ENTRE A
POPULARIDADE DE FERNANDO E A IMPOPULARIDADE DO
PRIMO TUCA
O
fracasso do governo Tucá já contabiliza um
saldo negativo para imagem deixada pelo seu
antecessor. Se no ano de 2000, Fernando
chegava como a grande esperança de mudança,
como uma das únicas possibilidades para
derrubar o petismo de 12 anos, e na estratégia
a dozadinha de 12 partidos, evidente
que em 2004 a decadência já arruinava essa
expectativa e o fernandismo já caia de
popularidade. Em 2008 a distância de um
governo da continuidade, tão apregoado no
pleito eleitoral, fica cada vez mais claro.
Perdido pelas escolhas erradas, de uma equipe
cabalmente despreparada – politicamente e
tecnicamente – Tuca se arrasta na história de
Angra como um dos piores prefeitos já eleitos
no município. Emaranhado entre os processos e
acusações de crimes eleitorais – agora com a
inelegibilidade – o prefeito Tuca Jordão
(PMDB) e seu vice Essiomar Gomes (PP) se
perdem e se mostram totalmente despreparados
para a função pública, e cada vez mais
distantes de serem os preferidinhos dos
eleitores. Coube-se aos partidos dar a
diferença quando acionados, isso ficou
registrado no pleito, porque neste momento o
caminhar da carruagem leva os homens do
executivo para o buraco, pior: leva todos nós
angrenses – nato ou de coração - com a imagem
arruinada para a sepultura.
A
linha de gestão que unificou secretarias em
uma só, caso este da Secretaria de Pesca e
Agricultura para gestação da Secretaria de
Atividades Econômicas não resolveu o problema
maior: – tanto da pesca quanto da agricultura,
muito menos do setor econômico da cidade – a
falta de fomento da manutenção empregatícia e
a geração de emprego e renda. Sequer se viu o
secretário da pasta em uma reunião com a
categoria metalúrgica debatendo o assunto do
setor, em uma das rodadas de negociação com a
empresa; na defesa do porto e de seus
trabalhadores; debatendo com o segmento formas
e estratégias administrativas para a
implantação de empresas na região e na briga
pela criação de um parque industrial.
Secretários escolhidos por critérios errados
levam à desgraça do setor econômico da cidade
e estigmatizam o critério de escolha de seu
secretariado do governo Tuca como
fisiologistas e clientelistas.
Se hoje o eleitor se arrepende de ter votado
em Tuca, a história se repente copiosamente
nas siglas. Para conter a declinação de apoios
– principalmente àqueles que não estão sob a
égide do capital – criou-se o Conselho
Político. Com escopo de arregimentar e assim
manter o controle sob os que quiserem dar vôos
mais altos na democracia camuflada.
O
Legislativo conspira a favor de uma manutenção
de linha conchavista. Os discursos dos
nobres edis – durante a campanha – parecem ter
ido para o ralo da amargura. Como mais de 60%
coaduna com as ideologias da base do governo –
ninguém ousa jogar contra o próprio
patrimônio. Na troca de empregos no executivo,
verbas para manutenção de entidades
apadrinhadas pelos vereadores, na aprovação de
matérias emitidas pela prefeitura, os
parlamentares vão cada vez usando a máquina
para fins unilaterais e clientelistas. Trocam
ideologias da noite para o dia como se troca a
própria cueca. E nessa história de cooptação
vai ficando as ideologias partidárias,
institucionais, e lamentavelmente o eleitor
vai sendo traído aos poucos por 30 moedas de
ouro, às vezes até por uma lata de lentilha,
um aperto de mão, um simples tapinha nas
costas, não de agradecimento, mas de lamento.
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