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Morre
Lentamente, por Pablo Neruda
Morre lentamente,
quem não viaja, quem não lê, quem não ouve
música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente,
quem destrói o seu amor próprio, quem não se
deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não
conversa com quem não conhece.
Morre lentamente,
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente,
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto sobre o branco e
os pontos sobre os “is” em detrimento de um
redemoinho de emoções, justamente as que
resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente,
quem não vira a mesa quando está infeliz com
o seu trabalho, seu amor,
quem não arrisca o certo pelo incerto para
ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na
vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má
sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de
iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que
desconhece,
ou não responde quando lhe indagam sobre
algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço um pouco maior
que
o simples fato de respirar.
Gentilmente enviado por Anna Azevedo
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, dia 3 de setembro
de
2009 (9076)
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