O parceiro amoroso ideal
“Eles são
farinha do mesmo saco”.
Quando participamos de uma
conversa sobre “quem combina com quem” na área
amorosa, freqüentemente ouvimos frases como “os
opostos se atraem”, “os complementares é que dão
certo” ou “os similares é que funcionam bem”.
De fato, existem várias
qualidades que apreciamos (beleza, honestidade,
saúde etc.) e vários defeitos que não queremos
(desrespeito, desânimo etc.) em um parceiro
amoroso, independentemente de eles serem
complementares, opostos ou semelhantes aos
nossos.
Embora as complementações
sejam bem-vindas e algumas oposições possam
ajudar a despertar interesses iniciais, os
estudos nesta área indicam que similaridade é a
regra geral que guia a formação e facilita a
estabilidade das parcerias amorosas. A
importância da similaridade é maior naquelas
características que influenciam ações
importantes do dia-a-dia como, por exemplo, a
confiabilidade, a gentileza e os critérios para
gastar o dinheiro do casal. Um estudo muito
amplo a este respeito mostrou que os casamentos
nos EUA geralmente acontecem entre pessoas que
têm idades e níveis de escolaridade semelhantes
e são da mesma raça e religião.
A complementaridade é
bem-vinda em alguns setores. Existem muitas
vantagens quando o casal funciona como uma
equipe: cada um dos seus dois membros se
encarrega daquelas atividades que tem mais
condições de realizar. Por exemplo, se um dos
dois tem mais facilidade para tarefas que exijam
esforço físico, é mais proveitoso que ele se
encarregue delas. Outro exemplo: no modelo
tradicional de casamento a mulher era a “rainha
do lar” e o homem era o “provedor”. Robert
Sternberg, famoso pesquisador da Universidade de
Yale, apresentou uma teoria fascinante que
afirma que as pessoas que se apaixonam e são
bem-sucedidas em seus relacionamentos amorosos
são as que desempenham papéis românticos
complementares. Este autor identificou vinte e
seis tipos de papéis complementares (“histórias
de amor”) como, por exemplo: Viagem (os
parceiros têm a sensação de que o relacionamento
é uma grande jornada conjunta e planejam em
conjunto o amanhã), Governo (um relacionamento
no qual há um parceiro que controla e o outro é
controlado. Existem pensamentos do tipo “nessa
relação, eu deveria tomar as decisões” ou “nessa
relação, meu parceiro deveria tomar as
decisões”) e Horror (um relacionamento que se
torna interessante quando existe um pouco de
medo do parceiro. Existem pensamentos do tipo
“ele está com receio de mim e gosto que seja
assim” ou “Estou com receio dele e sinto um
gostinho bom nisso").
É muito fácil constatar que
os opostos raramente se atraem. Caso se
atraíssem, altos se interessariam por baixos,
ricos por pobres, jovens por velhos, cultos por
ignorantes etc. Em cada um destes casos, sentir
atração é mais provável apenas por parte
daqueles que estão no pólo menos desejável da
característica: o feio se interessa pelo bonito,
o descontrolado pelo controlado, o inseguro pelo
seguro etc. O inverso é raro.
Qualidades e defeitos
se compensam?
Até certo ponto sim. Ninguém
é perfeito. Assim sendo, como computamos os
defeitos e qualidades de um possível parceiro? A
teoria mais útil para responder esta pergunta é
a Teoria das Médias Algébricas Ponderadas de
Defeitos e Qualidades. Esta teoria afirma que a
atração de um possível parceiro é resultado da
subtração da média ponderada dos seus defeitos
da média ponderada das suas qualidades. Esta
“ponderação” é a maneira de levar em conta a
importância de cada um dos defeitos e
qualidades. Por exemplo, imagine que uma pessoa
atribuiu nota oito no quesito “confiabilidade”
para um possível parceiro e que este parceiro
atribuiu uma nota nove para a importância deste
quesito. Logo, o valor ponderado desta qualidade
será 72 (8X9) para fins do cálculo da média das
qualidades deste parceiro. Alguns defeitos, no
entanto, podem ser tão intoleráveis que
impedirão o apaixonamento mesmo quando a pessoa
que está sendo avaliada tem inúmeras outras
qualidades.
Outros caminhos para o
amor
O amor possui outros
caminhos. Duas pessoas podem ser bonitas,
inteligentes, ricas, gentis, terem o mesmo nível
educacional e econômico, as idades e alturas
compatíveis e, ainda assim, não sentirem muita
atração uma pela outra (“não terem química”).
Embora suas qualidades e compatibilidades
contribuam positivamente para esta química,
outras características muito importantes para o
apaixonamento só aparecem no momento em que elas
entram em contato ou até mesmo após um longo
período depois disso. Muitas vezes nos
apaixonamos por alguém que o nosso lado racional
diz que é inadequado, mas que nos cativa pela
via afetiva. O caminho afetivo leva mais em
conta aquilo que nos afeta de imediado – como,
por exemplo, a beleza física, os comportamentos
sedutores e a forma como somos tratados – do que
as conveniências e inconveniências desta
parceria, que só se manifestarão a médio e longo
prazo.
A escolha de parceiros,
portanto, é uma atividade complexa. A ciência já
desvendou uma parte desta complexidade. Cabe a
você descobrir os outros atrativos do seu
parceiro. Esta pode ser uma tarefa muito
agradável.
Ailton
Amélio da Silva é doutor em Psicologia,
psicólogo, psicoterapeuta e professor da USP,
em São Paulo (SP). É autor de vários estudos
científicos sobre relacionamentos amorosos e
dos livros "O Mapa do Amor", "Para Viver um
Grande Amor" e o mais recente "Relacionamento
Amoroso: Como Encontrar Sua Metade Ideal e
Cuidar Dela".
Fonte:
Provedor UOL, por Dr. Ailton Amélio da Silva
Postado por Izabel Cristina
Fonseca, em 20 abril 2010 (12.474)
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