Rivalidade entre irmãos
Respeitar as diferenças da personalidade de
cada um é a chave para não reforçar a
rivalidade exagerada
Rivalidade entre irmãos
não pode passar dos limites. Perceber as
necessidades de cada um é essencial
Dois irmãos atormentando
um ao outro é uma cena clássica, mas saber
quando isso pode prejudicar a relação deles
no futuro é a grande questão. Nas gravações
da novela “Viver a Vida”, transmitida pela
Rede Globo, os gêmeos Jorge e Miguel –
interpretados pelo ator Mateus Solano – são
eternos rivais. Na ficção, eles já são
adultos e brigam pelo amor da mesma mulher,
mas é desde a infância, segundo os
especialistas, que os pais devem se precaver
para evitar que os filhos se tornem
adversários.
De acordo com a psicoterapeuta familiar
Margarete Volpi, de São Paulo, alguma
rivalidade é natural, mas sem exageros.
“Quando não exacerbada, contribui e
impulsiona no fortalecimento do vínculo, do
afeto, da parceria”, afirma a especialista.
Porém, entre irmãos, a disputa pela atenção
dos pais pode fazer com que os filhos passem
dos limites.
Antes de brigas e competições se tornarem
acontecimentos diários, os pais devem estar
atentos para não tratarem as crianças da
mesma maneira. “É muito comum as famílias
tratarem e educarem os filhos,
principalmente do mesmo sexo e com idades
próximas, exatamente da mesma forma, mas é
um erro: é necessário respeitar as
diferenças da personalidade de cada um”,
explica Margarete. “O resultado de tratar os
filhos da mesma maneira é que eles acabam
não reconhecendo que são diferentes de fato,
ainda que reivindiquem posturas distintas
aos pais”, completa.
A neuropsicóloga Beatriz de Andrade
Sant’Anna, da Unifesp, ainda esclarece que,
se uma criança sente que é atendida nas
necessidades individuais, a chance de haver
uma rivalidade diminui. “Pode parecer
contraditório, mas se a pessoa entende que
precisa de coisas diferentes, pode entender
a distinta necessidade do outro também”,
explica. A especialista afirma que a
diferença maior entre a idade dos irmãos
pode até diminuir o risco da rivalidade, mas
dependerá muito da relação que os pais
estabelecem entre eles.
Esta integração saudável entre irmãos deve
ser estimulada desde o momento da segunda
gravidez. Dependendo da idade do primogênito
da família, é preciso situar a criança do
que está acontecendo e fazer com que ela
participe da chegada do novo membro. “Se a
criança se sente parte da família, se
realiza algumas tarefas pelo irmãozinho ao
lado da mãe ou do pai, vai ver o irmão como
um companheiro, não um intruso”, completa
Beatriz.
A partir dos seis anos da criança, a
rivalidade pode se tornar mais presente
entre os irmãos, mas desde antes os pais já
devem se movimentar para que ela não
ultrapasse as barreiras aceitáveis. Defender
sempre o lado aparentemente mais fraco, como
o mais novo ou a menina, por exemplo, não
contribui para o aprendizado da convivência
entre eles. “É muito comum isso acontecer,
mas é preciso que os pais assumam papéis de
orientadores, não de juízes”, explica
Margarete.
Com isso, é possível evitar que a rivalidade
seja projetada também na vida adulta, e se
desdobre até em outros relacionamentos.
“Nestes casos, somente a experiência de
troca com pessoas de fora da família fazem
com que a pessoa se abra e exercite o
fortalecimento de um vínculo”, indica
Margarete.
Fonte:
Renata Losso, especial para iG São Paulo,
28/02/2010 08:00
Postado por Izabel Cristina
Fonseca, em 1 março
2010
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