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Perda auditiva pode ser
agravada pela poluição sonora
A poluição sonora
é uma realidade no estilo de vida moderno,
especialmente nas grandes cidades e afeta a
saúde das pessoas dos mais diversos modos,
especialmente a audição
A poluição sonora ocorre quando o som altera a
condição normal de audição num determinado
ambiente. Embora ela não se acumule no ambiente,
como outros agentes poluentes, ela pode causar
vários danos à audição, à qualidade de vida e
bem-estar das pessoas.
“O ruído é o que mais colabora para a existência
da poluição sonora e é provocado pelo som
excessivo das ruas e avenidas, canteiros de
obras, meios de transporte, áreas de recreação,
por exemplo. Estes sons promovem desarmonia e
provocam efeitos negativos para o sistema
auditivo das pessoas, além de provocar
alterações comportamentais e orgânicas”, revela
Julio Miranda Gil, otorrinolaringologista,
especialista em cirurgia plástica facial, e
médico colaborador do Grupo de Cirurgia Plástica
Facial do Hospital das Clínicas.
Para entender mais como o uso frequente de fones
de ouvido com altura inadequada, ambientes de
baladas e outros fatores externos podem
influenciar na perda auditiva, Julio Gil indica
como se prevenir contra os danos acústicos.
1. A população urbana está em constante
exposição a barulhos ou ruídos, seja no ambiente
de trabalho, nas ruas, ou, até mesmo, em
ambientes de lazer. Como esta poluição sonora
pode causar traumas auditivos?
Os traumas auditivos, ou ainda, as perdas
auditivas induzidas por níveis de pressão sonora
elevados, sempre foram considerados doenças
ocupacionais que surgem durante um emprego que o
trabalhador não usa o equipamento de proteção
adequado. Mas, o que se vê hoje em dia, é muito
barulho causado pelo trânsito e por diversas
atividades de lazer como ouvir música com som
muito alto e fones de ouvido ou ainda frequentar
discotecas. Estes dois fatores somados são a
segunda causa mais comum de perda auditiva, com
30% dos casos.
2. Como se prevenir em situações de pressão
sonora elevada?
A prevenção começa a partir do conhecimento de
que a perda auditiva está relacionada com o
volume do barulho e o tempo de exposição. Então,
se a pessoa está em uma discoteca, onde o volume
da música e dos ruídos podem chegar a 100dB
(decibéis), especialmente próximo às caixas de
som, ela deve procurar ir para uma área externa
ou mais calma por cerca de 15 minutos para o
sistema auditivo se reparar. Isso vale também
para situações de trânsito, em que os barulhos
podem chegar até 105 decibéis. Quem trabalha
próximo a pontos de ônibus ou ruas movimentadas,
por exemplo, deve fazer uso de abafadores de
ouvido. Aqueles que estão só de passagem devem
procurar ficar nesse ambiente por, no máximo, 1
hora.
3. Como fica a saúde auditiva quando um
indivíduo usa frequentemente fone de ouvido com
um som acima do permitido?
Perto de 5% das perdas auditivas são creditadas
ao uso de MP3 ou outros aparelhos eletrônicos.
Assim como o trabalhador exposto a um ruído em
uma metalúrgica, o paciente que usa o fone de
ouvido por tempo prolongado e com volume alto
pode desenvolver perda auditiva. Por isso, a
orientação é que o volume do fone de ouvido deva
ser ajustado em um ambiente silencioso. Conforme
a pessoa vai a rua ou a algum lugar com ruído
externo, o volume deste som NÃO deve ser
aumentado, o mesmo valendo para quando se escuta
música dentro do carro. O ideal é ajustar o
volume sempre no silêncio e não ir aumentando
conforme se aproxima do trânsito com a janela
aberta. Se o som do fone de ouvido é percebido
por alguém a mais de 1 metro de distância, é
sinal que está muito alto. Opte sempre pelos
aparelhos mais modernos que possuem limitador de
volume e, mesmo assim, acerte o volume para 60%
do limite do aparelho, no máximo.
4. Qual o nível de decibéis permitido para o
ouvido?
Os limites de tolerância para ruído ou barulho
variam de acordo com a intensidade (volume) e o
tempo de exposição, sendo que esta começa a ser
lesiva a partir de 85dB. Por exemplo, a 85dB o
indivíduo pode permanecer até 8 horas neste
volume, a 90dB, 4 horas, 100dB 1 hora, 110dB por
15 minutos e 115dB por 7 minutos.
5. Uma pessoa exposta constantemente a ruídos
chega a ter algum tipo de perda auditiva? Em que
grau?
A perda auditiva pode permanecer e tende a ser
maior quanto mais tempo a pessoa é exposta. A
perda costuma ser neurossensorial, ou seja,
acomete o nervo auditivo, é irreversível e pode
ser de leve a moderada, com perda de até 40% da
audição.
6. Uma pessoa que tem por hábito falar num tom
alto pode ter predisposição a ter perda
auditiva?
Toda pessoa que fala em um tom alto deve ser
submetida a uma audiometria, embora na maioria
dos casos é um costume individual ou familiar,
como o de ouvir música e televisão muito alto.
7. Quais os principais fatores envolvidos com a
perda auditiva?
Existe a exposição ao ruído e a predisposição
individual, sendo que se sabe que o paciente
branco é mais susceptível que o negro e,
principalmente, os com olhos azuis.
8. Como é realizado o diagnóstico de perda
auditiva?
Deve ser realizada em consulta médica, onde se
faz exame físico específico dos ouvidos e após
um exame audiométrico.
9. É possível reverter um quadro onde o paciente
apresenta algum trauma auditivo?
Se o trauma for agudo existem algumas medicações
possíveis, porém se for crônico é irreversível.
Fontes:
Site UOL, pela Redação
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, 12 abril 2010.
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