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A crise e a Esperança,
ninguém mais
duvida.
Estamos no limiar
– ou já vivendo as primeiras manifestações – de uma
crise em escala planetária e nos mais variados setores da vida. Nesses
maremotos, a palavra de visionários costuma estabilizar o horizonte à frente –
mas que ninguém se engane, pois somos responsáveis pelo rumo desse barco
Aos cenários desafiadores associados ao
aquecimento global, às pandemias e aos conflitos étnico- religiosos,
acrescenta-se agora a avalanche financeira, que, desencadeada no sistema
habitacional americano, adquiriu dimensão universal e já se precipita sobre
todas as economias do planeta. Afirma um velho ditado que, quando a água bate na
cintura, está na hora de aprender a nadar. A água chegou à cintura. E tudo
indica que continuará subindo. É mais do que tempo de consultar nossos manuais
de natação.
Para além dos diagnósticos dos especialistas, que evidentemente têm que ser
considerados, representantes de diferentes tradições espirituais identificam na
crise uma dimensão mais profunda. Estamos vivendo, dizem, uma decisiva transição
em nosso processo evolutivo: a passagem para um patamar de consciência e
realização incomparavelmente mais alto. Nessa perspectiva, todas as dificuldades
que estamos enfrentando ou venhamos a enfrentar adquirem outra conotação. Por
dolorosas que possam ser, oferecem a promessa de um fim feliz. Pois equivalem à
luta do bebê no útero para emergir para a clara luz do dia.
VISIONÁRIOS DA MUDANÇA
Em 15 de agosto de 1925, no dia de seu 53º aniversário, Sri Aurobindo Ghose, o
excepcional filósofo, iogue e mestre espiritual indiano, declarou a seus
discípulos que as condições para o grande salto evolutivo estavam completamente
maduras. Mas que havia, no seio da humanidade, uma enorme resistência à mudança.
“Quanto mais a Luz e o Poder se derramam sobre nós, maior a resistência. Vocês
mesmos podem perceber que há algo pressionando para baixo. E que há uma tremenda
resistência”, afirmou. Sabemos o que aconteceu depois. A resistência foi forte
demais. O salto evolutivo não pôde ocorrer. E a humanidade se encaminhou para o
maior conflito bélico da história, a Segunda Guerra Mundial, com dezenas de
milhões de mortes e uma incalculável destruição de recursos materiais e
intelectuais.
Os representantes das tradições espirituais consideram que as condições são
ainda mais favoráveis agora do que eram na década de 1920. Mas o sucesso dessa
travessia coletiva depende do esforço individual. Quanto mais nos empenharmos no
avanço da consciência, quanto mais pautarmos pela consciência nosso pensamento,
palavra e ação, quanto mais pessoas conseguirmos convidar para esse grande
mutirão, menor será o sofrimento causado pela crise e maior será a probabilidade
de fazer dela o trampolim para um futuro brilhante.
Fonte:
Revista
Bons Fluídos, por José Tadeu Arantes
Postado
por Izabel Cristina da Fonseca, 19 maio 2010
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