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TÓPICA – Teoria ou
ponto de vista que supõe uma diferenciação do
aparelho psíquico em certo número de sistemas
dotados de características ou funções diferentes
e dispostos numa certa ordem uns com relação a
outros, o que permite considerá-los
metaforicamente como lugares psíquicos de que
podemos fornecer uma representação figurada
espacialmente.
Fala-se
correntemente de duas tópicas freudianas, sendo
a primeira aquela em a disposição principal é
feita entre Inconsciente, Pré-consciente e
Consciente, e a segunda a que distingue três
instâncias: o Id, o Ego e o Superego.
Inconsciente –
(das Unbewusst, unbewusst) - O adjetivo
inconsciente é por vezes usado para exprimir o
conjunto dos conteúdos não presentes no campo
efetivo da consciência, isto num sentido
descritivo e não tópico, quer dizer sem se fazer
discriminação entre os conteúdos dos sistemas
pré-consciente e inconsciente.
No sentido
tópico, inconsciente designa um dos sistemas
definidos por Freud no quadro da sua primeira
teoria do aparelho psíquico. É constituído por
conteúdos recalcados aos quais foi recusado o
acesso ao sistema pré-consciente-consciente pela
ação do recalque.
Podemos resumir do seguinte modo as
características essenciais do inconsciente como
sistema (ou Ics):
a) Os
seus conteúdos são representantes das pulsões.
b)
Estes conteúdos são regidos pelos mecanismos
específicos do processo primário, principalmente
condensação e deslocamento.
c)
Fortemente investidos pela energia pulsional,
procuram retornar à consciência e à ação
(retorno do recalcado); mas só podem ter acesso
ao sistema Pcs-Cs nas formações de compromisso,
depois de terem sido submetidos às deformações
da censura.
d) São,
mais especialmente, desejos da infância que
conhecem uma fixação no inconsciente.
No quadro da 2ª Tópica freudiana, o termo
inconsciente é usado sobretudo na sua forma
adjetiva; efetivamente, inconsciente deixa de
ser o que é próprio de uma instância especial,
visto que qualifica o id, e, em parte, o ego e o
superego. Mas convém notar:
a) As
características atribuídas ao sistema Ics
na primeira tópica são de um modo geral
atribuídas ao Id na Segunda.
b) A
diferença entre pré-consciente e o inconsciente,
embora já não esteja baseada numa distinção
intersistêmica, persiste como distinção
intra-sistêmica (o ego e o superego são em parte
pré-conscientes e em parte inconscientes).
Pré-consciente –
(das Vorbewuste, vorbewusst) – Como substantivo,
designa um sistema do aparelho psíquico
nitidamente distinto do sistema inconsciente (Ics);
como adjetivo, qualifica as operações e
conteúdos desse sistema pré-consciente (Pcs).
Estes não estão presentes no campo atual da
consciência e, portanto, são inconscientes no
sentido descritivo, mas distinguem-se dos
conteúdos do sistema inconsciente na medida em
que permanecem de direito acessíveis à
consciência (conhecimento e recordações não
atualizados, por exemplo).
Do ponto de
vista metapsicológico, o sistema pré-consciente
rege-se pelo processo secundário. Está separado
do sistema inconsciente pela censura, que não
permite que os conteúdos e os processos
inconscientes passem para o Pcs sem sofrerem
transformações.
No quadro da 2ª
Tópica freudiana, o termo pré-consciente é
sobretudo utilizado como adjetivo, para
qualificar o que escapa à consciência atual sem
ser inconsciente no sentido estrito. Do ponto de
vista sistemático, qualifica conteúdos e
processos ligados ao ego quanto ao essencial, e
também ao superego.
Consciente – (Bewusst)
– No sentido descritivo: qualidade momentânea
que caracteriza as percepções externas e
internas no conjunto dos fenômenos psíquicos.
Segundo a
teoria metapissicológica de Freud, o consciente
seria função de um sistema, o sistema
percepção-consciente (Pc-Cs).
Do ponto de
vista tópico, o sistema percepção-consciente
está situado na periferia do aparelho psíquico,
recebendo ao mesmo tempo as informações do mundo
exterior e as provenientes do interior, isto é,
as sensações que se inscrevem na série
desprazer-prazer e as revivescências mnimésicas.
Muitas vezes Freud ligo a função
percepção-c0nsciente ao sistema pré-consciente,
então designado como sistema
pré-c90nsciente-consciente (Pcs-Cs).
Id – (Es ou
Isso) – Uma das três instâncias diferenciadas
por Freud na sua Segunda teoria do aparelho
psíquico. O Id constitui o pólo pulsional da
personalidade. Os seus conteúdos, expressão
psíquica das pulsões, são inconscientes, por um
lado hereditárias e inatos, e por outro,
recalcados e adquiridos.
Do ponto de
vista econômico, o Id é, para Freud, o
reservatório inicial da energia psíquica; do
ponto de vista dinâmico, entra em conflito como
o ego e o superego que, do ponto de vista
genético, são as suas diferenciações. (Das ich –
o ego – e Das Es – o Id).
Ego – ou Eu – (Ich)
– Instância que Freud na sua Segunda teoria do
aparelho psíquico, distingue do Id e do
Superego.
Do ponto de
vista tópico, o ego está numa relação de
dependência tanto para com as reivindicações do
Id, como para com os imperativos do superego e
exigências da realidade. Embora se situe como
mediador, encarregado dos interesses da
totalidade da pessoa, a sua autonomia é apenas
relativa.
Do ponto de
vista dinâmico, o ego representa eminentemente,
no conflito neurótico, o pólo defensivo da
personalidade; põe em jogo uma série de
mecanismos de defesa, estes motivados pela
percepção de um afeto desagradável (sinal de
angústia).
Do ponto de
vista econômico, o ego surge como um fator de
legação dos processos psíquicos; mas, nas
operações defensivistas, as tentativas de
legação da energia pulsional são contaminadas
pelas características que especificam o processo
primário: assumem um aspecto compulsivo,
repetitivo, desreal.
A teoria
Psicanalítica procura explicar a gênese do ego
em dois registros relativamente heterogêneos,
quer vendo nele um aparelho adaptativo,
diferenciado a partir do Id em contato com a
realidade exterior, quer definindo-o como o
produto de identificações que levam à formação
no seio da pessoa de um objeto de amor investido
pelo id.
Relativamente à
primeira teoria do aparelho psíquico, o ego é
mais vasto do que o sistema
pré-consciente-consciente, na medida em que as
suas operações defensivas são em grande parte
inconscientes.
Do ponto de
vista histórico, o conceito tópico dos ego é o
resultado de uma noção constantemente presente
em Freud desde as origens do seu pensamento.
Superego –
Supereu – (Über-Ich) – Uma das instâncias da
personalidade tal como Freud a descreveu no
quadro da sua Segunda teoria do aparelho
psíquico: o seu papel é assimilável ao de um
juiz ou de um censor relativamente ao ego. Freud
vê na consciência moral, na auto-observação, na
formação de ideais, funções do superego.
Classicamente,
o superego é definido como o herdeiro do
complexo de Édipo; constitui-se por
interiorização das exigências e das interdições
parentais.
Certos
psicanalistas recuam para mais cedo a formação
do superego, vendo esta instância em ação desde
as fases pré-edipianas (Melanie Klein) ou pelo
menos procurando comportamentos e mecanismos
psicológicos muito precoces que seriam
precursores do superego (Glover, Spitz, por
exemplo).
Como árbitro
moral internalizado o Superego se desenvolve em
função do sistema de recompensas e punições
colocado pelos pais. Para obter recompensas e
evitar punições a criança aprende a conduzir-0se
de acordo com as normas ditadas pelos pais.
O Superego tem
como que dois subsistemas: a “consciência” –
onde estão as punições e o “ideal do ego” onde
estão as ações merecedoras de aprovação.
O Id – é o
sistema original da personalidade psíquica; é a
matriz a partir da qual o ego e o superego se
diferenciam. O Id é formado pelos aspectos
psicológicos herdados e presentes no nascimento,
inclusive as pulsões. É o reservatório da
energia que põe em funcionamento os outros
sistemas. Está em relação estreita com os
processos corporais, dos quais retira sua
própria energia. Freud chamada o Id de “a
verdadeira personalidade psíquica”, por que ele
representa o modo inteiro da experiência
subjetiva e não tem conhecimento da realidade
objetiva.
- O Id
não tolera aumentos de energia ...... Vide
Princípio do Prazer .. Para isso ele dispõe de:
- Ação
reflexa;
-
Processo Primário (formação de imagens, por
exemplo de comida para uma pulsão de fome).
-
Realização do desejo.
As
alucinações e visões dos psicóticos, são também
exemplos do processo primário.
Como uma
pessoa não pode viver de imagens, inicia-se o
desenvolvimento do “Processo Secundário”.
Quando isso acontece inicia-se a formação do
segundo sistema da personalidade psíquica: o
Ego.
O Ego – O Ego
existe porque as necessidades do organismo
requerem transações apropriadas com o mundo
objetivo da realidade. Assim uma pessoa faminta
precisa aprender a diferenciar uma imagem mental
do alimento, do alimento mesmo. A diferença
básica entre o Id e o Ego, é que o Id só conhece
o realidade subjetiva da mente, enquanto que o
Ego faz a distinção entre as coisas da mente e
as do mundo exterior.
O Ego conhece o “Principio da Realidade”, e
opera por meio do “Processo Secundário”.
O principio da
realidade suspende temporariamente o principio
do prazer, porque este é satisfeito quando o
objeto é encontrado e assim a tensão foi
reduzida. O principio de realidade verifica se
uma experiência é real ou falsa, isto é, se tem
existência externa ou não, ao passo que o
principio do prazer interessa-se apenas em saber
se uma experiência é desagradável ou agradável.
Pelo ‘Processo
Secundário” o Ego formula um plano para a
satisfação da necessidade e depois o testa
geralmente por uma espécie de ação, para ver se
funciona ou não.
O Ego é o
executivo da personalidade psíquica porque
controla os portas de entrada para a ação,
seleciona os aspectos do meio aos quais reagirá
e decide quais são as pulsões a serem
satisfeitas e de que modo. No desempenho dessas
altas funções executivas o Ego tem que procurar
integrar as exigências muitas vezes antagônicas
do Id, do superego e do Meio Externo. Esta é uma
tarefa difícil que pesa sobre o Ego.
Devemos levar
em consideração entretanto, que o ego é a parte
organizada do Id, que existe para realizar os
desejos do Id e não para frustrá-los e que toda
a sua força se origina do Id. Ele não tem
existência á parte do Id, nunca se torna
completamente independente dele. Seu papel
principal é o de intermediário entre as
exigências pulsinonais do organismo e as
condições do ambiente. Seus objetivos constituem
em manter a vida do indivíduo e garantir a
reprodução da espécie.
O Superego
– O terceiro e último sistema da personalidade a
desenvolver-se é o superego. Ele e o
representante interno dos valores e idéias
tradicionais da Sociedade, transmitidos pelos
pais e reforçados pelo sistema de recompensas e
castigos impostas à criança. O superego é a arma
moral da personalidade psíquica; representa mais
o ideal que o real e luta mais para a perfeição
que para o prazer. Sua preocupação principal é
decidir se alguma coisa é certa ou errada, de
modo que o indivíduo possa agir em harmonia com
os padrões autorizados pelos agentes da
sociedade.
Como árbitro
moral internalizado o Superego se desenvolve em
função do sistema de recompensas e punições
colocado pelos pais. Para obter recompensas e
evitar punições a criança aprende a conduzir-0se
de acordo com as normas ditadas pelos pais.
O Superego tem
como que dois subsistemas: a “consciência” –
onde estão as punições e o “ideal do ego” onde
estão as ações merecedoras de aprovação.
O mecanismo de
internalização chama-se INTROJEÇÃO.
PULSÃO – é uma
representação psicológica inata de uma fonte
somática de excitação. A representação
psicológica chama-se desejo, e a excitação
corpórea chama-se necessidade.
“O ego serve a
três senhores”.
O Ego é o
executivo da personalidade psíquica porque
controla os portas de entrada para a ação,
seleciona os aspectos do meio aos quais reagirá
e decide quais são as pulsões a serem
satisfeitas e de que modo. No desempenho dessas
altas funções executivas o Ego tem que procurar
integrar as exigências muitas vezes antagônicas
do Id, do superego e do Meio Externo. Esta é uma
tarefa difícil que pesa sobre o Ego.
“O Superego é o
herdeiro do complexo de Édipo”.
É por que
podemos assegurar que a instalação do Superego
pode ser classificada como exemplo bem-sucedido
de identificação com a instancia parental. O
fato que fala decisivamente a favor desse ponto
de vista é que essa nova criação de uma
instância superior dentro do Ego está muito
intimamente ligada ao destino do complexo de
Édipo, de modo que o superego surge como o
herdeiro desse vinculação afetiva tão importante
para a infância. Abandonando o complexo de
Édipo, uma criança deve renunciar às intensas
catexias objetais que depositou em seus pais e é
como compensação por essa perda de objetos que
excite uma intensificação tão grande das
identificações com seus pais, as quais
provavelmente há muito estiveram presentes em
seu Ego.
Uma
investigação atenta mostra que o superego é
tolhido em sua força e crescimento se a
superação do complexo de Édipo tem êxito apenas
parcial. No decurso do desenvolvimento, o
superego também assimila as influências que
tomaram lugar dos pais – educadores e
professores, pessoas escolhidas como modelos
ideais. Normalmente o Superego se afasta mais e
mais das figuras parentais originais; torna-se
digamos assim mais impessoal. E não se deve
esquecer que uma criança tem conceitos
diferentes sobre seus pais, em diferentes
períodos de sua vida. À época que o complexo de
Édipo da lugar ao superego, eles são algo de
muito extraordinário; depois, porém, perdem
muito desse atributo.
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