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Mulheres tetraplégicas redescobrem o prazer

A novela "Viver a Vida", da TV Globo, provoca discussão sobre a função sexual e maternidade de pessoas com deficiência física. Flávia Cintra, que ficou tetraplégica na adolescência, acha engraçado quando alguém pergunta o que fez para engravidar. Antes de responder “sexo”, com todas as letras, ela dá outra chance: "Você realmente quer que eu te conte?", brinca a jornalista e ex-modelo.

Mãe dos gêmeos Mateus e Mariana, 2 anos, Flávia perdeu o movimento total das pernas e parcial dos braços após um acidente de carro. Sua história inspira o roteiro de Luciana, personagem vivida por Alinne Moraes na novela global “Viver a Vida”. Na ficção, a jovem ainda vai descobrir que pessoas com deficiência física podem ter uma vida sexual prazerosa. “Reencontrei o prazer depois que aceitei a minha 'nova versão'. Como o meu corpo mudou muito, tive que me dedicar a conhecê-lo bem para voltar a estar segura”, conta Flávia.

Flávia Cintra com os gêmeos Mariana e Matheus, e ao lado da atriz Alinne Moraes

Existem diversos tipos de lesão medular, a gravidade é determinada pela altura da vértebra atingida e a intensidade. Mesmo em casos onde há perda total dos movimentos do pescoço para baixo, a função sexual não é anulada. “O prazer é diferente do experimentado antes da deficiência física, mas continua existindo”, explica a psicóloga e pesquisadora Ana Cláudia Bortolozzi Maia, autora do livro “Sexualidade e Deficiências” (Editora UNESP).

Mara Gabrilli: "A essência não muda" - O caso da psicóloga e publicitária Mara Gabrilli comprova o estudo de Ana Cláudia. A falta de sensibilidade e movimentos não impediu que vivesse a sexualidade de forma plena. “Quando eu ainda estava na UTI, uma das coisas que mais ficou zoando na minha cabeça foi a questão sexual. Meu Deus, o que estava acontecendo com o meu corpo? Daí pedi para o meu namorado fazer uns carinhos em mim e percebi que eu ainda sentia tesão. Fiquei mais calma”, lembra.

Das primeiras carícias até a reconquista do prazer, Mara passou por diversas experiências. Explorar o corpo permitiu descobrir novas sensações na hora do sexo. “A forma de ter prazer mudou, mas a intensidade não. A essência da pessoa é a mesma independente da condição motora”, conta ela, que acaba de engatar um novo namoro, após sete anos de relacionamento estável.

 

O difícil recomeço e a escolha do parceiro - O psicoterapeuta tetraplégico Fabiano Puhlmann, autor do livro “A Revolução Sexual sobre Rodas” (Editora O Nome da Rosa), destaca que a redescoberta do corpo passa por um processo lento e, muitas vezes, doloroso. “Primeiro vem o luto, o desespero, a negação. Não é fácil. O cadeirante só reconquista a vida sexual depois que se aceita diante do espelho e eleva a autoestima”, diz.

Segundo Ana Cláudia Bortolozzi Maia, psicóloga e especialista em sexualidade humana, um companheiro maduro poderá contribuir muito para a recuperação da parceira. “Ela vai precisar de cuidados e atenção até conseguir decifrar o seu corpo novamente. Além disso, um homem carinhoso consegue controlar a intensidade dos seus movimentos na hora do sexo, e isso evita que a parceira se machuque”.

 

Quando ele é tetraplégico - A ereção reflexa, que acontece por meio de manipulação do pênis ou regiões próximas, pode permanecer nos homens. Contudo, relatos de pacientes indicam dificuldade em mantê-la. Em alguns casos é possível restabelecer o controle e a sensibilidade após algum tempo, conforme afirma Fabiano Puhlmann: “Vai depender da altura da lesão, mas alguns homens conseguem desenvolver um bom controle”.

A falta de ereção também pode fazer parte do quadro médico do lesionado medular. “Nesse caso, o uso de medicamentos estimulantes pode resolver o problema”, diz o psicoterapeuta.

A ejaculação também pode ser dificultada, ou ocorrer de maneira retrógrada - quando o sêmen vai para a bexiga e é eliminado na urina. “Se esse homem quiser se pai, terá que fazer uma coleta de sêmen direcionada por especialistas e seguir os procedimentos normais de inseminação artificial.

 

Fonte: Paula Balsinelli, iG São Paulo, 22/01/2010 11:44

Postado por Izabel Cristina da Fonseca, em 25 de janeiro de 2010 - (0068)

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