Por que dar mesada aos nossos
filhos?
Por, Ceres Araujo
Vivemos em uma época
altamente consumista e, nesses tempos, fica
ainda mais justificada a necessidade de
ensinarmos às crianças a lidarem com
dinheiro.
Queremos, como pais, que
nossos filhos aprendam o valor dos bens que
possuem e que desejam. Buscamos ensinar-lhes
princípios, normas que possam dirigir suas
condutas e fazer deles pessoas responsáveis.
A mesada pode ser um instrumento muito útil
para esse aprendizado.
Para a criança e para o
jovem ter uma determinada quantidade de
dinheiro para administrar, durante um
período de tempo, vai implicar em adquirir
controle sobre impulsos, adiar satisfação de
desejo, deixar de ser imediatista, aprender
a lidar com frustração, perceber o valor do
poupar, iniciar-se nas habilidades de
planejar e monitorar investimentos, etc..
É, portanto, um exercício
importante para o crescimento intelectual e
emocional, pois traz a matemática para a
prática, treina a função executiva da mente
e ajuda a desenvolver a autonomia e a
independência.
A partir de que idade
a criança pode receber mesada?
É perfeitamente possível
a partir dos cinco anos de idade. Porém,
cumpre observar, que a questão da idade é
muito individual, variando de família para
família. Percebe-se, entretanto, que hoje em
dia, cada vez mais precocemente se pode
receber mesada. Isto porque as crianças, dos
chamados tempos hipermodernos, processam
informações de ordens variadas muito mais
rapidamente que as crianças de décadas
anteriores e constroem conhecimento a
respeito do que se passa no mundo todo. São
seres incrivelmente participantes do que
acontece ao seu redor. Mais ativas, mais
hábeis, essas crianças podem perfeitamente
administrar seus gastos de pequena monta.
Como se deve dar a
mesada?
Na realidade mesada é um
nome mais geral, que de fato significa
semanada ou “quinzenada”. As crianças lidam
melhor com o curto prazo, portanto a
semanada tende a ser mais adequada. Já para
os adolescentes, receber dinheiro a cada
quinze dias ou a cada mês passa
progressivamente a ser mais educativo.
No que tange à quantia de
dinheiro que se deve dar na mesada, pode-se
calcular mediante a observação de quanto se
gasta com os extras da criança ou do jovem
por semana e daí fazer as contas,
acrescentando-se uma pequena quantia para
que a poupança possa ser estimulada.
Um outro ponto importante
que se deve considerar na questão das
mesadas, diz respeito ao fato de que a
quantia de dinheiro deve ser diferente de
acordo com a idade de quem vai receber. Os
gastos tendem a aumentar com a idade, o que
justifica uma mesada mais “gorda”. Tal
distinção nos valores financeiros gera para
os pais, não raro, questionamentos por parte
de irmãos mais jovens, que se sentem
lesados. Mas, isso é natural e os pais
precisam saber explicar o porquê da
diferença no valor das mesadas.
Gastos na infância:
meninos e meninas
Na infância, os gastos
são semelhantes para os meninos e as
meninas, porém, na adolescência,
principalmente no início, as meninas gastam
mais que os meninos, pois surge a vontade de
cuidar dos cabelos, das unhas e outras
necessidades que custam bastante. Talvez
seja importante que os gastos com tais
cuidados façam parte da mesada, pois ajuda a
começar a dar uma idéia do quanto custam os
cuidados pessoais. No final da adolescência,
muitas vezes, os meninos ganham mais, pois
ainda nos nossos tempos, em muitas famílias
é ensinado a eles a necessidade de arcar com
os gastos da namorada quando saem juntos,
pelo menos algumas vezes.
Finalmente, cumpre
assinalar que, se nas empresas, se trabalha
com bônus e com ganhos variáveis, por que
nas famílias, os filhos também não podem
receber em função dos resultados que
atingem? Um boletim impecável não merece um
prêmio surpresa? Um comportamento altamente
responsável ou solidário, que
resultou em um bem para o próximo, não
merece ser reforçado? Dinheiro não é o
único, mas é um fator motivacional
importante para se empenhar em ser mais
produtivo. Portanto, é perfeitamente cabível
dar um “plus” na mesada, naquele pagamento
específico, quando se
notar que a criança ou o adolescente teve
alguma conduta merecedora não só de
cumprimentos, que são tão estimulantes, mas
de um reconhecimento financeiro também.
Gentilmente enviado por
Mariana Fonseca
Postado por Izabel Cristina
Fonseca, em 30 janeiro 2010