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É mais saudável ingerir a fruta ou tomar o
suco?
Verão: aproveite para descobrir as frutas e
por que elas fazem bem à saúde
Cheirosas, coloridas, saborosas, as frutas
ocupam lugar de destaque nas bancas das feiras
e gôndolas de supermercados, especialmente no
verão.
O Brasil tem o privilégio de cultivar centenas
de espécies e de oferecer boa parte delas a
baixo custo, especialmente as chamadas frutas
da estação. Além de saborosas, as frutas são
fundamentais para a boa saúde, oferecendo
vitaminas, sais minerais e fortalecendo as
defesas do organismo. As propriedades
benéficas para a saúde estão presentes nas
frutas cruas e batidas em forma de suco.
Especialmente no verão, tomar suco virou uma
maneira saudável de se refrescar.
Acostumados com tanta fartura, nem imaginamos
que o hábito de comer frutas e tomar sucos é
bastante recente. Até o século 19, a maioria
das civilizações não incluía as frutas na
alimentação. As frutas nem precisam de muitas
explicações para que a gente goste delas,
bastam os adjetivos. Elas são coloridas, são
tenras, macias, suculentas, são azedinhas, bem
docinhas, irresistíveis.
Pois o sabor e o colorido das frutas são duas
marcas registradas do verão. Para quem se
queixa do calor, as frutas são consolos
refrescantes, batidas com muito gelo e água e
servidas como suco. Para aqueles que já gostam
das estações quentes, as frutas só acrescentam
prazer aos dias de verão.
Antes de provocar água na boca, as frutas já
são de prender o olhar. Eu costumo dizer que
também se come com os olhos, pois a aparência
das comidas e o arranjo dos pratos têm muita
importância no sabor e mesmo na qualidade da
alimentação.
As frutas costumam estar presente em toda
parte, mas nesta época do ano, especialmente,
sua abundância permite que sejam transformadas
em verdadeiros arranjos. As feiras livres, que
conservam a tradição de servirem as frutas
mais frescas, e que exibem todas as variedades
da estação, costumam transformar suas bancas
num balcão colorido e tentador.
Por causa da grande oferta dessa época, os
preços ficam muito acessíveis e as opções
intermináveis. O supermercado aprendeu com as
feiras e está disputando a clientela com
variedade, bom preço e qualidade, com a
vantagem de manter suas ofertas a semana toda.
Algumas redes estão indo mais longe, trazendo
de países distantes frutas especiais que nunca
imaginamos em nosso cardápio. Claro, custam
mais caro, mas quem não gosta de experimentar
um sabor estranho de vez em quando?
As frutas e a saúde
Só o sabor e a fartura das frutas em nosso
país já seriam argumentos suficientes para
incluirmos seu consumo no nosso cardápio
cotidiano. Mas há outras razões, muito
importantes para nosso organismo, que cada vez
mais vêm sendo destacadas pelas pesquisas e
por especialistas. O fato é que as frutas de
um modo geral trazem uma grande contribuição à
nossa saúde.
São fontes de vitaminas e sais minerais,
contribuem para fortalecer o sistema
imunológico, têm ação específica na prevenção
e controle de algumas doenças, ajudam na
redução dos níveis de gordura do sangue, além
de facilitar o desempenho de todo o sistema
digestório.
Com tantas propriedades, o consumo de frutas
interfere em praticamente todas as ações do
nosso organismo, combatendo desde doenças
alérgicas como a asma até enfermidades graves
como vários tipos de câncer. Por conterem
muitas fibras, substâncias que não são
digeridas, as frutas são de grande valia para
o trato intestinal. Quem come pelo menos duas
porções de frutas por dia, qualquer que seja
essa fruta, terá muito mais chance de evitar a
constipação, um problema que provoca desde mau
humor até câncer do intestino.
Quando me perguntam quais são as frutas mais
indicadas, costumo dizer que o mais importante
é consumí-las, sejam elas frutas exóticas,
silvestres, ou as frutas mais comuns das
nossas estações, como a laranja, o abacaxi, o
caqui e a melancia. É certo que as pesquisas
em nutrição e saúde estão hoje buscando as
propriedades próprias de cada alimento, aqui
incluídas as frutas.
Esses alimentos com funções especiais, capazes
de prevenir ou controlar o avanço de certas
doenças, são conhecidos como funcionais. Já
está provada, por exemplo, a capacidade que as
frutas cítricas tem de prevenir certos tipos
de câncer. Da mesma forma que certas
substâncias da maçã são capazes de reduzir o
colesterol, diminuindo o risco de doenças
cardiovasculares.
Ao lado dessa ação funcional, os alimentos têm
propriedades reconhecidas pelo uso popular e
aceitas no meio médico. Os pêssegos, por
exemplo, têm uma discreta ação laxante, além
de serem ricos em potássio. Os mamões, papaias
e outros, contêm papaínas, substâncias ativas
contra as úlceras de estômago, estando também
entre as frutas que mais fornecem potássio e
magnésio. O abacaxi, uma das frutas mais
cheirosas da estação, é rico em iodo, que atua
positivamente na função da tireóide. Em suco
ou em pedaços.
Frutas ou sucos?
Outra pergunta que me fazem com freqüência é
com relação às vantagens e desvantagens entre
ingerir a fruta em forma de suco e consumí-la
crua e em pedaços. Costumo dizer que, no
geral, não há grande diferença, desde que o
suco natural (não coado) seja feito na hora e
consumido em seguida. O suco de laranja que
fazemos em casa, por exemplo, tende a perder
suas propriedades depois de algumas horas,
mesmo mantido em geladeira.
Os bons sucos naturais industrializados, que
não se estragam rapidamente porque são
"protegidos" por conservantes, costumam manter
quase todas as propriedades de um suco fresco,
com a vantagem de poder ser armazenado e
tomado a qualquer hora.
Mas, já que falamos no prazer que as frutas
nos proporcionam, vale lembrar que tomar um
suco de fruta natural, nesses dias de verão,
não tem sabor que se compare. Levar as frutas
para casa e preparar o suco nós mesmos, com a
nossa receita preferida, é um prazer
adicional, mesmo considerando o trabalho.
Certamente por conta do calor e da fartura de
nossas frutas, o suco natural passou a ser
"mercadoria" presente em todo o comércio, nos
últimos 20 a 30 anos. As casas de suco
passaram a ter tanta importância quanto as
choperias, sorveterias e cafés. Nos shoppings
centers, entre a garotada, ainda não dá para
dizer que o suco de frutas é o preferido. Mas
em todo o país, não há capital que não exiba
suas casas de "sucos e batidas", onde ao lado
de abacaxis, laranjas e bananas, estão
expostas as frutas mais estranhas, como o
cupuaçu e o tamarindo.
Entre morder a fruta e beber o suco, continuo
dizendo que o mais importante é ingerir a
fruta. A água que se adiciona ao suco, desde
que seja absolutamente potável, vem suprir a
necessidade de líquido do nosso organismo. Por
outro lado, ao mastigarmos a fruta crua,
estaremos estimulando todo nosso sistema
digestório.
No tempo dos Faraós
Várias das frutas conhecidas nossas já eram
cultivadas nas terras bem irrigadas pelo rio
Nilo, no Egito Antigo, cenário que nos leva a
pensar na produção de frutas às margens do rio
São Francisco. Plantava-se pepinos e melões,
ao lado do grão de bico, favas e lentilhas.
Figos e abacates eram cultivados nos pomares,
além das nozes e as tâmaras do deserto.
Com o intercâmbio com outros países, sobretudo
asiáticos, foram introduzidos nos pomares a
macieira, a romã e a oliveira. Só a partir da
época greco-romana, bem mais tarde, as frutas
cítricas passaram a ser cultivadas no Egito.
As frutas nunca deixaram de estar presente nos
cardápios do homem ao longo da história, mas
por milhares de anos tiveram apenas um papel
suplementar. Na baixa Idade Média,
especialmente no centro-norte da Itália, as
árvores de fruta eram consideradas um estorvo
para a cultura dominante e de maior valor nos
mercados. Foi graças à insistência de
proprietários urbanos mais exigentes que
algumas frutas foram cultivadas, como sinais
de bom gosto e poder social, e indicadas como
presente. O povo mesmo, não comia nem se
interessava pelas frutas.
Segundo os historiadores, poucas civilizações
utilizaram as frutas e legumes como
integrantes de sua alimentação. No início do
século XIX, o desenvolvimento das técnicas de
conservação por esterilização pelo calor
permitiu a fabricação das mais variadas
conservas. Foi a chegada dos procedimentos de
conservação que deram outra dimensão ao
mercado internacional de frutas.
Não era possível falar em frutas frescas numa
época em que as viagens tomavam semanas. Em
1876, um francês inventou um navio com sistema
de refrigeração para proteger os alimentos.
Novos aperfeiçoamentos no início do século 20
colocaram nas rotas caminhões, trens e navios
com contâineres refrigerados. No início da
década de 30, o custo por esse transporte nos
EUA já tinha caído para menos de 15% do preço
do alimento vendido ao consumidor.
Daí para frente, os preços dos transportes só
foram reduzidos e a procura por frutas de
outras regiões, especialmente as tropicais, só
aumentaram.
Hoje, como já dissemos, os supermercados
exibem frutas do mundo inteiro. E novas
técnicas de plantio e conservação permitem que
tenhamos as frutas da estação disponíveis em
todas as estações do ano. E por preços
bastante acessíveis. Tudo isso é motivo para
comermos mais frutas. E tomarmos mais sucos.
Fontes:
Provedor UOL, por Jocelem Salgado
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, 2 fevereiro 2010.
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