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A Depressão
A
depressão é tão natural no ser humano quanto o amor. Isso porque a depressão, a
revolta e o sofrimento estão relacionados ao amor às coisas, às pessoas, às
situações ou a um ideal. Mas, no fundo, o que realmente estamos amando é
a nós mesmos mais do que aos outros, isso porque quando amamos alguém ou algo
sempre esperamos um retorno, mesmo inconscientemente. Só que nossa mente
disfarça esse egoísmo de várias formas. Quando esse
retorno não vem - e uma hora ele não virá - sofremos, e uma das formas de
sofrimento é a depressão.
O budismo veio para resolver
de vez as causas do sofrimento. Então, por que ele não é ensinado nas escolas?
Porque o apego é a força motora da sociedade. Seja no trabalho, seja na família.
Mas será que o cristianismo, tão difundido no ocidente (e ensinado nas escolas)
não poderia resolver? Sim, e o verdadeiro cristianismo (que não é ensinado nas
escolas) nos ensina, assim como o budismo, que estamos perdidos correndo atrás
de ilusões, deixando o mundo fenomênico nos guiar quando deveria ser a nossa
consciência o verdadeiro paradigma moral e social. Mas só o que aprendemos nas
escolas e Igrejas é que Jesus morreu para nos salvar. Puxa, será por isso que o
tema da Caverna de Platão também é pouco explorado nas escolas e faculdades?
Pode apostar que sim.
Então, por que manter esse
status quo e sofrer com a depressão, o "mal do século"? Porque o importante é
ter sucesso, ganhar dinheiro e ser popular... e sempre existem as drogas para
preencher o vazio. Isso mantém a economia em funcionamento, que é o único motivo
pelo qual nós, formiguinhas, estamos aqui.
A
depressão pode envolver questões genéticas (pais a avós com tendência),
psicológicas (idade avançada, fatos traumáticos), sociológicas (pressão da
família, da sociedade), hormonais e fisiológicas (menopausa, depressão
pós-parto, falta de sono). Mas também pode envolver questões espirituais, como
apego, obsessão e culpa de coisas feitas em vidas passadas. É disso que vamos
tratar agora.
Todos nós já tivemos muitas
vidas, já conhecemos muita gente e já fizemos muitas besteiras (e também coisas
boas, claro). Estamos aqui tanto para continuar aprendendo a viver com nossos
semelhantes como pra saldar nossas dívidas para com quem ofendemos. Viemos para
nos harmonizar com o mundo. Inclusive com os barbeiros no trânsito, coisa que eu
acho que nunca conseguirei... Harmonizar-se não quer dizer se tornar um deles,
mas conviver pacificamente com eles, apesar deles. Um yogue estará longe da
iluminação se algum dia ele não perceber que precisa descer do Himalaia e
conviver com a poluição, o trânsito, os aproveitadores, tudo fruto indireto da
sua omissão ao isolar-se e não utilizar sabiamente os talentos que a vida lhe
deu.
Buda fez isso. Jesus, Gandhi, Madre Tereza, Chico Xavier,
Sai Baba (Tá certo que não precisamos ser tão abnegados quanto eles, mas foi só
pra ilustrar a idéia). O fato é que em outras vidas provavelmente
compramos brigas com muita gente vingativa, ou deixamos pessoas em situações
espirituais difíceis, ou vários corações partidos para trás, e nossa consciência
(em algum nível) clama por resolver essas pendengas. E
assim a consciência culpada pode vir a sabotar a nós mesmos, nesta vida, pra
compensar algo do passado, seja num aleijão, ou numa situação social, econômica
ou sentimental adversa, etc. E a depressão acompanha, como um indicativo da
culpa.
Se
um homem fala ou age com uma mente impura, o sofrimento acompanha-o, tal como a
roda de um carro segue o animal que o puxa. (Buda)
Pode-se ter a
obsessão, onde a pessoa (inconscientemente) se permite ser obsediada (também
por culpa), podendo levar a quadros de loucura com internação. Por incrível que
pareça, ainda acontece muito de negros escravos procurarem seus antigos "senhores"
para ajustar contas, seja nascendo na família para reclamar por tudo o que lhe
foi negado ou tirado, ou obsediando do lado de lá. Lembrem que, para a mente
humana na espiritualidade, 500 anos pode não significar nada.
Se no
passado você desgraçou a vida de uma pessoa, e se hoje você está genuinamente
arrependido, geralmente você vai aproveitar uma vida em que você tenha condições
materiais para construir e pavimentar uma vida decente para essa pessoa,
redimindo assim (em sua consciência) seus erros para com ela, por mais que essa
pessoa lhe odeie. Essa pessoa pode vir como seu filho, como aquele amigo que
todo mundo sabe que não presta mas você o ajuda assim mesmo, ou como aquela
garota pela qual você é fascinado, que lhe despreza e mesmo assim você não
suporta que falem nada de ruim dela (e, se preciso for, você se atira na lama
pra ela passar). É tudo uma questão de balanço... Se você foi muito pra um
extremo, tende a ir para o outro na tentativa desesperada de compensar. Mas não
há nada melhor que o equilíbrio.
FILOSOFIA
Nas obras de
Tomás de Aquino, quando ele se refere aos sete pecados capitais não inclui a
preguiça, como muitos pensam (algo que pode muito bem originar-se da esperteza
ou da safadeza), mas sim a
ascídia, que é uma tristeza interior, uma doença da
alma, e não do corpo.
Acho que posso falar de
cátedra sobre isso, pois tenho tendências depressivas desde pequeno, refletidas
numa saudade inexprimível de algo que não sei o que é. Me lembro que, com meus
12 anos, aproveitava os constantes blackouts da cidadezinha de Brasiléia, no
estado do Acre, pra admirar a via láctea, suspirando e ouvindo no rádio de pilha
Sisters of Mercy, uma banda gótica dos anos 80 com maravilhosas canções
depressivas que iam além da barreira linguística.
Quanto
mais alto se ergue, maior a queda. Geralmente tal depressão da alma pode surgir
de um acúmulo de conhecimento sobre o mecanismo da vida. Por exemplo, quando um
trabalhador ganha um aumento, ele pode ser bem-informado e saber que aquilo já
era um direito dele por lei, ou que é apenas uma manobra da empresa pra você não
sondar emprego em outros lugares que paguem melhor, ou que você ainda ganha uma
mixaria em relação ao mesmo empregado de outro estado. Já um ignorante vai ficar
simplesmente feliz. Como diz o personagem Reagan, em The Matrix, "A ignorância é
uma bênção". Pode até ser, mas na verdade ela é uma faca de dois gumes.
Quanto mais scientia (conhecimento), maior a depressão: porque se constata quão
deficientes são as coisas do mundo.(Tomás
de Aquino)
A referência de Tomás ao
Eclesiastes não é casual: Salomão, que tem "mais sabedoria que todos seus
antecessores", verifica - após examinar as coisas mais magníficas - que "tudo é
vento" e "quanto mais conhecimento, mais sofrimento":
Eu, o pregador, fui rei
sobre Israel em Jerusalém. E apliquei o meu coração a inquirir e a investigar
com sabedoria a respeito de tudo quanto se faz debaixo do céu; essa enfadonha
ocupação deu Deus aos filhos dos homens para nela se exercitarem. Atentei para
todas as obras que se e fazem debaixo do sol; e eis que tudo era vaidade e
desejo vão. O que é torto não se pode endireitar; o que falta não se pode
enumerar. Falei comigo mesmo, dizendo:
Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a
todos os que houve antes de mim em Jerusalém; na verdade, tenho tido larga
experiência da sabedoria e do conhecimento. E apliquei o coração a conhecer a
sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras; e vim a saber que também isso
era desejo vão. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o
conhecimento aumenta a tristeza. (Eclesiastes 1:12-18)
Nietzsche e
Foucault concordam que a nossa busca pelo saber se dá não pelo amor ao saber
(filosofia) mas sim pelo temor ao desconhecido. Assim, atribuímos à ciência o
papel de definir o ser humano em suas ciências sociais, como o direito, a
economia, a sociologia, a psicologia, etc, independente do que ele realmente
representa. E, ao fazer isso, a ciência na verdade CRIA uma realidade, pois ela,
assim como nós, não pode penetrar na Verdade das coisas, apenas interpretá-la.
E, como é uma interpretação superficial, mas revestida de caráter quase
dogmático, ela se torna pobre e perigosa, pois interpretações diferentes serão
vistas como desvios comportamentais, loucura, heresia, mentira.
Uma
coisa que pude comprovar claramente em minha vida é que as pessoas têm MEDO de
algo que escape ao mundo que elas conheceram na escola. Espíritos, alienígenas,
governos ocultos, tudo isso soa um alarme na cabeça dessas pessoas e
automaticamente elas entram em um estado de torpor, onde a consciência delas
finge que não está mais ali, apesar de estarem!! Não posso culpá-las, pois mesmo
para mim, que me acho mente-aberta, o choque de paradigmas me foi traumático!
Lembro-me que minha depressão MESMO iniciou-se com força total no dia
07/05/2000, quando por dois dias seguidos tive experiências que demoliram minha
noção de mundo. Eu já vinha observando nos fins de semana, há quase 1 ano, as
tais luzes que sobrevoavam de madrugada o meu bairro. Eu sabia que estava diante
de algo inusitado, mas bem no íntimo eu ainda admitia a possibilidade daquilo
ser explicado de forma "racional" dentro da minha concepção de mundo, que já
admitia vida após a morte, mas que tinha bastante ressalvas em admitir
civilizações extraterrestres ou intraterrestres sobrevoando diariamente as
capitais do Brasil, ESPECIALMENTE no meu bairro de subúrbio! Então, ao ver às 5
da manhã o que me parecia ser uma estrela cadente parar no céu e seguir
lentamente em linha reta, igual a todas aquelas luzes que eu havia visto até
então, toda a minha razão desmoronou.
Pra vocês verem como o
paradigma científico estabelecido (coisas como as lei da física, conservação de
energia, etc) era tão fortemente implantado em mim, EU PASSEI A DUVIDAR DO QUE
VI. Sinceramente, passei as 24hrs seguintes pensando que eu estava ficando
louco, vendo coisas que ninguém mais via. Graças a Deus na madrugada seguinte,
quase na mesma hora, eu estava junto com a vizinha e a filha dela, quando
aconteceu outro avistamento inusitado: um ovo voador sem asas, que emanava uma
luz verde e entrou por uma nuvem SEM sair do outro lado... Juro que, se eu não
estivesse com testemunhas, eu poderia estar hoje tomando remédios, porque a
descrição é ridícula, parecendo tirada do livro Alice no País das Maravilhas, e
ver aquilo foi totalmente surreal. Pode-se considerar essas coisas como
experiências secretas da NASA ou fenômenos naturais? Não se pode. Visões
mediúnicas? Também não. O fato é que aquelas mulheres NUNCA abriram a boca pra
falar a respeito do que vimos. Tudo isso só serviu pra me tornar amargo,
deprimido, vivendo à margem da visão sólida de mundo que a grande maioria
compartilha. Timidamente, e morrendo de medo dos homens de preto (afinal, se os
OVNIS de fato existiam, quem me garantiria que os MIBs também não existiriam?),
criei o
site do EDF, um clubinho fundado meio na brincadeira cuja sigla significa
Earth Defense Force, numa tentativa de trazer essa "irrealidade"
à tona, resguardando minha privacidade. Mas foi frustrante perceber o quanto as
pessoas preferem se manter à margem, recriando a cada dia suas realidades
tacanhas e eliminando tudo o que não se encaixa nela. Resolvi então me ater às
coisas da espiritualidade, no
Acid Blogger, que acabou se tornando o Saindo da Matrix.
Voltando ao assunto de
Nietzsche, então eu, ao viver uma experiência surreal que poucos viveram, tenho
(obviamente) uma visão de mundo diferente de um Carl Sagan, que teve outras
trocentas experiências que eu não tive, mas em ambiente completamente diferente.
Só que, quando a MINHA opinião se choca com a de um cientista, acadêmico ou
qualquer título que revista essa pessoa do poder de definir o mundo por nós,
pobres mortais, ela perde automaticamente a credibilidade, ou se torna uma visão
menor, desvalorizada, simplesmente porque não posso reproduzir aquela
experiência em ambiente controlado, ou repeti-la na frente dessas autoridades
constituídas pela sociedade. E assim mantemos a Matrix, geração após geração,
uniformizando o nosso pensamento com uma finalidade: produção, competitividade,
superação do semelhante, que é a forma que o sistema encontrou para nos
manipular, seja no capitalismo ou no socialismo. Sofremos com o bombardeamento
em massa pela mídia das coisas que você quer comprar, mas não tem dinheiro. E
vem a sugestão, também pela mídia: quer se tornar rico? Jogue na loteria,
consuma no cartão de crédito pra ganhar prêmios, seja mais "esperto"
que o outro, pise na cabeça do seu colega de trabalho, entre pro PCC,
prostitua-se. Onde estão os valores espirituais na mídia? Onde estão doutrinas
que libertam dessa cadeia de desejo e sofrimento, como o Budismo, ou mesmo o
cerne da doutrina cristã? Será que encontramos valores espirituais que poderiam
abrir nossos olhos nos programas de pastores evangélicos, ou na missa do
domingo? Ou só vemos um paliativo pra nossas dores, com um preço a pagar:
junte-se a nós e seus problemas acabarão. Em nenhum momento as causas da
depressão são sanadas, ao contrário. Você quer ter aquele amor? Venha ao culto
tal, ou acenda a vela de tal cor, ou tome banho com a erva tal, ou dê três
pulinhos numa noite de lua cheia! Você quer prosperidade profissional?
Faça isso, faça aquilo... sempre o QUERER acima do SER.
Joanna de Ângelis dá as
dicas para vencer a depressão:
"Quanto mais te irritares e te entregares à depressão, mais forte se te fará o
cerco e mais ocorrências infelizes tomarão forma.
Não te debatas até a exaustão, nadando contra a correnteza. Vence-lhe o fluxo,
contornando a direção das águas velozes.
Há mentes espirituais maldosas, que te acompanham, interessadas no teu fracasso.
Reage-lhes à insídia mediante a oração, o pensamento otimista, a irrestrita
confiança em Deus.
Rompe o moto-contínuo dos desacertos, mudando de paisagem mental, de forma que
não vitalizes o agente perturbador.
Ouve uma música enriquecedora, que te leve a reminiscências agradáveis ou a
planejamentos animadores.
Lê uma página edificante do Evangelho ou de outra obra de conteúdo nobre, a fim
de te renovares emocionalmente.
Afasta-te do bulício e repousa; contempla uma região que te arranque do estado
desanimador."
Não é
fácil, eu sei. A tristeza sempre foi minha mais fiel companheira - embora eu não
tenha grandes motivos para tê-la - e costuma se manifestar mais fortemente nos
fins do ano, sempre associada ao Natal, tendo começado mais ou menos a partir de
2001. Quando foi em 2003, curioso com essa associação natalina, fui questionar
Oráculo, que limitou-se a responder que eu me aproximava da idade em que fiz
algo em outra vida, e que eu reviveria essa mesma situação novamente a título de
teste. Desde então a "deprê de fim-de-ano" só tem aumentado, e descobri que na
verdade ela perdura até meados de abril.
Esse ano a coisa estava tão
séria que pela primeira vez eu passei a ouvir e gostar de Blues! Comprava 2
litros de Fanta Uva pra encher a cara, ouvindo repetidamente Julie London cantar
Cry me a River. Já não queria escrever mais nada, nem estudar, nem sequer jogar
Mario Kart (Vejam a que ponto cheguei!). O pior de tudo é não saber ao certo
PORQUE se está deprimido! Geralmente eu me deprimo ao ver o Jornal Nacional, mas
sei que as notícias ruins não estão realmente na causa. Como prova de que o
microcosmo espiritual reflete no macrocosmo da vida exterior, as coisas ruins,
que antes aconteciam ao meu redor e contribuíam de certa forma para o meu
estado, lentamente se aproximaram de mim, como aquela nuvenzinha preta que fica
em cima da cabeça da pessoa. Em 4 meses meu carro novo foi atingido por 3 vezes.
Um dado estatístico bastante significativo, que me fez pensar que, se as coisas
continuarem assim, eu poderia ser o próximo.
Mas,
quem disse que sair da depressão é uma questão só de querer? Ler livros de
auto-ajuda também não adianta, porque a pessoa REALMENTE deprimida vai lê-los da
forma mais cínica possível. Ou seja, não adianta ser uma coisa externa, imposta
ou auto-imposta, pra combater algo que está não no corpo, mas no fundo da alma.
Até mesmo anti-depressivos só farão atacar os sintomas, nunca a causa. É preciso
usar uma força INTERNA, que está adormecida, para sobrepujar a tristeza. E para
mobilizar essa força faz-se necessário um "gatilho", que pode ou não ser
externo. No meu caso, era.
Aproveitei alguns dias de férias pra ficar em casa vendo filmes, e
resolvi então matar a vontade de rever Superman: o filme, de 1976. O DVD com os
extras é simplesmente fantástico, cobrindo todos os aspectos técnicos do filme,
numa época em que não existiam computadores pra fazer os truques. Fiquei
particularmente embasbacado com a declaração do diretor Richard Donner, em que
ele fala que estragou a gravação do tema de Superman quando explodiu em aplausos
e gritos de "gênio" para o compositor John Williams
ao perceber que a música "falava" o nome do super
herói exatamente na hora em que aparece o título do filme! Acreditam que eu
nunca tinha notado esse detalhe? Isso me fez salivar pra ouvir a música-tema, e
por sorte tinha no mesmo DVD faixas com as músicas em 5.1 canais (ou seja, ideal
pra quem, como eu, tem equipamento surround). Lembro que quando eu era guri
passava horas ouvindo o LP de Superman que meu pai tinha, "viajando"
com as fotos e me imaginando voar como o próprio Super-Homem! Então imaginem a
emoção que tomou conta de minha alma ao ser envolvido pelo tema principal com
som cristalino, como se estivesse dentro da orquestra! Juro que quando os
clarins "gritaram" SUPERMAN fiquei arrepiado dos
pés à cabeça por mais de 30 segundos (de relógio!). Senti-me eletrizado por
horas. Foi melhor que qualquer passe que já tenha tomado na vida. Ver o filme
depois disso foi um reencontro com a criança dentro de mim, a criança que um dia
acreditou que "um
homem podia
voar", e que, por não ter ninguém pra dizer o
contrário, podia ela também voar livremente em pensamento, sentindo o vento no
corpo e um friozinho na barriga. Fui salvo pelo Superman!
Após essa injeção artificial
de ânimo, procurei sustentar a aura de alegria, mantendo-me um tempo afastado do
blues e das coisas que poderiam me deprimir novamente, e me entreguei com prazer
às artes digitais, que mantiveram minha mente ocupada e voltada para a beleza e
a virtude. Usei também um outro artifício, esse mais próximo da magia (ou
bruxaria), que foi levantar minha auto-estima de forma artificial, me imaginando
sempre melhor do que realmente estava. Mandei a autocrítica pastar e levantei
meu ego à estratosfera. O perigo dessa prática é você acabar gostando da coisa e
tornar-se insuportavelmente poser, pedante e chato; mas, se feito com bom-senso,
você obterá resultados satisfatórios num curto espaço de tempo.
A dica aqui é: se você não se valoriza, ninguém valoriza você. Por que? Porque a
nuvemzinha sobre sua cabeça vai impedir naturalmente que as energias dos outros
sejam direcionadas a você. Só que obviamente quando você está deprê não vai
conseguir levantar sua auto-estima nem a fórceps, então precisa do tal "gatilho"
que lhe livre ao menos temporariamente do peso das "trevas". E aí você usa uma
força proporcional e contrária à sua deprê no sentido de imantar (cobrir) seu
corpo energético com uma aura de otimismo e confiança, que atrai, por afinidade,
boas energias pra você. Isso serve até pra se conseguir empregos e namoros! É
como se você saísse de uma teia viscosa onde tem um monte de caranguejos lhe
puxando pra baixo, pra uma teia de luz onde um dá energia e sustentação ao
outro. Apenas tenha cuidado pra sua vibração não cair de vez, de forma que os
"da luz" não o alcancem e os caranguejos o peguem de novo...
Estamos sozinhos. Unidos, em nosso
Universo holográfico, mas terrivelmente sozinhos nas questões de como
conduzir nossa alma, porque mesmo que um grupo de espíritos de luz, anjos,
devas, fadas, espírito santo - ou seja lá como queira chamar - esteja conosco (e
muitos sentem que estão), eles não irão viver nossa vida por nós, nem tomarão as
decisões por nós. Os méritos dos acertos são nossos. O demérito pela queda - e
conseqüente responsabilidade - também. O lado bom é que, neste mesmo paradigma
holográfico, quando alguém faz a coisa certa, todo mundo ao nosso redor se
beneficia, embora só possamos mudar realmente o mundo através de nossas ações
quando atingirmos uma massa crítica, algo que, infelizmente, ainda estamos longe
de conseguir.
Trabalhemos em nós mesmos, então.
Fontes:
Saindo da Matrix - Gentilmente enviado por
Léa Gonçalves
Postado por
Izabel Cristina da Fonseca, 16 março 2010.
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