|

Corpo e Cheiros,
esclareça questões constrangedoras de saúde
Suor que parece
tempestade de verão. Hálito de onça-pintada.
Lado B em chamas. Xixi saidinho. Odor vaginal
suspeitíssimo... Algumas questões de saúde são
constrangedoras! Dá vergonha de comentar com a
melhor amiga - que dirá com um médico. Você já
se viu em uma situação dessas? Pois NOVA
enfrenta cinco grandes tabus e os experts
entregam a saída para eles. E o melhor: fica
só entre nós.
Quem já sofreu
na pele (ou nas axilas, ou dentro da
calcinha...) com um deles sabe bem que não
adianta fingir que o tal não existe para ver
se passa. Não passa. Só piora! A solução,
lógico, é encarar o problema sem
meias-palavras. Mas... e a coragem de dizer
seu nome em alto e bom som, descrever cada
detalhe desconcertante na frente do imponente
e impávido homem de branco? Não se culpe:
mesmo a mais bem resolvida das mulheres perde
a fala quando se trata de certos tabus de
saúde. A boa notícia é que os dias de
sofrimento secreto e silencioso acabaram. NOVA
resolveu enfrentar cinco questões
constrangedoras - e, pasme, bastante comuns.
Sua qualidade de vida vai mudar tanto que você
escreverá perguntando por que não fizemos esta
reportagem antes!
Cachoeira de transpiração
Exibir manchas
sob as axilas até nos dias frios é um pesadelo
que tem nome: hiper-hidrose. Ela ocorre devido a
uma alteração do sistema nervoso simpático e
ataca as mãos, os pés, as axilas e a face. Quem
sofre com o mal sua
até cinco vezes mais que o normal! Segundo a
dermatologista Samar El Harati, de São Paulo, o
distúrbio pode ser primário ou secundário. "O
primeiro, de origem genética, surge na
adolescência por causa da produção dos hormônios
sexuais e do desenvolvimento das glândulas
responsáveis pelo suor. Já o secundário tem a
ver com o uso de moderadores de apetite e
antidepressivos, doenças neurológicas,
hipertireoidismo, hipoglicemia, diabete ou até
infecções." Ansiedade e stress também
podem gerar o suor excessivo. Para piorar a
situação, transpirar em bicas provoca a
bromidrose, odor ruim causado pela proliferação
de bactérias e fungos. É essa, por exemplo, a
causa do chulé. "Meu namorado me chamava de
pezinho de ogro e eu morria de vergonha!", conta
a publicitária Leda Rizzo, 26 anos. "Antes
de fazer pedicure, até ia ao banheiro lavar a
sola", lembra. O caso de Leda foi
resolvido com o uso de sapatos de couro. "Jamais
repito o mesmo par por dois dias seguidos, à
noite limpo a parte interna com antisséptico e
depois deixo tomando sol para eliminar as
bactérias."
Em outras partes
do corpo, o suor excessivo pode ser amenizado
com desodorantes manipulados à base de
cloridrato de alumínio e solução alcoólica. O
mesmo mix é usado em sprays para secar o rosto e
as mãos. Em casos extremos, o tratamento é feito
com injeções de toxina botulínica. Como o
procedimento dói, aplica-se anestésico local. O
efeito dura de seis meses a um ano. Existe
também o recurso da simpatectomia, cirurgia que
corta os nervos que estimulam a produção de
suor. No entanto, ela traz um grande
inconveniente para até 10% dos pacientes: eles
se livram do problema nas mãos, por exemplo, e
correm o risco de começar a transpirar em outra
parte do corpo, a hiper-hidrose compensatória.
Lado B em chamas
Quando as veias
do canal anal se dilatam, provocando sangramento
(ou até sendo expelidas na ida ao banheiro), não
há mulher que consiga manter a calma. Entre as
causas de hemorroidas estão o fator genético e
maus hábitos - como se obrigar a fazer número 2
sem vontade. Ficar lá sentadinha, esperando e
forçando, é um crime, segundo os especialistas.
Segurar também não faz bem. "Evacuar
deve ser um hábito involuntário", explica
o proctologista Arnaldo Ganc, da Unifesp. Nas
mulheres, há um fator a mais a ser considerado:
a gravidez. O aumento do fluxo sanguíneo na
região da pélvis, além da compressão no final da
gestação, agrava o problema. Ao contrário do que
pregam os piadistas, sexo anal não causa
hemorroidas, e quem tratou a doença está apto
para a prática. Para não sofrer, trate de
caprichar na ingestão de fibras. "Duas
laranjas com bagaço por dia são suficientes",
diz Arnaldo. No entanto, ele indica dividir o
consumo: uma fatia de pão integral no café da
manhã, salada e uma fruta no almoço e a mesma
dupla no jantar. Se o incêndio já se instalou, é
preciso abolir a pimenta do menu (ela irrita a
região) e higienizar a área com água e sabão no
lugar do papel higiênico. Para cada estágio da
doença há um tratamento. É possível aplicar
substância para secar as veias, usar laser para
queimar os vasos, congelá-los com uma sonda e,
como último recurso, retirá-los.
Mau cheiro na zona sul
Ninguém merece
ter sua autoconfiança sexy abalada ao tirar a
calcinha. E o pior é que a responsável pelo
perfume nada agradável lá embaixo é um serzinho
microscópico - a bactéria Gardnerella vaginalis.
Segundo o ginecologista José Bento, do Hospital
Albert Einstein, em São Paulo, ela faz parte da
flora vaginal, mas por um desequilíbrio
prolifera-se, causando a maresia, junto com um
corrimento homogêneo, amarelado ou acinzentado,
com bolhas esparsas. Às vezes, chega a arder.
Céus, a situação pode ficar ainda mais
desagradável? Sim: "Depois
da relação sexual, com esperma no ambiente
vaginal, o odor se torna semelhante ao de peixe
podre", explica. Socorro!
O tratamento é
feito via oral. Mas, para evitar esse
desconforto, a saída é tratar de seu sistema
imunológico. Dormir bem, manter uma dieta
saudável e evitar antibióticos. Além disso, usar
sabonete neutro para higienizar lá embaixo,
evitando a lavagem excessiva, que tira a gordura
natural da mucosa. Finalmente, não abusar da
calça justa nem dos absorventes íntimos diários.
E preferir calcinhas de algodão. Manobra
saudável e sensual: circular em casa sem ela.
Essa, com certeza, seu gato vai amar!
Hálito de onça-pintada
Não é preciso
sair sorrateiramente da cama cinco minutos antes
do gato para bochechar a boca com água. Todo
mundo tem um pouco de mau hálito ao acordar -
inclusive o bonitão! Isso acontece por causa da
diminuição do fluxo da saliva durante a noite.
Basta tomar um gole de café com leite (quem sabe
você ganha a sorte grande e ele não traz na
cama, hein?) ou escovar os dentes que o odor
desaparece. No entanto, 40% da população
permanece com o, digamos, bafo ao longo do dia,
segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). E,
pior, quem sofre desse mal, chamado halitose,
dificilmente nota o problema devido à fadiga
olfativa: por estar acostumado ao mau cheiro,
não consegue perceber o mico. Para tirar a
dúvida sobre seu "perfume
bucal", a dentista Tânia Azevedo, de São
Paulo, sugere um teste: "Passe a língua nas
costas da mão ou no pulso e cheire após cinco
minutos. Se o odor for ruim, é provável que não
tenha feito a higiene bucal corretamente",
alerta ela. Aí é escovar novamente os dentes e a
língua, tarefa que deve ser repetida três vezes
ao dia (após as refeições), além de usar o fio
dental, especialmente à noite. "Por
segurança, sempre carrego um chicletinho de
menta na bolsa", conta a administradora
de empresas Carla Ramos, 32 anos. Em uma
emergência, goma de mascar sem açúcar pode mesmo
disfarçar o hálito de onça-pintada. No entanto,
o que ajuda ainda mais é colocar no prato
alimentos fibrosos, como cenoura e maçã, que
limpam a superfície dos dentes envolvida na
mastigação. Ah! E ter sempre escova de dentes à
mão.
Agora, se o mau
hálito não passar, melhor consultar um dentista.
Isso porque a origem do mau cheiro, segundo
Tânia, está na boca, na imensa maioria dos casos
(o estômago, tido como vilão, quase não aparece
nas estatísticas). E o principal motivo é, sim,
a má escovação - que provoca acúmulo da placa
bacteriana. "Ela libera
ácidos e toxinas, causando cáries e gengivite",
explica. "E esse quadro, somado ao sangramento
gengival, frequentemente gera mau hálito",
diz. Outro bandido é a saburra lingual, aquela
camada esbranquiçada que fica na língua. "É
formada por células descamadas, resíduos
alimentares, fungos e bactérias", fala a
dentista. Arg!
Existem alguns
hábitos que agravam a situação, como ficar em
jejum e sofrer com stress - ambos diminuem o
fluxo salivar. Beber pouca água também
intensifica o problema, já que ela faz uma
pequena autolimpeza na boca. Cigarro está na
lista negra. A nicotina fica impregnada na
placa, no tártaro, no dente e na mucosa da boca,
aumentando o mau cheiro. Alguns enxaguatórios
bucais inclusive pioram o odor a longo prazo.
Motivo: eles contêm álcool, que descama a mucosa
bucal. E ter células mortas na boca é um passo
para a halitose. O mal pode ainda ser sinal de
diabete, sinusite, amidalite.
Xixi saidinho
De-sa-gra-dá-vel
ficar com a calcinha molhada ao espirrar,
tossir, rir ou fazer exercício. Mas acontece. E
tem nome: incontinência urinária de esforço.
Quando a bexiga fica cheia, o esvaziamento é
feito pela uretra. Esse canal possui músculos
que se contraem e relaxam, funcionando como uma
torneira que abre e fecha. No entanto, algumas
vezes, seus tecidos estão fora de forma e aí...
o xixi escapa. Apesar de parecer, essa não é uma
doença da terceira idade. Atinge também mulheres
jovens, principalmente as que tiveram filhos. "Supõe-se
que o peso e o tamanho do bebê sobrecarregam o
assoalho pélvico que sustenta a bexiga e
controla a saída da urina", explica o
urologista Fernando Almeida, responsável pelo
setor de disfunções miccionais da Unifesp.
Segundo uma pesquisa da Universidade de Otago,
na Nova Zelândia, até 30% das gestantes sofrem
de episódios de escape de urina, que, muitas
vezes, persistem após darem à luz. Outro grupo
que corre risco é o das que exageram na
atividade física ou que malham sem orientação.
Existe também a
incontinência urinária de urgência, mais grave
que a de esforço. Dá uma vontade danada de
urinar e o líquido escapa antes de você chegar
ao banheiro. Nesse caso, a causa comum é a
obesidade, que deixa os músculos pélvicos mais
fracos.
Segundo o dr.
Almeida, o mal pode até provocar depressão - e,
pela estimativa dele, apenas cerca de 20% de
quem padece da doença busca orientação médica. "Qualquer
uma pode ter uma vida normal se procurar
tratamento. De preferência assim que sentir os
primeiros sinais", orienta. Para casos
mais leves, ele recomenda reforçar a musculatura
pélvica. Trata-se de uma série de exercícios
repetitivos de contração e relaxamento do
músculo do assoalho pélvico que precisa ser
realizada três vezes ao dia - para o resto da
vida. Por isso muita gente apela para a
cirurgia, quando se coloca um suporte para
restabelecer e reforçar os ligamentos que
sustentam a uretra e promover seu fechamento
durante o esforço.
Fontes:
Revista Nova, Texto Daniela Venerando
Postado por Izabel Cristina da Fonseca,
19
de abril de 2010.
(12.451)

|