Eles compreendem que o
ar é energia vital, o elemento vivificante da
vida e oram para que as ventanias, tufões e
vendavais não destruam seus acampamentos e
seus lares (tendas).
O povo Cigano é místico
por essência e trazem latente na alma a
religiosidade e o amor pelas divindades e,
dentro de seu mundo espiritual, mantém seu
equilíbrio e harmonia cultuando a grande Kali.
Santa Sara Kali é tida como a santa do povo
cigano. Hoje mais do que nunca, devido a
cultura dos ciganos entrar em quase todos os
países, os não ciganos passaram a conhecer e
venerar o culto a Santa Sara.
Santa Sara Kali, esta
presente em toda tenda cigana, com sua
tradicional veste azul-céu e o rosto negro. A
lenda nos conta que os inimigos do Nazareno ,
que naquela época não eram poucos, condenaram
por diversas artimanhas as três Marias. Maria
Madelena, Maria Jacobé (mãe do Tiago menor) e
Maria Salomé (mãe de São João). Elas deveriam
ser jogadas ao mar, numa barca sem remos ou
previsões, acompanhadas tão somente de uma das
escravas de José de Arimatéia, Sara a Kali (
Kali em romanês, quer dizer negra).
Esse barco teria
miraculosamente apostado numa praia próxima a
foz do RIO PETIT-RHÔNE, onde hoje se encontra
a igreja de SAINTES-MAIES-DE-LA-MER ( Santa
Marias Vindas do Mar), um lugar de
peregrinação e de culto para Santa Sara Kali,
que foi quem converteu os ciganos para o
Cristianismo.
Das Marias, a história
não guarda vestígios ou mesmo seus destinos,
mas quanto a Sara, dizem que ela foi cuidada
pelo povo cigano e o ajudou a tornar-se unido
e a desenvolver-se como povo e como cultura.
Fonte:
Instituto ManiMahá
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, 14 abril de 2010
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