Pelo Olhar de uma Baiana

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Eu nasci uma vencedora!

 

Recebo vários e-mail de leitores que acham que a baiana anda calada. Concordo com vocês. E procurarei esta presente expondo minhas idéias, sentimentos e opiniões. Beijos.

 

Dia das crianças, vou falar das crianças. Das nossas crianças. No meu ponto de vista acho que o maior exemplo que podemos dar aos nossos filhos é de Harmonia, Coragem e Verdade. Sabe meus leitores... confesso que faço um balanço dos meus últimos anos e penso: Quantas mentiras me contaram... foram tantas, e eu ainda acreditava. Com o tempo desconfiava que poderia estar sendo enganada, e me sentia culpada por ter sido burra em acreditar naquele ser humano. Mas eu acreditava na essência das pessoas. Tudo que sempre quis foi ser feliz.

A possibilidade de ajudar alguém me acorda para a vida diariamente. A sensação de ser útil me tranqüiliza em viver dia após dia. Tudo que eu quero é vencer, desde aos pequenos obstáculos ao mais alto muro de Berlim. Eu creio na minha verdade, harmonia e coragem. Coisas que aprendi desde que fui fecundada. Quando cresci e soube que minha mãe biológica tentou me abortar 3 vezes e não conseguiu. Eu falei para mim mesma, meu nascimento foi a minha primeira vitória.

Depois casei com 13 anos, e aos 21 tomei coragem e me separei levando comigo minhas duas filhas, sem medo de nada. Mesmo sendo ameaçada de morte eu não temia a morte, pois chegará a conclusão que esta ao lado dele significava deixar de viver, e correr diário risco de vida. Lembro que quando anunciei a separação a meu ex-marido ele deu gargalhadas dizendo você vai embora? Pois que vá, mais não leve nada dessa casa. E me disse mais: quero ver quanto tempo você vai ficar longe das mordomias que eu lhe dou. Naquele dia ele não economizou ofensas. Ele fazia questão de chamar meu pai de irresponsável e dizer que nem minha mãe me quis. Saí de casa levando minhas roupas, e as de minhas filhas, meus quadros, e uma vitrola de marca TATERKA que meu pai havia me presenteado de 15 anos.

 

A partir daí meu maior desafio era conciliar as funções de mãe, companheira, amiga e minha carreira profissional. Minha vida começaria ali, do zero. Eu precisava me qualificar para ser um diferencial. Tinha que ser mulher, mais não podia ser meiga, precisava falar a língua dos homens para ser respeitada por eles. E passei a observar o comportamento profissional masculino. Tudo que eu queria era ser independente e ser respeitada. Disse a mim mesma que nunca mais nenhum homem me desrespeitaria na vida.

E assim fui trilhando meu caminho, sendo a única provedora da minha casa, pois para espanto do pai das minhas filhas não pedi pensão alimentícia. Trabalhava  no Banco Econômico, os 3 turnos e acumulava 3 funções (recepcionista, telefonista e teleptista), no horário das 7:00 às 22 horas, e ainda assim quando chegava em casa, era uma mãezona, me dedicando de corpo e alma as duas. Lembro que a menor tinha 15 dias, era apenas um bebe, e à noite quando eu deveria esta dormindo ela acordava chorando de fome.

 

Minha empregada era babá de nós três. Mesmo sendo testemunha de Jeová, chegava a me mandar sair para me divertir, tamanha comoção do estado de trapo que eu vivia. Ela morava comigo e de 15 em 15 dias visitava sua família, levando com ela minha filha mais nova, e a mais velha ia para a casa do pai. Esse era o meu final de semana.

Perdi a conta das vezes que deitei no seu colo chorando, e também dos dias que ela me cobria e tirava meus sapatos. Eu tinha o hábito de deitar na minha cama com as crianças e sempre acabava dormindo primeiro.

 

Quando eu olho para trás e penso em Izabel mulher, vejo que nunca fui uma mulher frágil do tipo que gostam de flores, se emocionam com natureza, nem vaidosa do tipo que freqüenta salão de beleza semanalmente. Ao contrário, sempre comi minhas unhas, e tive o estilo selvagem. Olho minhas fotos e vejo a imagem de uma mulher forte, com cabelos cacheados e longos, que desde que me separei usei e abusei de decotes, e só usava salto alto quando queria ser exuberantemente sensual. Maquiagem? Só lápis de olho, rímel e batom.
 
Cresci ouvindo que o trabalho enobrece o ser humano. Mais a vida me ensinou que o trabalho envelhece, destrói, e amadurece precocemente. Em troca através do trabalho pude ter liberdade, autonomia, poder de realização, e manter meu nariz de pé.


O segredo da porção mulher de Izabel que a transformou numa mulher respeitada pelos homens era dividido em: tempo e dinheiro.
Tempo para hidratar os cabelos, relaxar e sorrir, e dinheiro para pagar uma excelente empregada, e fazê-lo sentir que nada mais me unia a ele que ele mesmo.

Meu maior inimigo é o relógio. Foi com quem mais briguei na minha vida. Por causa dele aprendi a decidi que roupa usar em apenas 5 minutos, criei o hábito de carregar na bolsa um kit de porta bijuteria, um porta batom, espelho e uma escova de cabelo.

 

Lembro de que quando eu trabalhava em uma multinacional (Deten - Pólo Petroquímico de Camaçari). O Ônibus passava na esquina da minha casa 5:50, e nessa época eu ainda cantava na noite de quinta a domingo. Cansei de chegar em casa as 4:30 e nem ter tempo de dormi. Eu ia dormindo do Rio Vermelho até a empresa, e por isso meu apelido era soninho. Aquele sono me fazia acordar toda amarrotada, porém com o espírito renovado na porta da empresa.


E assim fui caminhando por essa minha vida, olhando um homem como parceiro e não como problema. Minha tolerância com homens sempre foi mínima. Diferente das colegas de trabalho e amigas, nunca tive namorado que aprontasse, nem tão pouco tive namorado que me fizesse pensar que não viveria sem ele. Literalmente eu não nasci para conviver com um ser humano sem confiar nele, mesmo que seja meu homem.

E foi assim que eu me transformei na mulher que sou. Com coragem, verdade e harmonia.

Minha vida mudou no dia que decidi que trabalharia para ter tudo que eu desejava, e que não aceitaria nada de homem algum. Naquele momento eu pela primeira vez levantei minha bandeira da liberdade. E quando me libertei do meu marido descobri que para se conquistar coisas na vida precisava lutar defendendo a minha verdade. Aquela atitude de libertação foi que fez de mim uma mulher destemida. Naquele dia descobri que nada nem ninguém poderia me vencer, e que minhas ideologias não tem preço. Não se escolhe a quem amar, o amor é incondicional e inexplicável.

 

Termino meu depoimento dizendo que nossa felicidade meus leitores esta ao nosso alcance.

As dificuldades são apenas pequenos obstáculos. O pai superior antes de nos abençoar ele quer ter certeza que nós somos merecedores. Defenda a sua verdade e encontrarás a sua felicidade.

Quem me conhece e convive comigo sabe que tudo que fiz, faço e continuarei fazendo na tentativa de transformar o mundo em em que vivemos num mundo melhor. Assim como o tamanho da minha dor e fúria às injustiças e covardias da espécie desumana.

Ajudo pessoas fazendo caridade porque não nasci com o dom nem de ouvir, nem de dizer não.

Sei que minha coragem assusta algumas pessoas, mas entendam que cada um tem sua maneira de lutar, enquanto outras preferem ser omisso a sua origem.

Tudo que faço, fiz e farei é em homenagem ao nome que herdei de nascença. Que vem de uma família nobre, exemplar e guerreira. E eu como filha dessa pátria não devo correr da luta.

Concordo que não é fácil ser uma mulher de verdade. Digo até que é uma missão quase que impossível, mas que exercitada diariamente torna-se possível. Em prantos fico por aqui.

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Escrito e postado por Izabel Cristina da Fonseca, 16 de outubro de 2009. (9749)

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