Mensagens de texto podem
ajudar na alfabetização
De acordo com pesquisa, o uso de
abreviações pode contribuir para o
desenvolvimento da leitura e da escrita
Estudo afirma que
crianças que usam SMS leem e falam com mais
facilidade
Atualmente, o uso de
abreviações por crianças e jovens em
mensagens de texto, seja pelo celular ou por
softwares, como o conhecido Messenger, se
tornou bem comum. Com isso, trocar “fim de
semana” por “fds” já deixou muitos pais
preocupados com o desenvolvimento correto da
leitura e da escrita dos filhos. A boa
notícia é que uma recente pesquisa britânica
revela que não há razão para tanto: abreviar
palavras pode, na verdade, ajudar no
progresso da criança.
De acordo com o estudo, que acompanhou um
grupo de crianças entre oito e doze anos
durante um ano acadêmico, aquelas que usam
abreviações na linguagem textual possuem, na
realidade, habilidades de alfabetização até
mais sofisticadas do que aquelas que não o
fazem. Para os pesquisadores, essa
capacidade está baseada no bom
desenvolvimento da consciência fonológica,
que detecta e utiliza padrões de som e
discurso.
Realizada pela “Academia Britânica –
Academia Nacional de Ciências Humanas e
Sociais” e conduzida pela Dra. Clare Wood,
da Universidade de Coventry, na Inglaterra,
a pesquisa confirma que abreviar palavras
contribui para o envolvimento da escrita da
criança. Segundo o jornal britânico The
Telegraph, Dra. Wood ainda afirma: “Este uso
de abreviações está realmente impulsionando
o desenvolvimento da consciência fonológica
e a habilidade da leitura nas crianças”.
Para a psicóloga especialista em
comportamento infantil e adolescente, Maria
Cristina Capobianco, uma criança só realiza
este tipo de abreviação com o exercício da
percepção auditiva e fonológica. “As
abreviações não implicam que as crianças
estejam desaprendendo, pelo contrário, elas
são construídas a partir da forma de falar e
da origem da palavra”, conta Capobianco.
“Quando se tem o conhecimento, por exemplo,
que a abreviação de número é ‘nº’ há, na
realidade, o registro das duas formas”,
explica.
Embora a condutora da pesquisa garanta que
não há motivos para se preocupar com as
abreviações utilizadas em mensagens de
texto, Susan Greenfield, renomada
neurocientista britânica, expressou
recentemente seu medo em relação às
mensagens de texto por acreditar que elas
diminuem os períodos de atenção dos mais
jovens.
Fonte:
Renata Losso, especial para o iG São Paulo,
24/01/2010 11:39
Postado por Izabel
Cristina da Fonseca, em 26 de janeiro de
2010 - (0078)