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A ciência da
automotivação
Autoajuda é algo que você faz por si próprio,
apesar de algumas pessoas apelarem para os
livros de terceiros. Mas como se faz isso? É
muito mais simples do que a maioria dos livros
diz. Pesquisadores da Universidade de Illinois,
nos EUA, indicam que a pessoas que mais se
sentem automotivadas constantemente são
aquelas que, quando se deparam com um
problema, se perguntam “como resolvê-lo?” e
não aquelas que afirmam “irei resolvê-lo”.
Apesar dos
best-sellers encontrados em todas as livrarias,
escritos por diversos autores que se dizem
pesquisadores especialistas na área (ostentando
títulos diversos), há, entretanto, pouquíssima
pesquisa realmente científica – feita com base
em dados colhidos de indivíduos reais e
analisados com cuidado, parcimônia e ponderação.
Esse segmento específico de análise é o que os
pesquisadores da área de Psicologia chamam de
“análise do discurso interno”.
Esse “discurso
interno” é o processo que experimentamos quando
lemos um livro, por exemplo: ouvimos nesse
momento uma voz, dentro de nossa cabeça, que faz
uma leitura “em voz alta”. Esse mesmo discurso
está presente quando fazemos escolhas ou mesmo
quando pensamos sobre nossa vida.
Questionamentos são mais eficazes
O time de
pesquisadores, liderado por Dolores Albarracin,
Ibrahim Senay e Kenji Noguchi, acompanhou 50
indivíduos, aos quais era sugerido que pensassem
durante alguns momentos a respeito da sequência
de testes apresentados. Em um teste de anagramas
– onde eram apresentadas diversas palavras que
deveriam ser remanejadas para formar novas
palavras – aqueles que, enquanto esperavam, já
haviam começado a formular a solução do
problema, tiveram um aproveitamento do teste
bastante superior ao daqueles que haviam apenas
se programado para fazer.
Em um segundo
experimento, os participantes eram convidados a
escrever duas sentenças similares, antes da
execução da próxima tarefa: “eu farei.” (uma
afirmação) e “eu farei?” (uma pergunta). Aqueles
que haviam sido induzidos a escrever a segunda
frase (de questionamento), novamente tiveram
médias superiores.
Por que isso
acontece? Os pesquisadores dizem que isso pode
estar relacionado ao significado inconsciente do
questionamento, ou seja, as pessoas que se
faziam uma pergunta, de certa maneira, já
estariam se preparando para resolver os testes,
e, portanto, se automotivando para a ação.
A mesma sequência
de frases (pergunta ou afirmação) também foi
usada em um teste de longa retenção – quando a
pessoa faz planos e após um tempo relata, aos
pesquisadores, se os realizou. Os participantes
foram convidados a formular um plano de
exercícios. Novamente, aqueles que se
perguntavam “quais exercícios farei?’, em vez de
afirmar “farei exercícios”, mostraram maior
“motivação intrínseca”, um resultado que foi
mensurado por meio de testes psicológicos
específicos.
Linguagem indica como as pessoas “atacam” um
problema
“Nosso estudo
focou como o estudo da linguagem – mesmo aquela
voltada a nós mesmos – pode influenciar a
autorregulação comportamental”, diz Albarracin,
cujo trabalho foi publicado no periódico Psychological
Science.
“Métodos
experimentais estão nos ajudando a investigar o
‘discurso interno’ das pessoas, e como elas se
comportam a partir disso”, afirma o pesquisador
que indica que as implicações do estudo podem
levar a novos métodos de análise cognitiva,
social, desenvolvimento da psicologia, assim
como apontar novos indicadores clínicos,
educacionais e mesmo sobre temas ligados ao
trabalho e automotivação.
“A ideia popular é
de que ações baseadas em afirmações podem
melhorar o modo como as pessoas atingem seus
objetivos. Mas ao que parece, questionar o modo
como se faz é um método muito mais eficaz. Esse
trabalho indica as bases cognitivas de como a
linguagem é uma janela potencial entre
pensamentos e ações”, finaliza.
Fonte:
Site O que eu tenho?, com
informações da University of Illinois at Urbana-Champaign
Postado
por Izabel Cristina da Fonseca, 18 junho 2010
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