Seu filho não presta atenção
nas aulas?
Saiba
as diferenças entre distração e Transtorno
de Déficit de Atenção e Hiperatividade
Nem sempre a falta de
atenção em sala de aula é um fator decisivo
para diagnosticar o TDAH.
Correrias, agitação e
falta de atenção são características
presentes na infância, e a maioria das
crianças pode vivenciá-las em determinada
fase. Mas embora seja algo corriqueiro e
normal, é preciso pensar atenção quando o
problema persiste: dependendo da intensidade
e frequência, a criança sofrer de Transtorno
de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
Mesmo que somente um profissional habilitado
possa diagnosticar uma criança com TDAH, há
variados indícios que demonstram a
possibilidade do transtorno e os aspectos
predominantes, que variam entre a
hiperatividade, a desatenção ou combinação
de ambos.
Dentro da escola, por exemplo, as crianças
portadoras do TDAH com hiperatividade
predominante terão mais dificuldade em ficar
sentadas na carteira, falarão muito e farão
barulho. São aquelas que interrompem as
aulas ou brincadeiras, ocasionando problemas
com professores ou até com colegas de
classe.
As crianças com TDAH em que a desatenção é
predominante costumam cometer erros por
descuido, chegando até a não conseguirem
concluir tarefas mais longas, que exigem
foco. Diferentes dos hiperativos, eles não
chamam muita atenção e o transtorno pode
acabar sendo diagnosticado somente mais
tarde.
Na combinação de hiperatividade e
desatenção, o problema do TDAH pode ser
ainda maior e quanto antes for feito o
diagnóstico, melhor. De acordo com Fábio
Barbirato, autor do livro “A Mente do Seu
Filho” (Editora Agir) e chefe de Psiquiatria
Infanto-Juvenil da Santa Casa, no Rio de
Janeiro, é a partir dos seis ou sete anos de
idade que a criança pode ser diagnosticada
com segurança, mas profissionais bem
qualificados podem descobrir o problema até
em crianças a partir dos três anos.
Será
que é TDAH?
Nem sempre, porém, a
falta de atenção em sala de aula é um fator
decisivo para diagnosticar o TDAH. “Quando a
criança, por exemplo, possui graves
necessidades escolares, repetiu o ano, não
aprende a ler e a escrever direito, é
importante que ela seja avaliada para saber
se não possui patologias de aprendizagem”,
explica Fábio.
Cacilda Amorim, psicoterapeuta
comportamental e diretora do Instituto
Paulista de Déficit de Atenção (IPDA), em
São Paulo, lembra que a base para um
diagnóstico clínico é a intensidade dos
sintomas em comparação a outras crianças de
idade similar. “Uma criança com baixo
rendimento escolar pode sofrer de TDAH, mas
também pode ser dislexia, déficits na
alfabetização, dificuldade momentânea de
ajuste emocional, como perdas e separação
dos pais, dificuldades em aceitar regras ou
até mesmo um problema orgânico”, explica a
especialista.
Por esta razão, é preciso tomar muito
cuidado com qualquer rótulo. “As queixas de
distração, agitação, impulsividade e
dificuldades emocionais são compartilhadas
por muitos outros problemas que não o TDAH”,
afirma Cacilda.
Mitos do
TDAH
Além de rótulos, os
mitos em torno do distúrbio ainda persistem.
O principal deles é a crença de que o
remédio indicado para o tratamento do TDAH
trará dependência. De acordo com a
Neuropediatra Valéria Modesto Barbosa, de
Juiz de Fora, em Minas Gerais, o principal
medicamento usado no tratamento, a Ritalina,
não causa dependência por ser eliminado do
organismo entre quatro a doze horas depois
de ingerida. Fábio ainda afirma que não
medicar uma criança com TDAH seria como não
medicar um adulto com diabetes. “Atualmente,
existe todo um embasamento para descartar
qualquer possibilidade de tornar a criança
dependente”, afirma.
Segundo Cacilda, existem outras afirmações a
respeito da criança com TDAH que devem ser
revistas, principalmente pelos pais. “Ele é
preguiçoso e desmotivado” e “Ele vive com a
cabeça no mundo da lua” são frases que um
pequeno portador do TDAH poderá ouvir ao
longo da fase de crescimento, mesmo que
esteja lutando contra o problema. A criança
pode também acabar acreditando que é
realmente preguiçosa ou até burra, e o papel
dos pais neste momento é educar a respeito
do transtorno e mostrar também as qualidades
que a criança possui.
E
agora, o que fazer?
Embora os problemas
possam ser muitos, até mesmo em relação aos
colegas de classe, a criança diagnosticada
com TDAH necessita de acompanhamento no
desenvolvimento escolar. De acordo com
Cacilda, mostrar seu interesse em torno da
educação do filho e manter linhas de
comunicação eficazes com os professores são
atitudes que devem ser tomadas.
Além disso, a especialista afirma que é
fundamental enfatizar o esforço da criança –
não a inteligência ou a esperteza – e manter
regras claras para a realização das tarefas
escolares. A rotina é muito importante, como
horários determinados para o estudo,
alimentação, higiene, lazer e descanso.
“Desta maneira, os pais evitam conflitos
muito comuns, preservando a afetividade e a
convivência familiar”, explica Cacilda.
Valéria ainda conta que, em relação à
escola, os professores também devem tentar
compreender os alunos com TDAH e tentar
adaptá-los da melhor forma possível. “O
professor, ao perceber que o aluno está mais
agitado ou desatento, deve estabelecer uma
comunicação com ele, dar uma tarefa para ele
realizar fora da sala ou deixá-lo ir fazer
uma pausa para que o ritmo seja quebrado e a
criança tenha tempo de respirar e se adaptar
novamente ao que está sendo proposto”,
conta.
O mais importante é saber dar o tempo que a
criança necessita. E os pais, em nenhum
aspecto, devem se sentir culpados por ter um
filho com TDAH. “Eles são fundamentais para
a felicidade e uma adaptação bem sucedida
das crianças portadoras do transtorno”,
alega Cacilda. “Uma das piores saídas para
lidar com as dificuldades do TDAH é
endurecer a disciplina, criando regras muito
rígidas, sem criar condições para favorecer
os avanços e sucessos da criança”, completa.
Fonte:
Site G1
Postado por Izabel Cristina
Fonseca, em 3 março
2010
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