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Esclerose Múltipla, A doença do imprevisto
A esclerose múltipla, uma patologia degenerativa
que afeta principalmente pessoas com idade entre
20 e 40 anos, muitas vezes é confundida com
stress; diagnóstico precoce é fundamental para
manter a qualidade de vida do paciente por
Luciana Christante
Quando se fala em doenças neurodegenerativas, a
maioria das pessoas logo pensa em idosos com
limitações físicas e principalmente cognitivas,
que os impedem de levar uma vida autônoma, como
no Alzheimer ou no Parkinson, por exemplo.
Embora a esclerose múltipla pertença à categoria
de distúrbios que provoca degeneração
neurológica, difere em pelo menos dois aspectos.
Em primeiro lugar porque nessa patologia a
incapacidade física é bem mais pronunciada que a
cognitiva, o que à primeira vista poderia até
ser um atenuante, não fosse pela segunda
característica: a doença se manifesta quase
sempre entre os 20 e os 40 anos, isto é, no auge
da vida produtiva do indivíduo. O choque do
diagnóstico, que costuma vir depois de uma
via-sacra por vários médicos e pode levar anos,
traz inicialmente a revolta e, depois, o medo de
que as seqüelas sabotem pouco a pouco a vida
profissional, pessoal e familiar, afligindo
principalmente aqueles com filhos para criar e
os que ainda desejam tê-los.
A doença é progressiva e não tem cura. Os
medicamentos surgidos nos últimos 15 anos têm
conseguido diminuir a velocidade de seu avanço
na maioria dos pacientes, com melhores
resultados quando o diagnóstico é precoce, o que
ainda é um desafio para os médicos. Novos
remédios, que devem ser lançados em breve,
prometem melhor eficácia – mesmo assim
dificilmente dispensarão a reabilitação física e
o acompanhamento psicológico, parte
indispensável do tratamento.
Quase tudo nesta doença é imprevisível, a
começar pelos sintomas, que se manifestam em
surtos de intensidade e duração variáveis e
podem incluir visão embaçada, fadiga, espasmos
musculares, falta de equilíbrio, dormência em
qualquer parte do corpo, urgência ou
incontinência urinária, problemas de memória,
dificuldades na fala, entre outros. Tais
sintomas, porém, raramente aparecem juntos no
mesmo paciente – a velha máxima “cada caso é um
caso” nunca foi tão verdadeira como no da
esclerose múltipla. Entre dois surtos, um
período de remissão de duração também variável
pode dar a impressão, nos que ainda não foram
diagnosticados, de que o problema não é grave. “Como
é passageiro, a maioria das pessoas não dá
importância e não procura o médico. Alguns acham
que é culpa do stress”, diz Maria
Cristina Giácomo, coordenadora do departamento
científico da Associação Brasileira de Esclerose
Múltipla (Abem). Mais cedo ou mais tarde, no
entanto, os sintomas voltam e com o passar do
tempo sua recorrência vai deixando marcas
irreversíveis.
A esclerose múltipla se caracteriza por focos
de desmielinização no sistema nervoso central
– o que inclui cérebro, tronco cerebral e
medula espinhal. Em outras palavras, os
neurônios perdem progressivamente a bainha de
mielina que os recobre. À medida que esse
revestimento se degenera, a transmissão dos
impulsos nervosos fica mais lenta e os
sintomas, mais evidentes. Se a doença não for
contida, a lesão do axônio é inevitável e
também irreparável. Essa desmielinização não
ocorre de forma homogênea, mas em focos
localizados principalmente em áreas motoras e
sensoriais.
Nos últimos dez anos, a ressonância magnética se
tornou uma ferramenta indispensável aos médicos
para avaliar a extensão das lesões e definir as
estratégias do tratamento, até mesmo quando a
doença parece estar silenciosa. “Muitas
vezes o paciente está clinicamente bem, sem
surtos, mas a ressonância mostra que a
desmielinização está progredindo”,
explica a neurologista da Abem. O fenômeno é
chamado “paradoxo clínico-radiológico” e revela
que não há coincidência temporal entre surtos e
lesões. Os pesquisadores ainda tentam entender
como isso ocorre.
Outro aspecto intrigante da esclerose múltipla,
que também só foi revelado pela ressonância
magnética, é a capacidade do sistema nervoso de
reverter, até certo ponto, o processo de
degeneração da mielina, principalmente nos
primeiros anos da doença – o que pode ser
observado pelo desaparecimento de focos de
desmielinização (que ainda não resultaram em
lesão axonal, obviamente). Mais uma razão pela
qual os médicos se esforçam para iniciar o
tratamento o mais cedo possível.
FOGO AMIGO
Para entender por que a mielina dessas pessoas
se degenera é preciso deixar os limites do
sistema nervoso central e adentrar num terreno
tão ou mais desafiador: o sistema imunológico. A
esclerose múltipla é uma doença de origem
auto-imune, assim como a artrite reumatóide, o
lúpus, a psoríase, entre outras. Por uma falha
genética, o bombardeio imunológico dirigido a um
agente externo (um vírus ou uma bactéria) acaba
inadvertidamente atacando alguma parte do corpo
– uma espécie de “fogo
amigo”. Na artrite reumatóide, o alvo
equivocado são as articulações; na psoríase, a
pele; na esclerose múltipla, a mielina (apenas a
do sistema nervoso central, nervos periféricos
não são afetados). Os mecanismos celulares que
resultam nesse ataque são extremamente
complexos, razão pela qual a grande maioria das
doenças auto-imunes é difícil de tratar e
impossível de curar.
Os pesquisadores já conhecem algumas variações
genéticas relacionadas à esclerose múltipla.
Diversos genes estão envolvidos, quase todos
localizados numa região do cromossomo 6
conhecida como complexo maior de
histocompatibilidade. Ali são codificadas
proteínas da membrana celular que o sistema
imunológico utiliza para reconhecer o que é
próprio e o que é estranho ao organismo. De
forma geral, essas variações genéticas são mais
comuns na população caucasiana e mais raras em
pessoas com ascendência asiática, indígena ou
africana. Mas apesar deste forte componente
genético, a doença não é hereditária, pois
fatores ambientais também são decisivos para seu
aparecimento.
A prevalência da esclerose múltipla no Brasil é
relativamente baixa e varia de região para
região. Estudos epidemiológicos indicam que no
nordeste existem cerca de três portadores a cada
00 mil habitantes, já no sudeste esse úmero
aumenta seis vezes (estima-se cerca de 35 mil
portadores no aís). As revalências mais altas do
mundo são encontradas no Canadá e nas nações
escandinavas: em torno de 80 pacientes cada 100
mil habitantes. Além do fato e a população
desses países ser quase toda caucasiana
(enquanto no Brasil impera a miscigenação), essa
disparidade geográfica também é fortemente
influenciada pela luz solar.
A exposição à luz ultravioleta protege as
pessoas que têm alguma predisposição genética,
porque estimula a síntese de vitamina D3,
fundamental na modulação do sistema imunológico
nos primeiros anos de vida, particular mente dos
linfócitos do tipo TH2. Esta subpopulação de
células da linhagem branca do sangue tem função
antiinflamatória e, uma vez estimulada, pode
compensar a ação pró-inflamatória dos linfócitos
TH1, que se encontram hiperativos na esclerose
múltipla. São eles que, uma vez deflagrada a
doença, atravessam a barreira hemato-encefálica
e coordenam o ataque à bainha de mielina.
Algumas evidências sugerem ainda um pico de
prevalência da doença entre pessoas nascidas no
hemisfério norte no mês de maio, o que significa
que a gestação transcorreu durante o inverno,
quando as noites são mais longas e os dias menos
ensolarados.Segundo o neurologista Dagoberto
Calegaro, presidente do Comitê Brasileiro de
Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla (BCTRI
MS, na sigla em inglês), a alimentação rica em
vitamina D3 – como a gordura animal,
particularmente de peixes – exerce proteção
semelhante. “Aquela antiga
prática de dar óleo de fígado de bacalhau às
crianças tinha lá seu fundamento”, diz. A
ingestão desse nutriente explica ainda por que
há menos casos da doença no norte da Noruega
(região pesqueira, menos exposta aos raios
ultravioleta) do que no sul.
Os países do hemisfério norte também têm mais
casos de esclerose múltipla – e de várias outras
doenças auto-imunes – por uma razão
socioeconômica. Ironicamente, a prevalência
destes distúrbios diminui quanto piores forem as
condições de higiene. Segundo a hipótese, quanto
mais infecções uma pessoa contrai nos primeiros
anos de vida, mais protegida fica contra doenças
auto-imunes na idade adulta – raciocínio que
também se aplica às alergias. No caso da
esclerose múltipla, evidências mostram que a
infestação por parasitas na infância diminui o
risco de desenvolver o distúrbio. Segundo
Calegaro, estudos sugerem também uma associação
entre parasitismo intestinal e menor ocorrência
de surtos da doença, já que as parasitoses,
assim como a vitamina D3, estimulam os
linfócitos TH2.
Nessa gangorra em que de um lado está a
predisposição genética e, de outro, os fatores
ambientais, o gatilho que deflagra a patologia é
uma infecção sobre a qual ainda se sabe muito
pouco. Suspeita-se da ação do vírus Epstein-Barr,
associado a grande número de doenças, incluindo
alguns tipos de câncer. Esse microorganismo é
amplamente difundido na natureza e até 80% da
população adulta apresenta anticorpos contra
ele, o que quer dizer que já foram infectados,
na maioria das vezes de forma assintomática.
Uma vez diagnosticada a esclerose múltipla, o
desafio dos neurologistas é prevenir novos
surtos. Nos últimos 15 anos isso tem sido feito
com medicamentos imunomoduladores que visam
atenuar o processo inflamatório subjacente e
impedem a ocorrência dos sintomas em até 40%.
Existem quatro remédios disponíveis no mercado,
todos muito caros – o tratamento pode custar até
R$ 40 mil por ano. A maioria dos pacientes os
recebe gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde
(SUS), embora problemas de distribuição não
sejam raros em muitos locais. Segundo Maria
Cristina Giácomo, os quatro imunomoduladores são
bastante semelhantes em termos de eficácia, mas
a resposta do paciente, os efeitos colaterais e
a adaptação ao esquema de injeções (que pode
variar de semanal a três vezes por semana) são
os fatores que vão definir qual o melhor remédio
para cada um – o que, obviamente, implica um
determinado período de tentativa e erro. Quando
os surtos são inevitáveis, são necessárias
drogas antiinflamatórias (corticóides) ou
imunossupressoras (como as usadas em
transplantados).
O acompanhamento psicológico é parte fundamental
do tratamento, segundo a neurologista da Abem. “A
esclerose múltipla muda muito a vida da pessoa,
principalmente na área profissional. O impacto é
muito forte, muitos pacientes sofrem de
depressão.” A fisioterapia e a terapia
ocupacional são importantes para que o indivíduo
se adapte às limitações motoras, aprendendo
certos movimentos que compensem habilidades
comprometidas e corrigindo a postura de modo a
não prejudicar a coluna, por exemplo. Já a
reabilitação fonoaudiológica visa contornar
dificuldades na fala de alguns deles, que não
raro são vítimas de preconceitos e mal
entendidos, pois as pessoas tendem a julgá-los
embriagados. Problemas cognitivos podem ocorrer,
mas são menos comuns. “Não
se trata de um quadro de demência, como em
outras doenças neurodegenerativas, mas de um
processamento mais lento da memória e do
raciocínio, reflexo da desmielinização, pois a
condução dos impulsos nervosos fica menos
eficiente”, afirma Giácomo. A acupuntura
é muito usada para aliviar dores e, como
conseqüência, melhorar a qualidade do sono.
Outro aspecto imprevisível da esclerose múltipla
é sua evolução. Embora entre 80% a 90% dos
pacientes apresentem a forma
remitente-recorrente (surtos intercalados por
remissões), em metade deles a doença começa a
progredir rapidamente depois de dez ou 15 anos,
com forte piora dos sintomas e do grau de
incapacidade. A forma progressiva também pode se
manifestar desde o início, o que ocorre em até
10% dos pacientes, principalmente nos que
tiveram os primeiros sintomas depois dos 40
anos. Em uma minoria dos casos, a esclerose
múltipla é considerada benigna: depois de um ou
dois surtos de recuperação completa, a doença
estaciona e a incapacidade é mínima. Para os
neurologistas, seria de grande utilidade para o
tratamento se houvesse algum tipo de marcador
que os ajudasse a prever esse curso, mas todas
as tentativas até o momento falharam.
Novos tratamentos, atualmente em fase avançada
de desenvolvimento, têm dois objetivos: diminuir
ainda mais a ocorrência de surtos e atender a
uma pequena parcela dos pacientes que não
respondem a nenhuma droga. Há uma grande
expectativa em relação às terapias biológicas,
representadas por um grupo de medicamentos
conhecidos como anticorpos monoclonais e que já
vêm sendo usados com bons resultados na artrite
reumatóide e no lúpus. “Os
ensaios clínicos têm mostrado que os anticorpos
monoclonais são mais eficazes na prevenção dos
surtos e nas formas progressivas”, diz
Dagoberto Calegaro. O médico ressalta, porém, a
preocupação com a segurança que esses fármacos
oferecem, principalmente depois do que aconteceu
com o natalizumabe, o primeiro anticorpo
monoclonal aprovado para a esclerose múltipla em
2004. Três anos depois o medicamento foi
retirado do mercado devido a alguns casos de
morte por infecção oportunista (o natalizumabe
não chegou a ser vendido no Brasil). Essa,
aliás, é uma característica dos anticorpos
monoclonais que já levou alguns deles a destino
semelhante em outras doenças. São drogas
altamente específicas, que podem causar efeitos
adversos mais raros, mas quando eles ocorrem, a
tendência é que sejam mais graves.
CÉLULAS-TRONCO
Atualmente os pacientes que não respondem ao
tratamento convencional com imunomoduladores têm
apenas uma opção: o transplante de
células-tronco adultas, já realizado no Brasil.
Por ser muito agressivo, é usado apenas como
último recurso. O princípio é o mesmo do
transplante de medula óssea utilizado em alguns
tipos de leucemia. Células-tronco adultas são
retiradas da medula óssea da própria pessoa, que
em seguida é submetido a forte carga de
quimioterapia para que seu sistema imunológico
seja totalmente suprimido. Obviamente, é preciso
que nessa fase ela esteja internada e receba
cuidados intensivos, pois qualquer infecção
nesse momento poderia ser fatal. Depois as
células-tronco são reinjetadas na corrente
sangüínea, e em pouco tempo dão origem a um
sistema imunológico “novo”
– e sadio.
Segundo o hematologista Nelson Hamerschlak, do
Hospital Israelita Albert Einstein, o
transplante não reverte lesões já ocorridas, mas
pode estabilizar a doença em 70% dos casos. “Muitas
vezes, no entanto, ela retorna depois de alguns
anos, mas mesmo assim vale a pena do ponto de
vista da qualidade de vida. Os melhores
resultados são obtidos quando a doença não está
tão avançada”, afirma o médico. No
Brasil, o transplante de células-tronco adultas
para esclerose múltipla é feito apenas no
Hospital das Clínicas da Universidade de São
Paulo em Ribeirão Preto e no Hospital Albert
Einstein em São Paulo.
Conceitos-chave
A esclerose múltipla é uma doença auto-imune,
progressiva e ainda sem cura. Medicamentos fazem
diminuir seu avanço na maioria dos pacientes,
com melhores resultados quando o diagnóstico é
precoce. Terapias de reabilitação física e
acompanhamento psicológico são fundamentais.
A patologia se caracteriza pela desmielinização
no sistema nervoso: os neurônios perdem
progressivamente a bainha de mielina que os
recobre, dificultando a transmissão de impulsos
nervosos, o que evidencia os sintomas. Esse
processo afeta principalmente áreas motoras e
sensoriais.
A luz ultravioleta tem efeito protetor sobre
indivíduos com propensão genética à doença. Ela
estimula a síntese de vitamina D3, fundamental
na modulação do sistema imunológico nos
primeiros anos de vida, particularmente dos
linfócitos do tipo TH2.
De Charcot à neuroimagem
A
esclerose múltipla foi caracterizada pelo
neurologista francês Jean-Martin Charcot (1825-
1893) há 140 anos. Segundo a chamada tríade de
Charcot, os três principais sintomas
compreendiam disartria, ataxia e tremor, embora
alterações cognitivas, como capacidade de
memorização mais lenta, também tenham sido
observadas pelo médico parisiense. As lesões
neurológicas típicas da doença, que naquela
época só podiam ser observadas na autópsia, hoje
são acompanhadas pela ressonância magnética, que
se tornou uma ferramenta indispensável tanto
para o diagnóstico como para o acompanhamento da
evolução desta patologia.
Diário de um homem desapontado
A esclerose múltipla deu origem a um dos
melhores diários da literatura britânica,
segundo alguns críticos. The journal of a
disappointed man narra a vida do naturalista
inglês Bruce Frederick Cummings (1889-1919),
funcionário do Museu Britânico, que foi
diagnosticado aos 26 anos, quando tentou se
integrar às tropas que combatiam na Primeira
Guerra Mundial. Usando o pseudônimo W. N. P.
Barbellion, o autor faz um relato que combina
reflexões filosóficas, fria resignação e um
estilo que remete a James Joyce e Franz Kafka,
expondo com elegância e ironia a lenta
devastação causada pela doença contra a qual a
medicina da época podia fazer muito pouco.
O livro foi publicado em 1919, ano da morte de
Cummings, com prefácio do escritor britânico H.
G. Wells, um dos ícones da literatura de ficção
científica, o que levou muitos leitores a pensar
que se tratava de uma obra de ficção do próprio
Wells. As primeiras edições foram um sucesso de
vendas na Inglaterra e nos Estados Unidos, mas o
livro acabou caindo no esquecimento do público
depois da Segunda Guerra, mas ainda pode ser
encontrada em formato de bolso em países de
língua inglesa. Muitas associações de apoio aos
pacientes com esclerose múltipla também a
reeditaram e a traduziram, como forma de
incentivar uma melhor compreensão da dimensão
psicológica da doença, tanto por parte dos
portadores como das pessoas que convivem com
eles. O original está disponível na íntegra, na
forma de blog, no endereço: www.pseudopodium.
org/barbellionblog. A obra nunca foi editada em
português.
“O
sofrimento não apenas
isola sua vítima. Ele a joga numa ilha de um
oceano deserto, de onde ela vê os homens como
navios passando ao longe.“W. N. P. Barbellion
CRIANÇAS, ADOLESCENTES E GRÁVIDAS
O diagnóstico da esclerose múltipla em crianças
e adolescentes tem sido cada vez mais comum.
Estima-se que em até 5% dos portadores a doença
se manifeste antes dos 16 anos, e em alguns
casos raros ela já foi detectada antes dos 5
anos. Os sintomas podem ser um pouco diferentes
da forma adulta, incluindo convulsões. Como a
criança não consegue expressar muito bem o que
está sentindo, o problema geralmente passa
despercebido pelos pais. Mesmo entre médicos
pode haver confusão, não sendo raro esses
pacientes serem tratados como se tivessem
meningite ou encefalite.
A evolução da esclerose múltipla infantil ou
juvenil parece ser mais lenta, no entanto, se
não for tratada, os pacientes podem acumular um
grau significativo de incapacidade até a idade
adulta, que geralmente compromete seu desempenho
escolar e psicossocial. O tratamento é
essencialmente o mesmo, embora os medicamentos
sejam usados em doses mais baixas.
Como a doença atinge preferencialmente mulheres
em idade fértil, a questão da gravidez deve ser
vista com cuidado e se possível deve ser
planejada junto com o neurologista, porque a
gestação requer a suspensão dos medicamentos.
Isso não chega a ser um sério problema porque os
surtos são raros nessa fase devido às alterações
hormonais no organismo da mulher, que exercem
efeito protetor. O pior vem depois do parto,
quando a probabilidade de novas crises aumenta
em até 50%, e a reintrodução dos remédios para
contê-las significa interrupção da amamentação.
PARA CONHECER MAIS Associação Brasileira de
Esclerose Múltipla –
www.abem.org.br
Esclerose múltipla – Deixando a doença nos
ensinar. Belik. Ícone, 1999.
Esclerose múltipla no Brasil – Aspectos
clínicos e terapêuticos. Charles Peter Tilbery.
Atheneu, 2005
Luciana Christante é farmacêutica e jornalista
científica.
Fontes:
Revista Mente e Cérebro, por Luciana Christante
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, 29 março 2010.
(12.005)
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