|

Você é a visita número
dessa página!
A
Mulher segundo o seu Olhar
Prometi a mim mesma que não escreveria mais até
minha partida.
Cheguei a pedi para meu coração que não me desse
inspiração para cuspir meus sentimentos...
tudo que queria era não formar frases....
Mais, quando olhei para mim... lá estou eu aqui
escrevendo esses essas linhas mesmo sem querer,
afinal, escrever para mim se tornou um gesto
involuntário que acontece quando estou gritando,
chorando, quando estou para sumir e até quando
quero me castigar guardando dentro de mim tudo
que sinto.
Afinal, para que falar o que sinto se nem quero
pensar no que sinto?
Sabe meu amor, hoje eu sei o quanto errei comigo
mesma... eu não passo de uma tola sonhadora...
Eu insisti em ver o mundo de acordo com as
cartas do meu baralho, e, hoje elas
estão embaralhadas, e eu procurando juntá-las,
guardando meu fardo, recolhendo sonho por
sonho, desejo por desejo, anseio por anseio... e
me perguntando: porque sou tão boa para os
outros e ruim para mim?
Será que eu deveria ter colocado as cartas em
posições diferentes ou simplesmente nem ter
usado as cartas que usei?
Ahhh meu amor... sinto-me culpada por não ter
usado as armas que guardo desde que me fiz
mulher...
Tudo porque ingenuamente acreditava que
a minha vida não poderia ser vivida como em um
campo de batalha.
E hoje quando abri meu armário... lá estavam todos os
meus escudos. Olhei para meu corpo e descobri
que estou nua. Me pergunto: como pude eu me abrir assim?
Agora me sinto culpada por acreditar no ser
humano, e por pensar que comigo seria
diferente...
Hoje olho para dentro mim e me despeço de mim, e
agora de você...
Me sinto culpada por não ter jogado o baralho em
meu favor, por ter aceitado as pessoas como elas
eram...
Eu tive você como um barro molhado em minhas
mãos, e nem assim eu aproveitei para tentar te
moldar... eu deixei correr frouxo... eu
acreditei que o amor era incondicional. Defendi
que não tinha motivos para mentiras, e vomitei
meus segredos como se eles fossem gorduras
ingeridas outrora...
Sinto-me culpada por ter mantido minha palavra,
e até mesmo por ter tido palavra...
Sinto-me uma tola quando preservei tanto você e
não ultrapassei o sinal mesmo quando a rua
estava deserta. Hoje vejo meu espírito inquieto.
A vontade de sumir
ronda meu cérebro porque sinto-me sobrando nesse
mundo cruel.
Olho para minha barriga com duvida se eu tenho
umbigo, e me pergunto:
porque não olhei somente
para ele?
Lembro das tempestades que enfrentei sozinha, na
ilusão de me sentir forte, e só hoje vejo que a
força das águas levavam com ela pouco a pouco os
grãos de areia do meu castelo.
Hoje sou apenas
um casebre a espera da primeira tempestade para
cair ribanceira abaixo...
Amei você sem medo, sem pudor, sem fronteiras,
sem barreiras. Apenas te amei.
Não sonhei com seu salário, nem com sua casa,
não almejei seus cachorros, não quis presentes.
Eu não cobrei uma ligação no dia das mães, nem
dos namorados, nem natal, nem ano novo, muito
menos quando fiz aniversário...
e mesmo assim lembro que nós dois sorríamos
antes de dormir, e eu mesmo tola sendo, perdi a
conta das vezes que acordei pelada e cansada da
minha entrega na noite anterior...
Eu me preparava para você. Eu sempre te
esperava calada...
E assim eu deixei de olhar o tempo... mesmo
porque para mim meu amor não tinha tempo ruim. No calor, na chuva, no frio, eu estava lá.
Dias
de sandália havaiana, outros de bota.... mas eu
sempre estava lá.
Eu já voltei para casa me tremendo de frio na
estrada... e já dormi no ônibus de acordar com
meu próprio ronco...
Mais hoje eu olhei para dentro de mim.... e
estou aqui escrevendo minhas sandices. Não por
você, mas por mim mesma.... por me sentir
incapaz de conquistar sendo eu mesma... sem
armações nem manipulações. Por me vê mais uma
vez na sua prateleira e nem assim eu ter vontade
de te destruir...
Eu estou indo embora porque eu não sou mais
capaz de me amar ... e tudo que eu precisava era
me amar mais.... e ser igual as outras ao menos
de vez em quando.
Eu te guardei, te preservei, cuidei de ti
mesmo quando não tinha nem tempo para mim. E
hoje olho para mim e constato que não passo de
uma mulher que nada fiz por mim mesma.
Hoje estou recolhida no meu casulo. Sem barco de
papel, sem castelo de areia... tentando buscar
respostas que não encontrarei porque na verdade
não quero ouvi.
Hoje, eu chorei e calei, chorei e calei, até que
a voz da minha alma me disse:
Chora poeta! não
segure essa lágrima. Mostre ao seu amor, fonte
de inspiração, que também sofre como qualquer outro
ser...
Eu corri contra o tempo e esqueci muitas vezes
de pedir licença a Senhora Vida.
Saí invadindo corações, entregando minhas
emoções, defendendo minhas verdades, levantando
o dedo, marchando, criando movimentos,
levantando bandeiras, exigindo respeito do
mundo... e esqueci de exigir o seu respeito.
E
tudo porque eu fui tola e pensei que amor e
respeito eram sinônimos.... mas não são.... eles
não são...
É. Chora poeta... mas deixe seus versos lacrimejados
aqui. Esse labirinto de letras registrados por
você que muitas vezes foi chamada de "bela", "belinha",
e até de "narizinho".
Chora poeta... mas não se esqueça que você já escreveu no
escuro, em mesa de bar, em heliponto de
plataforma, e até dentro de um ônibus em
movimento.
Choooooooora poeta... mas não deixe de
escrever! deixe suas lágrimas rolarem teclado
abaixo...
E que esse labirinto de letras tenha a força
para fazer alguma outra mulher a repensar na
vida. Já que você poeta... viveu tanto que parou
de pensar.
Chora poeta e tenha certeza que
alguém ainda chorará por ti.
Ahhh meu bem querer, eu não vou dizer adeus, mas
também não quero sair "à francesa".
Eu só quero sumir, mas não posso sair deixando
minha tribo sem telhado.
Eu tenho todas as armas na minha mão. Sei
exatamente qual ferro tirar para desmoronar a
lona desse circo, mas, ainda assim penso nas
crianças. Eu sei como fazer um palhaço chorar...
mas eu ainda assim penso nas crianças...
Desculpe ter invadido sua praia... eu tentei te
esperar... mas minha tristeza é maior que
tudo. eu já nem consigo me olhar no espelho, sabe
como é? Eu estou com vergonha de mim!
Olho para dentro de mim e vejo o filme da minha
vida passando...
Me fizeram mulher quando eu ainda era apenas uma
criança. Abandonei as cirandas, brincadeiras de
rodas e minha casinha de boneca. Minha boneca
passou a ser de verdade... e eu só tinha 14
anos. Ela acordava chorando de madrugada e só
calava quando mamava no meu peito...
Logo cedo eu caí na estrada e venho nessa longa
caminhada há anos, buscando eu não sei mais nem
o que... Tudo para mim hoje é desconhecido. A
batida do meu coração, meu corpo, meu prazer,
tudo é novo para mim, e tudo depois de você.
Eu amadureci antes do tempo, mesmo sem ter tempo
de ver o tempo passar.
Eu me fiz forte diante da minha própria
fraqueza, me fiz corajosa diante do meu próprio
medo...
Segui trilhas sem rumo, andei por labirintos
tentando fugir do destino, e por muitas vezes me
escondi de minha própria vida...
Mas hoje eu olhei para dentro de mim, e me vi
com medo da própria sombra.
O cofre da minha alma esta aberto e eu entreguei
o tesouro da minha vida.
Ainda assim estou aqui, levantando mais uma vez
minha bandeira. Pois, só ela tem o poder de
renovar minhas forças.
Eu,
Izabel Cristina da Fonseca.
Mande esse link para uma pessoa especial:
www.jacuecangaindependente.com/ji-pob-amsso.htm
Postado por Izabel Cristina da Fonseca, 22
de março de 2009. (5811)

|