Hipertensão mata três vezes
mais do que violência no País
O susto da equipe médica
de Luis Inácio Lula da Silva tem um motivo
que vai além da figura do presidente.
Doenças cardiovasculares
são a primeira causa de morte no Brasil, com
o registro de 300 mil óbitos por ano,
segundo último levantamento do Ministério da
Saúde.
O número corresponde a
30% do total de mortes no País. “Em quase
todos os casos de derrame cerebral, acidente
vascular cerebral (AVC) e infarto, a
hipertensão é a principal causa desse
quadro”, afirma Marcus Bolívar Malaquias,
presidente do departamento de hipertensão
arterial da Sociedade Brasileira do Coração.
A pressão alta pode
lesionar órgãos vitais como o coração, o
cérebro e o rim se não for tratada. Segundo
o cardiologista, 60% dos casos de derrame
são originários de uma hipertensão.
A doença, na maioria dos
casos, é assintomática, mas pode dar sinais
como falta de ar, dor de cabeça e tontura em
momentos de grande estresse. “Esse é um dos
principais motivos que levam a uma crise”,
alerta o médico.
O estresse faz com que o
organismo libere adrenalina, elevando a
pressão arterial. Além disso, os pacientes
sob medicação para o controle da hipertensão
tendem a esquecer os remédios em momentos
muito atribulados.
Outros fatores como uma
alimentação rica em sal, obesidade,
sedentarismo e o consumo de bebidas
alcoólicas também podem desencadear o
problema. Histórico familiar e idade
avançada também aumentam as chances de
apresentar a doença. De acordo com dados do
Ministério da Saúde,
35% dos brasileiros têm hipertensão e
90% da população acima dos 55 anos correm o
risco de desenvolvê-la.
Prevenção
Avaliações periódicas
podem salvar a vida de muitos brasileiros. A
Sociedade Brasileira de Cardiologia
aconselha a medir a pressão periodicamente,
além da realização de checkups. Segundo
Malaquias, se a pressão mínina estiver igual
ou superior a 12, é necessário fazer uma
avaliação em um hospital para ver se algum
órgão está em risco. “O exame clínico em si
já é bastante esclarecedor”, afirma o
médico.
Medidas simples como a
adoção de uma dieta rica em vegetais e
frutas, com baixo teor de sal e gordura, a
manutenção do peso, a atividade física
regular e a redução do estresse podem ser a
diferença entre estar ou não no grupo de
risco.
Lula
O presidente teve uma
crise de hipertensão no avião a caminho de
Davos, na Suíça. Ele foi internado no Real
Hospital Português de Beneficência (RHP), em
Recife, onde passou por exames clínicos e
tomou medicamentos. De lá, foi para São
Paulo, encontrou-se com o
cardiologista Roberto Kalil Filho, que o
acompanha há 15 anos, e seguiu para sua
casa, em São Bernardo do Campo, região do
ABC paulista. Lula deve realizar novos
exames nesse fim-de-semana e
cancelou sua agenda de compromissos para
descansar.
Fonte:
28/01 - 16:27 - Chris Bertelli, iG São Paulo
Postado por Izabel
Cristina da Fonseca, em 28 de janeiro de
2010 - (0081)