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Medo
e memória: simplificando o processo
O
cérebro é capaz de manter e acessar as memórias
de medos específicos. Esse mecanismo revela a
sofisticada capacidade de retenção desse órgão.
Um estudo – publicado no periódico científico
Nature Neuroscience – pode ter implicações
no modo como se trata a síndrome de estresse
pós-traumático, afinal, entender como
diferentes tipos de medo são armazenados pode
promover estratégias que ajam sobre memórias
específicas.
A
pesquisa foi conduzida por pesquisadores da
Universidade de Nova York, EUA, em conjunto com
o Centro de Estudos Multidisciplinares Copérnico
em Cracóvia (Polônia), a Universidade de
Paris-Sul (França) e o Instituto de Pesquisa em
Psiquiatria Nathan S. Kline (NKI, também nos
EUA).
O
estudo focou as funções da amídala cerebral,
apontada por pesquisas anteriores como a
estrutura cerebral responsável pelas memórias
criadas pelo medo. Entretanto, essas pesquisas
haviam indicado que a amídala não discrimina
entre os vários tipos de ameaça sofrida e os
processos envolvidos. Ou seja, se uma pessoa tem
medo de cachorro porque um dia foi mordida por
um, a amídala cerebral somente indicaria para
ter medo do cachorro, e não armazenaria os
motivos. Ao contrário, outras estruturas
cerebrais, como o córtex, armazenariam os
eventos traumáticos, envolvendo medo, com mais
detalhes.
Os
pesquisadores do estudo conjunto, entretanto,
queriam confirmar se não havia diferenças
entre os processos e os acessos às memórias de
medo armazenados na amídala cerebral. O foco da
pesquisa então foi em um processo chamado “consolidação
da memória”, no qual envolve a
captura, codificação e armazenamento da memória
de um evento.
Quando
a memória se consolida, ela pode ser acessada
novamente em longo prazo – algumas experiências
criam memórias para toda a vida, por exemplo.
Mas mesmo consolidadas, essas memórias podem
sofrer mudanças. Esse segundo processo é
chamado reconsolidação. Durante a vida,
diversas memórias existentes podem ser
reconsolidadas pelo cérebro. O interessante é
que esse processo de reconsolidação pode ser,
também, feito com a ajuda de outras pessoas
(pesquisadores, por exemplo, já comprovaram
esse tipo de metodologia).
No
caso de memórias de medos, um modelo de estratégia
que pode ser usado diz que durante uma experiência
traumática, um estímulo neutro (como uma música
que tocava durante o evento) pode ser associado
com o estímulo negativo principal (a mordida de
um cão). Portanto, as ocorrências futuras
desse estímulo neutro, também chamado de estímulo
condicionado, vão desencadear as sensações do
estímulo principal (ou estímulo não
condicionado). Pesquisas apontavam que a associação
entre os estímulos é promovida e armazenada
pela amídala cerebral.
Para
comprovar isso, os pesquisadores utilizaram
modelos animais (ratos de laboratório) que eram
condicionados usando choques elétricos enquanto
ouviam um determinado som. Ouvir esse mesmo som,
sobreposto a outro, enquanto eram expostos a um
choque elétrico de intensidade menor, causava
nos modelos animais a reexperiência do trauma
mais intenso. A memória se reconsolidava
sobrepondo os dois eventos.
O
novo estudo, entretanto, mostrou uma novidade. A
exposição a um novo evento similar – um
choque de intensidade diferente do primeiro –
com o som associado ao primeiro evento de maior
impacto emocional, mas seguido de medicamento
antibiótico específico que atrapalhava o
processo de reconsolidação da memória,
quebrava as associações com o trauma. Ou seja,
deixava os estímulos condicionados mais difusos
e menos alertas.
Mas
independentemente da desvinculação entre os
estímulos, os animais ainda ativavam o
sentimento de medo quando expostos ao choque. Os
resultados sugerem que a amídala cerebral, ao
contrário do que se pensava, faz distinção
entre as memórias relacionadas ao medo.
Fonte:
Provedor
UOL, com informações da New York University
Postado
por Izabel Cristina da Fonseca, 14 maio 2010
(12.801)
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