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Como ensinar valores, como partilhar e ceder, para filhos
únicos
Há apenas 30 anos, as mulheres tinham de
dois a três filhos. De uma geração para outra, passaram a ter
apenas um. E vão descobrindo, na prática e sem manual, o
melhor jeito de educar crianças sem irmãos, ensinando
conceitos como a importância de se dividir. Conheça os erros e
acertos mais comuns
O Brasil já se tornou uma nação de filhos únicos,
a exemplo do que ocorre na Itália, Espanha e França, entre
outros países. Números divulgados pelo IBGE no fim de 2008
revelaram que a média de filhos das famílias brasileiras já é de
1,8, seguindo uma tendência mundial, motivada geralmente pela
falta de tempo (ou de dinheiro) para criar mais filhos.
Entre as mães de 30 a 45 anos, várias pararam no
primeiro filho porque se divorciaram, mas um grande contingente
de casadas fez uma opção clara. Como Danielly Moya, 30 anos, mãe
de Bruna, 5. Eu até planejei um casal, mas minha primeira
gravidez foi difícil: engordei 20 quilos, tive hipoglicemia e
depois do parto sofri uma crise de pânico. Não quero passar por
tudo isso de novo, e minha filha não quer irmão. Ex-modelo,
Danielly hoje vende semijoias e administra a carreira da filha,
modelo fotográfico. Bruna desfruta do bom e do melhor e desde
pequena estuda em uma cara escola americana. “Preferimos
dar tudo para um só do que dividir por dois.”
O argumento de dar do bom e do melhor para o
filho é uma espécie de mantra dos atuais pais de filho único.
Mas esse raciocínio é traiçoeiro, alerta a psicóloga e terapeuta
familiar Lidia Aratangy, de São Paulo. “O desejo é ilimitado”,
lembra ela. “Pais que têm o projeto de dar tudo, exceto um
irmão, estão negando a única coisa que somente eles poderiam
oferecer à criança. Um irmão pode ensinar uma lição preciosa:
que o ódio mais intenso não mata o amor. No dia seguinte à
briga, os irmãos já estão de mãos dadas. Esse aprendizado é
fundamental para a vida”, completa Lidia. Como cada vez mais
famílias engrossam as estatísticas do filho único, porém, uma
geração de crianças terá que aprender lições de civilidade e
partilha de outra maneira – e esse aprendizado está a todo
vapor, na prática, todos os dias. “Se é
para ter um filho só, tem que criar direito”, acredita a
bióloga Ana Paula Lepique, 37 anos, mãe de Alice, 14. A garota
nasceu quando Ana e o marido, André, engenheiro químico,
terminavam a faculdade. Depois veio o mestrado, o doutorado, o
pós-doutorado em Nova York... E ninguém sentiu falta de aumentar
a família. “Minha política sempre foi
estar muito presente na vida de Alice”, explica a mãe. “Vamos
a todos os eventos escolares, falto ao trabalho quando ela
adoece, largo o que for se minha garota precisa de mim. Eu a
considero uma jovem segura e independente, capaz de organizar a
própria agenda, que inclui aulas de inglês, jogos de handebol,
natação e uma banda de rock.”
Está aí outra tendência dos pais de filho único:
organizer para a criança uma vida repleta de eventos na
tentativa de afastar uma pressentida solidão. “A
criança acaba fazendo tanta coisa que não tem tempo para o que é
básico: brincar”, alerta o psiquiatra Edson Engels, de
São Paulo, observando que esse comportamento afeta também
famílias com mais filhos. “Essa sobrecarga
pode ainda gerar pessoas com alto grau de inteligência racional
e pobres em inteligência emocional.” A psicóloga Lidia
completa:
... é importante levar em conta as
preferências da criança, deixando de lado os próprios
sentimentos. Vale também estimular a opção por esportes
coletivos, que ensinam a trabalhar em equipe e ajudam a criar
laços fraternos.
Fonte:
Revista Cláudia, por Alice Sampaio
Postado por Izabel Cristina
Fonseca, em 5 abril
2010
(12.155)
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