Adolescentes, Como amá-los
"... cabe
aos pais, em primeiro lugar, esforçarem-se
para manter uma relação aberta, espontânea,
de confiança, da acolhida, de respeito e de
alta tolerância com seu adolescente, sabendo
que ele está atravessando uma fase de vida
complicada e importantíssima para seu
desenvolvimento futuro. “Há que se ser firme
sem perder a doçura”. ????????? Ser
autoridade é diferente de ser autoritário,
como ser respeitado é diferente de ser
temido. Do mesmo modo ser tolerante não
significa ser venal, frouxo, inconsistente,
bobo. (uma dessas???)"
Ama-se
aos filhos incondicionalmente, entretanto,
muitas vezes, o amor ao filho adolescente
passa por provações. Com alguma freqüência
se ouve a nomeação do adolescente como “aborrecente”.
Essa é uma expressão no mínimo injusta,
carregada de preconceitos e advinda de um
sistema de referência restrito e rígido do
adulto. Aborrecidos talvez sejam as pessoas
crescidas que nomeiam, dessa forma, o ser
humano na adolescência.
A adolescência se
caracteriza pela instabilidade emocional,
observada como altos e baixos no humor, pela
conseqüente imprevisibilidade de reação,
pela tendência à desobediência, manifesta
pelo negativismo, pela oposição às
autoridades instituídas. Tudo isso significa
normalidade, significa padrão desejável de
conduta. Para transformar-se em uma pessoa,
o adolescente precisa psicologicamente se
afastar do mundo dos pais, deixar de ser o
bebê da mamãe e o filhinho do papai. A
autonomia e a independência precisam ser
conquistadas e, na maioria dos casos, isso
se processa via confronto. Tem-se, por
conseguinte, o “rebelde sem causa”, no qual
o confronto é que verdadeiramente importa.
Cumpre assim, sempre
ouvir o adolescente, pois ele precisa de um
interlocutor atento, verdadeiramente
interessado e paciente. É nas suas
argumentações e contra-argumentações, nas
suas réplicas e tréplicas, que o adolescente
consegue ir estruturando seus próprios
pontos de vista, às vezes semelhantes aos
dos pais, às vezes opostos. São esses pontos
de vista que mais tarde se transformam em
valores e princípios próprios.
Forma de colocar
limite varia com a idade
Limites são sempre
necessários, seja na infância, seja na
adolescência e, muitas vezes, mesmo na vida
adulta, quando filhos ainda moram na casa
dos pais. Porém, a forma de se colocar esses
limites precisa ser diferente em cada idade.
Verifico que com as crianças, mesmo com as
bem pequenas, os pais costumam explicar,
justificar os “nãos”
exaustiva e desnecessariamente e, quando os
filhos se tornam adolescentes, tendem a dar
muitos “nãos”
e sem justificá-los. Provavelmente cansaram
de tanto explicar! Isso é totalmente errado,
sendo correto justamente o contrário.
O “não”,
a interdição colocada pelos pais tem sempre
a função protetora. Em qualquer idade o
número de “nãos” deve ser sempre reduzido.
Os “nãos”
devem ser ditos exatamente naqueles pontos
onde os pais acreditam que é superimportante
a interdição. Na infância não é preciso que
se dêem enormes explicações ou
justificativas, pois a criança não é capaz
da internalizarão de uma ética pessoal, quem
sabe o que é bom, o que faz bem para a
crianças são seus pais e não a própria
criança. Já na adolescência, época do início
do estabelecimento de uma ética própria, o
filho necessita ser ouvido, ouvido e ouvido,
quantas vezes forem necessárias.
Não significa que os pais
devam sempre dizer sim. Normas, princípios e
valores são transmitidos aos filhos mediante
às atitudes dos pais em relação ao mundo em
geral, mas também são ensinadas pela
interdição colocada frente a determinadas
situações de vida. Nem tudo é possível,
sempre, o que acarretará frustrações. Porém,
lidar com frustração, entreter tensão, adiar
satisfação de desejo são aprendizados
necessários em todas as etapas da vida.
Especialmente na
adolescência, tal ensinamento e tal
aprendizado não são fáceis, dadas as
características psicológicas dessa faixa
etária. Assim, cuidados devem ser tomados na
relação pais-adolescente. Ajuda muito quando
os pais têm o próprio desenvolvimento
psicológico adequado à idade, quando são
pessoas estáveis, tranquilas e têm boa
qualidade de vida. Caso contrário, os
conflitos vividos na relação com os filhos
poderão serem maximizados pelos problemas
não resolvidos dos pais com eles mesmos.
Quais cuidados devem
ser tomados?
A relação
pais-adolescente é uma relação delicada que
deve ser “cerimoniosa”. Pais gostam muito de
perguntar sobre amigos, namorado (a),
eventos, etc., muitas vezes por ansiedade e
medo do que possa ocorrer com seu filhinho
(a), sendo que o adolescente, em geral,
detesta ser interrogado. Em um ambiente
familiar onde a confiança impera, onde os
pais têm a expectativa de participar do
mundo dos filhos, mas se contêm,
espontaneamente o adolescente faz relatos
sobre sua vida.
Com freqüência os
adolescentes usam de omissões e mentiras. As
omissões são esperadas e até desejadas.
Nessa idade, os pais não controlam o mundo
interno de seus filhos, que têm a
necessidade e o direito de experimentarem
serem sujeitos de sua ação e responsáveis
por ela. Assim, não precisam estar contando
aos pais tudo o que lhes acontece.
Entretanto, mentiras não são toleradas em
qualquer idade. Geram perda de confiança e
determinam mais necessidade de mais controle
e restrições.
Muitas vezes o
adolescente, supõe que vai receber um não
frente ao seu pedido, mente sobre o que irá
fazer. Outras vezes, supõe que será punido
por algo que fez e não deveria e mente para
evitar castigos. Quando o que se supõe não
pode ser objetivamente verificado tem-se um
problema de comunicação. São os problemas de
comunicação que trazem as mentiras, a
desconfiança, a falta de crédito na relação
pais-adolescente.
Assim, cabe aos pais, em
primeiro lugar, esforçarem-se para manter
uma relação aberta, espontânea, de
confiança, da acolhida, de respeito e de
alta tolerância com seu adolescente, sabendo
que ele está atravessando uma fase de vida
complicada e importantíssima para seu
desenvolvimento futuro.
“Há que se ser
firme sem perder a doçura”.
????????? Ser autoridade é diferente de ser
autoritário, como ser respeitado é diferente
de ser temido. Do mesmo modo ser tolerante
não significa ser venal, frouxo,
inconsistente, bobo. (uma dessas???)
Como em todas as relações
humanas, discussões são esperadas, mas
quando elas se transformam em brigas, surgem
os gritos, os berros e as ameaças. A falta
de controle leva a se dizer aquilo que
jamais deveria ser dito, de ambos os lados,
abrindo feridas difíceis de serem reparadas.
Um estresse crônico vivido na relação
pais-adolescente é lesivo para todos.
Fonte:
Site: Via Estelar, por Ceres Araujo
Postado por Izabel Cristina
Fonseca, em 28
fevereiro
2010
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