Conselhos para tornar
realidade às promessas que você faz
"Em 2010, eu vou....
largar o cigarro, emagrecer, pegar mais
leve, ter mais tempo para a família."
Há três semanas, nove em
cada dez pessoas comemoraram a virada do ano
brindando, pulando ondas, comendo uvas e
fazendo muitas promessas para os próximos 12
meses. A noite de Réveillon costuma ser o
momento para colocar em prática todo tipo de
mudança.
O problema é que, menos
de um mês depois, 44% apagaram as promessas
junto com os fogos de artifício, mostra uma
pesquisa da International Stress Management
Association (Isma-BR). E, para 26%, elas não
sobrevivem à primeira semana. Para não se
juntar ao contingente que vai terminar 2010
assim como começou, veja dicas para
transformar as promessas em realidade.
Vencer o sedentarismo:
O primeiro passo é escolher uma atividade
que lhe dê prazer, em que se sinta bem. Leve
em conta se prefere praticar em grupo ou
sozinho. Se quer manter o condicionamento,
atividades como andar ou dançar são boas
opções. Se o objetivo for manter a força,
exercícios de resistência. Se quer evitar
dores nas costas, prefira atividades de
flexibilidade. Depois, encontre o momento na
sua rotina que reservará para a atividade e
marque o compromisso na agenda. O ideal é
meia hora todos os dias. "Mas não faça tudo
de uma vez; dez minutos são importantíssimos
para quem está parado há muito tempo", diz
Timóteo Araújo, assessor técnico-científico
do Programa Agita São Paulo, coordenado pelo
Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório
de Aptidão Física de São Caetano do Sul).
O American College of
Sports Medicine dá outras dicas para quem
vai começar: listar um plano de metas com o
objetivo que se quer alcançar com a
atividade física e os riscos de
autossabotagem, fazer do exercício um ritual
como escovar os dentes e sempre pesar prós e
contras da atividade.
Ou seja, lembre que se,
por um lado, exercitar-se significa mais um
compromisso, por outro significa ganhos à
saúde. "Espere pelo menos 90 dias para se
cobrar algo, mas os benefícios psicológicos
chegam antes, como melhoras no humor, na
autoestima e no prazer", diz Araújo.
Atividades como andar para o trabalho ou
passear com o cachorro contam para a semana
de atividade física.
Ser mais organizado:
A bagunça, às vezes, é tão grande que
não se sabe por onde começar. E a decisão de
finalmente organizar a casa, as finanças e
os papéis acaba ficando para depois. A
procrastinação, aliás, é um hábito comum
entre os desorganizados, segundo José Luiz
Cunha, diretor da empresa de consultoria OZ!
- Organize sua Vida. Para ele, o primeiro
passo para organizar sua vida é colocar no
papel aquilo que você quer colocar em ordem.
Depois, é preciso tomar uma atitude. "Em vez
de olhar a confusão como um monstro, comece
arrumando as gavetas da cozinha. Na outra
semana, a prateleira. O importante é
começar, e não tem melhor hora para isso.
Quanto mais a confusão acumula, mais as
pessoas adiam." Outra dica é escolher uma
agenda que você use durante o ano todo --e
não apenas nas primeiras semanas. Para isso,
é preciso que ela esteja o tempo todo com
você --tanto faz um "smartphone" ou uma
agenda de papel, desde que você anote ali
todos os seus compromissos. Cunha também
recomenda vencer o medo de jogar coisas
fora. "As pessoas acham que podem ter
problemas quando jogam algo no lixo. Mas o
ideal é se perguntar: 'Eu vou precisar disso
realmente?', e não imprimir coisas à toa",
sugere. Ele recomenda guardar contas e seus
comprovantes de pagamento em pastas
específicas durante cinco anos e doar livros
escolares e presentes nunca usados. Para
quem tem dificuldades em organizar melhor o
tempo, a dica é não marcar uma coisa em
seguida da outra e deixar 20% do seu dia
livre (se você trabalha oito horas, isso
equivale a uma hora e meia), já que podem
surgir imprevistos. Para quem convive com o
trânsito, é preciso planejar os compromissos
com mais tempo de folga e avaliar a
quantidade de tempo disponível para
distribuir as atividades ao longo do dia. "A
tendência das pessoas é achar que vai dar
tempo. Por isso é importante usar a agenda e
planejar sua rotina diariamente", aconselha.
Emagrecer: Em
primeiro lugar, não se imponha desafios
impossíveis. "Não radicalize, isso
desmotiva", diz Márcio Mancini, presidente
da Abeso (Associação Brasileira para o
Estudo da Obesidade e da Síndrome
Metabólica). Isso significa não riscar
alimentos do cardápio ou pular refeições.
"As proibições que a pessoa se coloca não
levam à reeducação alimentar", diz ele. "Ela
fica sem comer um tempo e depois volta." Em
geral, um programa de emagrecimento leva à
perda de 0,5 a 1 kg por semana. Se a pessoa
tem obesidade grave, pode perder mais. Se
tem ligeiro sobrepeso, pode perder até
menos. Por isso, não se guie por exemplos.
Marque uma data para iniciar e comece com
mudanças simples como comer mais salada e
diminuir a quantidade de guloseimas ou,
ainda, reduzir as pizzas para uma vez por
mês. Se for preciso, procure um
nutricionista ou médico para orientar a
dieta, mas nunca tome remédios por conta
própria. Eles são indicados em casos
específicos. Para seu programa de
emagrecimento ser bem-sucedido, não faça
nada diferente enquanto come --como ver TV
ou ler jornal. Não coloque travessas na mesa
para não se servir demais e aprenda a
mastigar devagar, pousando os talheres entre
os bocados. Outra dica essencial é não fazer
compras com fome e preferir alimentos que
requerem preparo. Por fim: não se pese mais
do que uma vez por semana. "Concentre-se no
comportamento; a perda de peso será uma
consequência", afirma Mancini.
Ser menos estressado:
Para quem quer uma vida mais tranquila,
o caminho é avaliar a rotina e identificar a
origem do estresse, afirma Ana Maria Rossi,
presidente da Isma-BR. O cansaço e a
angústia vêm do trânsito, do ambiente
profissional ou da falta de tempo? Depois de
fazer esse diagnóstico, é preciso tentar
criar novos comportamentos, com
flexibilidade para encarar os erros e
aprender com eles. "As falhas e a
desistência podem gerar ainda mais
estresse", diz Rossi. Uma das fontes de
problemas para quem mora em cidades grandes
é o trânsito. Rossi recomenda: é preciso
assumir que ele caótico. Com isso em mente,
as pessoas podem se programar para tentar
tornar as viagens menos estressantes.
Algumas alternativas são escapar dos
horários de pico e se programar para sair
antes ou depois da hora do rush, criar novas
rotas e pensar em maneiras de se entreter no
carro, como ouvir uma boa seleção de
músicas, aprender idiomas ou organizar o
trabalho mentalmente. Ter boas noites de
sono e cultivar o círculo de amizades também
ajudam a aliviar a tensão. Isso significa
manter contato com os amigos (nem que seja
por telefone ou e-mail) e reservar um dia
para um encontros -pode ser um "happy hour"
ou um almoço semanal. Organizar melhor seu
tempo, para, de fato, descansar nas horas de
lazer é essencial. "Tenha disciplina para
executar o trabalho no horário correto e não
leve tarefas para casa", sugere Rossi. Além
disso, tente não monitorar nem planejar o
trabalho nos fins de semana. Exercícios
físicos são outra alternativa para
descarregar e recarregar energias. Além dos
que trazem relaxamento, como ioga e tai chi
chuan, os esportes podem ser boas válvulas
de escape. Tanto faz a modalidade: o que
importa é que o exercício seja prazeroso
para que ele não vire outra fonte de
estresse.
Parar de fumar:
Ok, sua saúde agradece se você largar o
cigarro o quanto antes. "Mas cuidado com as
decisões impulsivas. O tabagismo é uma
doença e parar de fumar exige um trabalho
interior e mudanças de comportamento", avisa
o pneumologista Ciro Kirchenchtejn, chefe do
ambulatório antitabagismo do hospital
Oswaldo Cruz. Por isso, primeiro é preciso
admitir a dependência da nicotina. Quando se
sentir pronto, estabeleça um dia na agenda e
prepare-se para isso. Decida se vai procurar
um médico e tomar remédios. Escreva num
papel por que quer parar e leve-o sempre com
você. Cinco dias antes, faça algumas
mudanças: atrase em uma hora o primeiro
cigarro, tente não fumar após o almoço,
procure passar mais tempo sem fumar. No dia
D: elimine todos os cigarros de casa, do
trabalho e do carro, além dos cinzeiros.
Procure manter-se ocupado, mas em atividades
de pouco estresse, e prefira os locais onde
é proibido fumar. Na hora da fissura,
lembre-se que a vontade de fumar desaparece
em um ou dois minutos. Beba dois copos de
água e evite atividades que estejam
associadas a fumar, como tomar um cafezinho
ou cerveja. Se perceber que é muito
dependente, procure um médico e um grupo de
apoio.
"Hoje há um grande
arsenal terapêutico e qualquer um pode
largar o vício sem grandes sofrimentos",
avisa Kirchenchtejn. E não se iluda: mesmo
após alguns meses você ainda sentirá vontade
de fumar. Uma tragada pode pôr todo o
esforço a perder.
Fonte:
GABRIELA CUPANI, MARIANA VERSOLATO, da Folha
de S.Paulo
Postado por Izabel
Cristina da Fonseca, em 25 de janeiro de
2010 - (0068)