Como lidar com a mentira
na educação dos filhos
Mentira: "... pais são
os principais mestres, muito mais com o que
mostram em suas atitudes, que com suas
palavras..."
“Eu não
quero que meu filho minta” – essa é a
expressão do desejo de todos os pais.
"Pais
que costumam mentir criam filhos que
mentem. Pais que usam sempre da verdade,
que assumem a responsabilidade por aquilo
que fazem e dizem, criam filhos
responsáveis e éticos. Só se ensina aquilo
que se é"
Pois é,
não é tão fácil trabalhar esta questão com
nossas crianças. Quantos pais saem de casa
escondidos das crianças para evitar
berreiros? Quantas promessas são feitas
para as crianças, sem que se tenha a
intenção de cumpri-las? Quantas pessoas,
quando toca o telefone, dizem para um
filho: “fala que eu não estou”. Ensina-se
uma coisa e se pratica outra...
Nada justifica uma
mentira, não existem mentiras “piedosas” ou
mentiras “politicamente corretas”. Falar a
verdade implica em ser honesto consigo mesmo
e com os outros e em ter coragem de se
responsabilizar por suas ações.
As crianças precisam ser
ensinadas à verdade. Tal aprendizado ocorre
progressivamente ao longo da infância e os
pais são os principais mestres, muito mais
com o que mostram em suas atitudes, que com
suas palavras.
Com qual idade a criança
pode mentir? Não tão cedo. Aos dois, três
anos as crianças ainda confundem realidade e
fantasia. Muitas vezes, o que o adulto
interpreta como mentira é mais uma expressão
do desejo fantasioso da criança. Quantas
crianças já contaram para suas professoras
que a “mamãe está esperando um irmãozinho”?
quando nada disto está acontecendo. Quantas
falam sobre viagens surpreendentes que
fizeram, quando passaram o fim de semana em
casa? Porém, aceitar o que é confusão entre
fantasia e realidade e não mentira, não
implica em aceitar a afirmação da criança
sem deixar de mostrar a realidade. Buscar
descobrir as razões do desejo fantasioso
pode ser importante.
Quando a possibilidade
de mentir pode ser evitada
Um pouco mais tarde, a
criança pode começar realmente a mentir. Ela
mente muitas vezes para escapar, pelo menos
temporariamente, de um problema. Fez algo
que sabe que não devia e, quando
confrontada, mente. Depois, tem que
enfrentar dois problemas: o que não devia
ter feito e o fato de ter mentido. Muitos
pais, sem saber, favorecem tal tipo de
situação. Sabem que a criança fez alguma
coisa que não devia ou deixou de fazer algo
que devia e a interpelam. “Você bateu no seu
irmão?”, “Você fez a lição?”, “Você quebrou
tal objeto?”... Por impulso, por medo das
consequências, por medo de castigo, a
criança mente. Seria melhor não perguntar,
mas afirmar: “eu sei que você bateu no seu
irmão”, “eu sei que você não fez a lição”,
“Eu sei que você quebrou tal coisa”... e
tomar as providências cabíveis, evitando a
situação de colocar a criança frente a
possibilidade de mentir.
Ética
Aprender a lidar com
“nãos”, a tolerar frustrações, não é fácil
para a criança, que tenta manipular o
ambiente para conseguir satisfação de todos
os seus desejos. Assim, ela pode tentar
mentir, fingir, burlar, enganar, omitir
nesta tentativa de manipular o ambiente e
nada existe de anormal nestas tentativas.
Estes são os momentos preciosos, nos quais
os pais podem e devem ensinar o que é certo
e o que é errado. O ser humano não nasce
dotado de ética. No início da sua
experiência de vida, ele não sabe o que é
certo ou errado, o que lhe faz bem e o que
não faz. São seus pais quem sabem e precisam
ensinar, transmitir princípios, normas e
regras, que possam dirigir sua conduta.
A mentira consciente,
planejada, que tem como objetivo trazer
vantagens surge na segunda infância, isto é
a partir dos cinco anos e ela é felizmente,
rara, sendo sempre um sintoma de um problema
no desenvolvimento emocional.
Pais que costumam mentir
criam filhos que mentem. Pais que usam
sempre da verdade, que assumem a
responsabilidade por aquilo que fazem e
dizem, criam filhos responsáveis e éticos.
Só se ensina aquilo que se é.
Fonte:
Rafael Martins, especial para iG São Paulo |
31/01/2010 08:16
Postado por Izabel Cristina
Fonseca, em 2 fevereiro 2010