Esoterismo

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A Benção da Unidade

Oneness, o Movimento da Unidade, começou na índia, espalhou-se por mais de 40 países e chegou ao Brasil, onde já existem mais de 250 iniciados aptos a dará diksha-bênção que promete a expansão da consciência e da capacidade de amar. DÉBORAH  DE  PAULA SOUZA.

Calma, alegria e gratidão. Foi o que senti quando tomei minha primeira diksha — a bênção da unidade - num elegante apartamento em São Paulo. Na segunda vez, ela foi precedida de uma hora de meditação. Fui invadida por uma música linda e não percebi o tempo passar. Quando as mãos da doadora tocaram minha cabeça, as lágrimas saíram como se o corpo chorasse sem a minha participação. Lavada e quieta, a gratidão e a alegria aumentaram. É sempre assim? Não, os relatos dos que foram abençoados variam e, horas ou dias depois da bênção, ainda podem ocorrer insights. Os benefícios mais comuns: aumento do bem-estar e da atenção; diminuição de hábitos nocivos: mais amorosidade e equilíbrio nas relações. E, se for tomada à noite, um sono dos deuses. O Movimento da Unidade Oneness começou nos anos 1980 numa pequena escola do sul da índia, onde um casal de diretores incluiu metafísica, oração e meditação no currículo. Nesse ambiente espiritualizado, o filho do casal e seus colegas de colégio passaram a relatar a presença de um ser dourado, que aparecia para eles e os ensinava. O diretor, então, autorizou o filho a repassar a outras pessoas esses ensinamentos. Para isso, o menino usou a diksha (do sânscrito deeksha, que significa transmitir conhecimento espiritual ou energia pura). A bênção, com a imposição das mãos na cabeça, visa ativar algumas áreas cerebrais e favorecer a recepção dessa energia. Os donos da escola, Amma e Baghavan, revelaram então que eram "avatares", pessoas cuja missão é estreitar a relação dos humanos com o divino. Como diz Bhagavan, não importa que o nome dado a ele seja Deus. Consciência, Natureza, Amor. O nome é apenas a expressão de um repertório cultural, mas a bênção é para todos. Grátis e fácil de aplicar, ela se espalhou por mais de 40 países. Os doadores devem passar por processos de iniciação na Oneness University (matriz na índia e filial na Europa), com cursos e vivências que promovem a cura emocional e ensinam sobre a natureza da mente e do sofrimento. Assim, os doadores limpam os próprios canais, tornando-se condutores dessa força purificante e amorosa. O Movimento da Unidade expandiu-se além das fronteiras do mundo alternativo, atingindo gente de todas as profissões e camadas sociais. No Brasil, existem 255 doadores, e o número não para de crescer. Nos livros e vídeos que contam a história do movimento (ainda não disponíveis em português), é tocante conhecer o resultado do Projeto das 100 Vilas, implantado nas cidades próximas ao Templo da Unidade, em Andhra Pradesh, na índia. Seus habitantes relatam cura de doenças e queda da violência. Nos Estados Unidos, James Beard. diretor de um programa de reabilitação nas penitenciárias de Los Angeles, que tem sob sua responsabilidade 96 homens condenados por violência doméstica, diz que brigas e ofensas diminuem assim que recebem a Diksha. Vários detentos têm sonhos significativos e aprofundam a percepção do seu papel masculino na família e na sociedade.

As melhorias tendem a se multiplicar em larga escala, mas começam pela bênção individual. Leia os depoimentos de três doadores e a entrevista com Ananda-giri, braço direito de Baghavan, ele era, na infância, um estudante da escola matriz, foi o primeiro a receber a Diksha e hoje é um l dos seus principais divulgadores. * colaborou Andrezza Duarte.


A Luz é para todos

Anandagiri é professor da Oneness University (Universidade da Unidade) e um dos principais discípulos do casal Amma e Bhagavan, fundadores da Oneness. Aqui, ele comenta os efeitos da expansão da percepção.

A bênção quer iluminar as pessoas comuns. Como ela nos afeta no dia a dia? A iluminação é um estado de consciência que permite ver a realidade sem a interferência da mente. Nas relações, manifesta-se pela ausência de julgamento, maior aceitação e amor pelo outro. No trabalho, propicia foco, sucesso e mais habilidade para enxergar o bem comum. No nível individual, representa a paz, o fim dos conflitos internos, o que resulta na possibilidade de viver a vida ao máximo.

 

É possível iluminar-se sem abrir mão de prazeres mundanos? Para os fundadores do Oneness, a espiritualidade não depende do estilo de vida. Não sugerimos mudanças radicais, todos são livres para viver como quiserem. O que queremos é ajudar as pessoas a aproveitar a vida que escolheram. O que quer que cada um faça, que seja com o coração. Assim, se sentirá conectado com tudo e não sofrerá.

 

Qual o papel das mulheres nas mudanças coletivas? Elas têm um grande potencial espiritual, dão à luz e ajudam a moldar o caráter das crianças. Sua tarefa é educar cidadãos mais responsáveis e amáveis. No entanto, as tendências destrutivas, como depressão e medo, podem dificultar essa tarefa. Acreditamos que seja possível libertar-se dessas cargas emocionais e vivenciar o amor e a alegria, isso terá efeito curador nelas, em suas famílias, na sociedade. Minha mensagem às mulheres é que busquem a liberdade interior.


Efeitos práticos

 

Saúde - Como médica, acredito que a Diksha pode ajudar as pessoas a libertarem-se de vícios e outros hábitos nocivos. Por isso, desde 2007 passei a utilizá-la como tratamento espiritual voluntário no projeto antitabagista em Furnas Centrais S.A., baseando-me na minha percepção dos mecanismos envolvidos nas compulsões. O cérebro está condicionado a repetir as experiências de prazer, quer venham de uma droga lícita, ilícita ou de outras vivências. Na minha opinião, a bênção de­sencadeia um processo de reconexão, "limpando" a necessidade neurobiológica de fazer deslocamentos emocionais em direção às drogas, sejam elas quais forem, na busca pela felicidade. Aproximadamente 60 pessoas aderiram ao tratamento holístico que inclui a Diksha. Ao término de quatro meses de acompanhamento, 90% dos participantes tinham parado de fumar. Os estudos são iniciais e precisam ser aprofundados, mas penso que a Diksha também poderá beneficiar quem deseja eliminar outros vícios, minimizando as conseqüências desastrosas do uso de drogas em todos os níveis. Vera Brinkerhoff, médica do trabalho, PNEUMOLOGISTA E TERAPEUTA, 50 ANOS, DOADORA DA BÊNÇÃO HÁ TRÊS ANOS. COORDENA O PROJETO A VIDA SEM FUMAÇA EM FURNAS CENTRAIS S.A., NO RIO DE JANEIRO.

 

Relacionamentos - Já havia passado por terapia e meditação quando recebi a primeira diksha. Senti uma paz enorme. Durante minha iniciação no movimento, percebi que grande parte da minha ansiedade e das frustrações na área de relacionamentos era criada pela mente. Isso disparou transformações intensas. Por exemplo, me recusava a ver as mágoas que surgiram desde que meu marido começou a viajar a trabalho. Eu me sentia sozinha para cuidar das crianças. Minha atitude negativa em relação a ele era evidente, mas eu não reconhecia. Para não sofrer, fugia de mim mesma e me ocupava o tempo todo. No papel de vítima, tudo pesava em minhas costas. Consegui notar o mal que estava causando pelo modo como ele me tratava. O mundo externo é um espelho: a diksha permitiu que eu encarasse esse espelho. Mudei radicalmente e nossa casa se encheu de harmonia. Logo depois, ele soube que não precisaria mais atuar fora do país e, dessa vez, eu não me perguntei até quando duraria essa fase boa. Aprendi que a noção de passado e futuro também é construída na mente. Aceito o presente e tudo flui melhor, não preciso mais lutar contra nada. Lorilassen, 42 anos, empresária americana, QUE VIVE NA ALEMANHA HÁ 11 ANOS. TORNOU-SE DOADORA EM 2008 E AGUARDA PERMISSÃO PARA DAR A BÊNÇÃO PARA ADOLESCENTES NAS ESCOLAS DE BERLIM.

 

Ecologia - A percepção da unidade altera nossas perspectivas. Por exemplo: sempre achei importante respeitar os outros. A diferença é que hoje não me vejo separado deles nem de nada. Não é que eu respeite a floresta... Sinto que sou a floresta. A chave que a diksha nos oferece é vital nestes tempos em que nosso planeta está ameaçado: só quando deixamos de nos sentir separados da natureza é que paramos de destruí-la. A ecologia e o aproveitamento das forças naturais acontecem também dentro de nós: a bênção eliminou os pensamentos dispersos e desnecessários que sugavam minha energia. Credito a ela o fato de ter abandonado o cigarro e de ter conseguido diminuir meu ritmo de 12 horas diárias de trabalho sem deixar de honrar minhas responsabilidades. Saí do Lago Sul de Brasília para um povoado, hoje moro à beira de um rio. Coma bênção, chegamos mais rapidamente à meditação, e ela se aprofunda. Meu coração se abriu, fiquei mais amoroso. Não penso mais em termos de como as coisas devem ou não devem ser: Aceito-as como são. GERALDINHO VIEIRA BHASCAR, 51 ANOS, DE BRASÍLIA. CONSULTOR DE COMUNICAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS E DOADOR DA BÊNÇÃO DESDE 2006.

 

Fonte: Revista Cláudia, por DÉBORAH  DE  PAULA SOUZA. Edição: Novembro 2009

Postado por Izabel Cristina da Fonseca, 26 maio de 2011 (16.634)

 

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