Pelo Olhar de uma Baiana

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Meu Maior Desafio é Permanecer Alegre

Passei por dias chorando de soluçar. E de certa forma me sinto aliviada de ter conseguido externar aquele sentimento de perda e solidariedade.

Porque acho nobre chorar pela dor de quem eu amo.

Acho grandioso amar um ser humano, no meu caso minha grande amiga, irmã, Helen, a ponto de chorar só em vê-la sangrando.

Que Deus conserve esse meu lado humanitário e sensível.

 

Sabe, fico triste quando constato que as pessoas não sentem a dor alheia como se fosse sua.

Fico impressionada como pode existir curiosidade em um momento de tanta dor.

Fico a me perguntar o que leva ao ser humano ser assim...  querendo saber detalhes de um episódio que desmoronou toda uma família.

Sabe... em momentos como esse eu não tenho palavras. Eu não consigo pensar em nada que não seja nos que ficaram despedaçados.

Não sou evangélica, não li a Bíblia, pouco entendo dos ensinamentos de Jesus, mas minha bondade esta dentro do meu coração, e não escrita nas páginas do livro sagrado.

Sei que um dos ensinamentos de Jesus é amar ao próximo como a si mesmo.

E eu acho isso lindo e profundo.

Meu amar é tão grandioso que me faz rogar misericórdia ao criador.

 

Eu gemo de dor, e quando sinto que estou desesperada nada me resta a não ser implorar conforto a Deus.

 

Talvez isso se deva pelo fato de fazer parte da classe de mulheres-reais. Mulheres fortes, que não se sentem atraída pelos detalhes da vida alheia, por nunca ter tido tempo para desvendar os mistérios dos outros, ou muito menos para julgar atitudes.

Toda mulher que se preocupa com a vida dos outros precisam de um homem para se defender e se fazem de vítimas para serem acalentadas.

 

Mais minha classe de mulher de verdade, que trabalhamos, criamos, lemos, estudamos, somos inteligentes, sabemos conversar, nos preocupamos até com o meio-ambiente. Somos acima de tudo mãe leoa, companheiras, sorrimos alto, gesticulamos, dirigimos, vamos ao mercado. Gostamos e sabemos nos expressar, pois temos argumentos e defendemos nossa verdade.

Nós mulheres reais, sem lipoaspiração, redução de estomago, silicones, músculos, dietas...

Nós essência feminina que existimos de verdade.

 

Nós mulheres reais, que somos feitas de carne, osso, sangue e vida. Que não temos a bunda da mulher-melancia nem os peitos da mulher-filé, e nunca pousaremos em revista masculina. Mas em compensação, somos capazes de fazer um homem feliz, de fazê-lo se sentir acompanhado, de fazê-lo rir das nossas sandices, e principalmente de confortá-lo ao sentir que ao seu lado existe uma força, a força que o erguera quando ele pensar em cair. E tudo isso sendo uma mulher comum.

 

Nós mulheres reais, que no meio de uma tragédia nos curvamos ao Deus criador.

E quando nos olhamos no espelho descobrimos que não somos nada. Nós nada somos.

Pois no meio de toda angústia não temos força para se quer sentar na cama.

Toda força que temos para enfrentar a vida e levantar bandeira, nos coloca frágil diante da morte.

Nosso coração de quente e pulsante fica congelado, e nem sentimos bater de tanta tristeza.

 

E logo eu que pensava que sabia tudo sobre a vida!


E por algum tempo cheguei a pensar que minhas tristezas eram as maiores do mundo. Que minha vitória era para ser comemorada por todos, e minha derrota deveria ser motivo geral de tristeza...

Ahhh eu pensava que eu sempre estava certa, e que os outros sempre estavam errados.

E hoje eu vejo que eu não sabia mesmo era de nada!


Com o tempo descobri que minha tristeza é um grão de areia perto das dos outros, e que minha derrota eram só minhas e ninguém sentia por mim. Descobri também que muitos podem ficar felizes com minhas vitórias, mas elas só emocionarão de verdade a mim mesma. E... descobrir ainda que eu não estou sempre certa, aos olhos dos outros, e as pessoas não erram tanto, e que todos os meus erros foram resultados de falta de experiência, e excesso de confiança no ser humano. Todos os meus erros não passaram de tentativas de acertos.


Hoje eu sinto que cresci! Eu tenho mais certeza de muitas coisas.

 

Mesmo estando um bagaço humano, estando triste e desolada. Mesmo querendo voltar a trás ao menos três meses... Mesmo quando penso em tudo que tenho para fazer... sem vontade de nada fazer...

 Apesar de tudo isso, ainda me certifico que minha alegria contagia as pessoas.

 

Nesse momento de dor, é difícil compartilhar minhas angustias e tristezas, porque como "sou" alegre e "estando" angustiada acabo sobrecarregando meus amigos.

Principalmente aqueles que precisam da minha energia!

Meu maior desafio hoje é permanecer alegre.

É levar paz, conforto, mesmo quando minha vontade é de quebrar tudo e sair gritando pela rua afora.

E em um momento desse, por mais que meus problemas sejam maiores ou piores, eles são apenas meus problemas! Por mais que minha tristeza seja maior ou pior, ela é apenas minha tristeza. Por mais que meu coração esteja apertado, ele é apenas o meu coração.

 

Eu preciso de força, porque tem gente que esta precisando que eu o segure, outros que eu o carregue.

E eu estarei firme, seja para tirar alguém do buraco, ou para puxar da areia movediça, ou para acender a luz no final do túnel, ou para sair arrastando os feridos, porque eu Izabel, não vou abandonar ninguém nessa guerra chamada vida.

 

Sairemos feridos, mas todos de mãos dadas. Ninguém ficará para trás.

É meu leitor... tudo poderia ter sido mais fácil para mim se minha Cinderela não tivesse decidido ser independente e se cansado da mesmice do príncipe encantado. Aquele príncipe imbecil que só queria ficar passeando no seu cavalo branco, e me deixando guardada no meu castelo.

Eita cara chato aquele príncipe!

 

Tudo estava aparentemente calmo, até que não suportei ver o mundo pela sacada do castelo. Vi meu povo sofrendo, minhas amigas chorando, as crianças com fome, princesas apanhando dos seus príncipes, trabalhadores perdendo emprego, as mulheres ainda meninas saindo com príncipes por dinheiro, outras trocando seu corpo por emprego, ... e nesse momento eu peguei meu príncipe insuportavelmente marxista e mandei ele morar com a bruxa má.

Montei no seu cavalo branco, coloquei sua espada na minha cintura, e segui minha vida... mudei para um castelo de areia. E.... nessa minha caminhada encontrei um cara comum, que de nobre não tem nada, mas que sabe conversar e não só da beijos de contos de fada.

Acima de tudo um homem que quando estou soluçando, se comporta como um nobre rei, me dando seu ombro para chorar e me tratando como uma princesa que perdeu um par do seu sapato de cristal na selva.

 

Graças a esse homem comum, eu descobri que eu poderia continuar sendo livre tendo um relacionamento.  Que eu poderia comer, ouvir música, escrever de madrugada, arrumar as coisas do meu jeito, criar, e acima de tudo que eu poderia partir em minhas missões humanitárias quando fosse necessário. Afinal, esse homem comum entende, aceita, reconhece, e respeita que eu não estou a passeio nesse mundo.

 

Graças a esse homem comum, eu estou com minha tenda armada, com antídotos, vacinas, compressas, remédios caseiros, ervas, livros de orações, e .... ouvidos humildes para amparar as pessoas que só precisam lembrar que são essenciais não só para minha vida, mais principalmente para a vida dos que ficaram.

Que Deus me mantenha de pé.   

Mande esse link para uma pessoa especial: www.jacuecangaindependente.com/ji-pob-rec.htm

 

Escrito e postado por Izabel Cristina da Fonseca, 24 de abril de 2009. (6618)

 

 

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